terça-feira, 22 de julho de 2008

ESPORTES OLÍMPICOS

Atletismo
Não é exagero dizer que as Olimpíadas não existiriam sem o Atletismo. Ele já era o principal atração desde as Olimpíadas da Grécia Antiga, nas quais o ponto alto era, em Olímpia, a corrida de um estádio(disância de aproximadamente 192 metros). O Atletismo esteve presente em todas as edições dos Jogos Olímpicos, sempre como a principal atração. Não por acaso a Maratona, que baseia-se na lenda da corrida do soldado Feidípedes, é a prova de encerramento dos jogos. Entrando do meio para o fim da programação dos jogos, é o esporte que faz os maiores heróis Olímpicos.
Número de Ouros em disputa – 47
Esporte Olímpico desde 1896
Medalhas já conquistadas pelo Brasil
Ouro-3
Prata-3
Bronze-7
A competição
O atletismo tem todas as suas provas dentro do estádio(exceto a maratona e a marcha atlética, que fazem percurso pelas ruas, mas terminam no estádio). É composto de provas de pista e campo. A pista de Atletismo tem 400m de comprimento e 8 raias. A mais interna é a raia um e a mais externa a oito. Além disso possui os setores para saltos e arremessos. As modalidades do Atletismo dividem-se em três grandes grupos: Corridas, saltos e arremessos.

Corridas

100m-É a prova mais curta entre as corridas, sendo composta apenas da última reta. Por conseguinte, é a prova mais rápida, o Recorde Mundial vem caindo constantemente e atualmente é de 9.72s. O dono é o Jamaicano Usain Bolt, de 22 anos, que conquistou a marca no dia 31/05/2008 em Nova York. Nos primeiros Jogos Olímpicos, em 1896, o campeão(o americano Thomas Burke) fez a prova em 12 segundos. Nos Jogos de Pequim, certamente o vencedor terminará em menos de dez. Esta diferença de tempo, que pode parecer pequena, representa uma distância de mais de 20 metros na pista. Grandes nomes dos 100m em Jogos apareceram ao longo da história. Jesse Owens, dos EUA, venceu os 100m e outras três provas nos Jogos de Berlim-1936, e ensinou a Hitler, organizador daqueles jogos, que pertencer à raça ariana não era uma garantia de medalhas de ouro. Carl Lewis, outro Americano, venceu a prova com facilidade em 1984, nos jogos de Los Angeles. Em 1987, seu pai faleceu. Ele depositou a medalha obtida sobre o corpo do pai, e declarou que ganharia outra no ano seguinte, em Seul. Na prova, foi derrotado pelo canadense Ben Johnson, seu arqui-rival, e sua carreira parecia a um passo do fim. No dia seguinte, contudo, o laboratório dos Jogos detectou anabolizantes na urina de Bem Johnson, que foi desclassificado e despojado de toda a glória, assim, Lewis cumpriu a promessa feita no ano anterior. Este foi o mais escandaloso caso de doping da história, e revolucionou o modo como o COI controla o uso de substâncias proibidas por parte dos atletas. As mulheres, por sua vez, só estrearam no atletismo em 1928, e os 100m foram vencidos pela Americana Elizabeth Robinson, com 12s2. A maior heroína da história da prova foi Wilma Rudolph. Nos jogos de 1960, em Roma, ela venceu os 100m. Sua vitória foi uma façanha porque quando ela criança ela não conseguia sequer andar, devido a problemas de saúde, e ficava presa à cadeira de rodas. O Recorde Mundial atual data de mais de 20 anos, conquistado por Florence Griffith Joyner. A norte-americana teve e ainda tem a marca sob suspeita de ser produto do uso de doping, mas nada ficou comprovado. Ela nunca poderá esclarecer o assunto, pois morreu em 1998, em estranhas circunstâncias.
Análise para Pequim
Os 100m são muito imprevisíveis. A prova é extremamente rápida. Um erro de concentração, uma passada errada, uma demora na largada, entre outros problemas, pode prejudicar um favorito e inverter totalmente as expectativas. Os EUA e a Jamaica são os países mais cotados. Os Jamaicanos, além de Bolt, possuem Asafa Powell, que era o detentor anterior do Recorde e busca a medalha olímpica que lhe escapou em Atenas, quando ficou em quinto lugar. Por último, Michael Frater, que entra como azarão mas pode surpreender. Os Americanos contam com Tyson Gay, que na seletiva americana marcou 9.68s(o tempo não foi homologado porque a velocidade do vento estava superior a 2m/s, o limite permitido pela IAAF – International Association of Athletics Federation – que regulamenta as normas do Atletismo) e é o atual campeão mundial, não apenas dos 100m, como dos 200m. Além dele, defenderão os EUA Walter Dix(campeão mundial em 2005, em Helsinki) e Darvis Patton(medalha de prata no Pan Rio 2007). Portugal tem novamente o nome forte: Francis Obikwelu, que na realidade é nigeriano de nascimento, foi medalha de prata em Atenas-2004 e vencedor da etapa romana da Golden League. O Brasil será representado por José Carlos Moreira, o Codó, nossa atual sensação nos 100m, Vicente Lenílson, veterano de duas Olimpíadas e dono de uma medalha Olímpica de Prata, conquistada em Sydney 2000 no revezamento 4 x 100m. Completando a equipe brasileira na prova, temos Sandro Viana, cuja especialidade, contudo, são os 200m. É possível que algum deles chegue à final, repetindo a façanha de Robson Caetano há 20 anos, nos Jogos Olímpicos de Seul. Se chegar, tudo pode acontecer...
O feminino, que em 2004 foi vencido pela Bielorussa Yulia Nesterenko, é outra incógnita. Muna Lee é a Americana mais cotada para a prova, ainda há a jamaicana Veronica Campbell, atual Bronze Olímpico, e Lauryn Willians, atual vice-campeã Olímpica e mundial. A brasileira na prova é a veterana Lucimar de moura, recordista Sul-Americana dos 100m e 200m. A atleta mineira já avia corrido em Atenas. Com a marca de 11s37, a velocista, que já está com 34 anos, está novamente nos Jogos. Pode muito bem usar sua experiência e surpreender as favoritas.
Final do Masculino- Sábado(16/8), 11h30*
Final do Feminino- Domingo(17/8), 11h25*


200m-A prova consiste de meia volta na pista. A corrida começa na curva, e os atletas buscam entrar velozes na reta final. O Recorde Mundial está em vigor por um tempo considerado longo para os padrões atuais: doze anos. Ele pertence a Michael Johnson, que obteve a fantástica marca de 19.32s nas Olimpíadas de Atlanta, garantindo o ouro. Ele não poderia ter escolhido melhor hora para fazer a melhor marca de sua vida, que ainda está desfiadoramente intacta. O primeiro campeão Olímpico, em 1900 foi John Walter Tewksbury(EUA), com o tempo de 22s2, que hoje em dia não lhe daria a vitória sequr no feminino. É inegável a evolução que a prova teve. Só um detalhe não mudou ao longo destes mais de 100 anos: a supremacia norte-americana. Poucas foram as vezes em que foi quebrada. Uma das mais notáveis foi em 1960, nos Jogos de Roma, quando o italiano Livio Berruti, anfitrião, derrotou os favoritos ianques e levou o ouro, para delírio da nação italiana. Outro italiano, Pietro Menea, venceu nos Jogos de Moscou, em 1980, a prova do 200m, da qual já detinha o recorde mundial desde 1972. Mesmo com essas vitórias, percebe-se amplo domínio Americano. O Brasil tem boas recordações da prova em 1988, quando Robson Caetano conseguiu um bronze, primeira medalha da história do país na prova. Tal supremacia estende-se também para o feminino, onde a marca de Florence Griffith Joyner nas Olimpíadas de Seul(21s34), continua soberana como Recorde Mundial.
Análise para Pequim- O atual campeão Olímpico, Shawn Crawford, estará presente para tentar repetir o seu feito. Em Atenas 2004, os EUA fizeram pódio completo, com Ouro, Prata e Bronze, mas o segundo e o terceiro daquela ocasião não correrão os 200m em Pequim. Os membros agora são Walter Dix e Wallace Spearmon. Spearmon, que estréia em Olimpíadas, foi medalha de prata no Mundial 2005 e bronze em 2007 nos 200m. A ausência sentida é a de Tyson Gay, atual campeão mundial, que lesionou-se na seletiva americana. Usain Bolt, o jamaicano que detém a melhor marca do ano(19.67s) é a principal aposta da Jamaica, que também levará Marvin Anderson e Cristopher Williams. Há outros nomes fortes das Américas, como Churandy Martina, das Antihas Holandesas. O Brasil terá Bruno Lins Tenório, um alagoano de 21 anos que teve uma acentuada evolução nos últimos dois anos. Conseguiu a marca de 20s47, superando o índice A e mostrando seu valor ao país, depois de ter ficado de fora do Pan2007. Além dele, irá correr pelo Brasil Sandro Viana, que também está nos 100m. O velocista amazonense de 31 anos também irá tomar parte do revezmento 4 x 100m, no qual ele mesmo foi o último homem no Pan2007, vencido de forma brilhante pelo Brasil. No feminino, as três americanas, Allyson Felix, Muna Lee e Marshevet Hooker, são cotadas para fazer Ouro, Prata e Bronze, mas há algumas atletas capazes de atrapalhar seus planos. Entre elas, Veronica Campbell, a Jamaicana atual campeã Olímpica. Evelyn dos Santos, que obteve o índice B, é a brasileira na prova, e está fortalecida após a vitória no Troféu Brasil.
Final do Masculino-Quarta-feira(20/8), 11h20*
Final do Feminino- Quinta-feira(21/8), 11h10*


400m-É uma volta completa na pista. Esta prova tem dois tipos de corredores: os com tendência velocista, que geralmente também competem nos 200m e até nos 100m, e os com tendência fundista, que participam também dos 800m, e, em casos raros, do 1500m.
Há ainda os que treinam exclusivamente para esta prova. Já houve casos de vitórias dos três tipos. O cubano Alberto Juantorena venceu os 400m e os 800m nas Olimpíadas de Montreal, em 1976. Vinte Anos depois, em Atlanta, Michael Johnson venceria os 400m e os 200m. Nas últimas Olimpíadas, a vitória coube a Jeremy Wariner, um “quatrocentista” nato. Os 400m são a maior prova em que os atletas correm toda ela cada um em sua raia. Esta é também a mais longa prova que requer saída de bloco, que confere maior impulsão aos atletas. A eficiência do bloco nunca foi posta em dúvida, já que Thomas Burke, o primeiro campeão Olímpico dos 100m e dos 400m, foi o único a usá-lo nas provas, e deu certo. Todos passaram a imitá-lo.
Os 400 metros tem uma longa e rica história nos Jogos Olímpicos . Presente desde a primeira edição, em 1896(na qual Burke venceu com 54s2 e os tempos do segundo e do terceiro perderam-se nos registros), a prova é sempre uma grande atração. As mulheres, por sua vez, só estrearam nos 400m rasos nos Jogos de Tóquio, em 1964, quando a Australiana Betty Cuthbert venceu a prova com 52s cravados. Hoje as vencedoras já correm para baixo de 50 segundos.
Análise para Pequim-No masculino a expectativa é de um grande duelo entre o Norte-Americano Jeremy Wariner, campeão Olímpico em exercício, e seu compatriota LaShawn Merrit, grande sensação de 2008, que é uma enorme ameaça. A lógica(que muitas vezes não se confirma) aponta para que eles fiquem com o Ouro e a Prata. O terceiro Americano, David Neville, teria em tese que brigar pelo Bronze(se conseguir, os EUA podem voltar a fazer o pódio completo dos 400m, como fizeram nos últimos Jogos), e seus maiores concorrentes seriam Chris Brown, das Bahamas e Tyler Cristopher do Canadá. Atorcida brasileira concentra-se em Fernando Pereira de Almeida, que garantiu sua vaga para os Jogos em uma prova na Bolívia, onde marcou 45s94. A marca é ótima, mas ele terá que fazer melhor ainda se quiser chegar à final. A melhor marca do ano de 2008 é de Wariner(43.86s), idêntica àquela com a qual venceu o Mundial ano passado. Há vários atletas correndo na casa dos 45 segundos. Entre as mulheres, a superioridade americana não parece se manifestar. As favoritas são da antiga metrópole, a Grã-Bretanha. Christine Ohuruogu, atual campeã mundial e 4ª colocada Olímpica, busca uma medalha. Sua compatriota, Nicola Sanders, é outra candidata. As melhores marcas do ano de 2008, contudo, pertencem à Americana Alysson Felix, que não vai correr os 400m em Pequim, e a Amantle Montsho, de Botswana. Ambas marcaram 49.83s este ano. O Brasil será representado por Maria Almirão, que alcançou o índice olímpico B, com 52s24, e como não foi superada por nenhuma Brasileira, está com a vaga. Seu tempo está aquém das favoritas, mas vale a torcida pela vencedora do Troféu Brasil 2008.
Final do Masculino- Quinta-feira(21/8), 09h55*
Final do Feminino- Terça-feira(19/8) 11h10*


800m-É a prova mais rápida das chamadas provas de meio-fundo. Os atletas dão duas voltas na pista. Nos primeiros 100m, ou seja, na primeira curva, cada atleta corre em sua raia. Depois, no meio da reta oposta, todos entram na raia 1, a mais interna. Os homens a disputam desde a primeira edição, e o Brasil já sentiu o gosto da vitória nos Jogos de 1984, em Los Angeles, quando Joaquim Cruz derrotou o britânico Sebastian Coe e levou o ouro, com 1 minuto e 43 segundos. Quatro anos depois, o brasileiro de Taguatinga ganharia a prata. Já entre as mulheres, os 800m tem uma história de muita contestação. As mulheres correram os 800m nas Olimpíadas pela primeira vez nos Jogos de Amsterdã, em 1928. Era uma época em que o esporte era tido como uma atividade masculinizante e as mulheres buscavam livrar-se da submissão, não apenas no esporte, mas em todos os setores da sociedade. Mesmo os que defendiam a participação feminina nas Olimpíadas(que não eram muitos, diga-se de passagem, e o próprio Barão de Coubertin, idealizador dos Jogos, sempre foi contra a participação feminina nos Jogos) diziam que elas não deviam correr nada maior do que 200m, caso contrário, poderiam ter sérios danos à saúde. Na época, muitos deram razão aos pró-banimento das mulheres, pois muitas que tomaram parte na prova dos 800m caíram na pista, algumas antes, outras depois da chegada. Jornais do mundo inteiro disseram ser um absurso, e os 800m só voltaram aos Jogos em 1960, Roma, quando o esporte feminino já era levado mais a sério. De lá para cá, as contestações diminuíram até acabar, e hoje os 800m para mulheres são uma grande atração dos Jogos.
Análise para Pequim-O Marrocos, que já teve grandes ídolos no atletismo(como Said Aouita, fundista dos anos 80, e mais recentemente, Hicham el Guerrouj, atual campeão dos 1.500m e dos 5.000m), deposita boas esperanças em Amine Laalou. A melhor marca do ano pertence ao sudanês Abukaker Kaki, de apenas 19 anos, que fez 1m42.69s em 2008. O atual campeão Olímpico, Yuriy Borzakovskiy, estará na pista para tentar o bicampeonato Olímpico. O atual campeão mundial é Alfred Kirwa Yego, queniano de 22 anos que também pode levar. O Brasil estará muito bem representado nos 800m e a torcida sonha que o feito de Joaquim Cruz seja repetido. O gaúcho Fabiano Peçanha, de 26 anos, conquistou, com 1m44.60s, o índice para os Jogos. Ele foi medalhista da forte Universíade, a Olimpíada de Universitários, em 2003(bronze), 2005(ouro) e 2007(prata). O Brasil também espera fazer bonito nos 800m com Kléberson Davide, que tem a marca de 1min46s49, que lhe daria o ouro no último mundial de atletismo. As chances são boas. Entre as mulheres, deve haver uma briga entra a jovem Pamela Jelimo, queniana de 18 anos que vem vencendo tudo em 2008, e a russa Yelena Soboleva, dona da melhor marca de 2008(1m54.85s). Também com grandes chances está outra queniana, Janeth Jepkosgei, atual campeã mundial. A atual campeã Olímpica, não apenas dos 800m, como dos 1500m, é a britânica Kelly Holmes, que não vai participar da prova pois já pendurou as sapatilhas. Infelizmente nenhuma brasileira irá correr a prova, mas ainda assim vale a pena assistir para ver o duelo que vai dar.
Final do Masculino- Sábado(23/8), 8h30*
Final do Feminino- Segunda-feira(18/8), 10h35*


1500m-É a única prova cuja largada fica na linha a 300m da chegada, ou seja, no início da reta oposta. Os corredores saem desta marca, correm 300 metros e depois dão mais três voltas na pista. Na primeira Olimpíada, o vencedor foi o Australiano Edwin Flack, que cobriu a distância em 4m33s. Hoje, o recorde mundial é de 3m26s. Se os vencedores das Olimpíadas atuais corressem contra Flack, fariam-no de retardatário na pista, ou seja, quando completassem a prova, Flack ainda teria uma volta completa para dar. Esta prova é, assim como o 400m, um “divisor de águas”: há os corredores com inclinação meio-fundista, que correm 800m e 1500m, e os mais voltados a longas distâncias, que correm 1500m, 5000m e até o 10000m ou o 3000m com obstáculos. Dentre os meio-fundistas, há uma recente heroína: Kelly Holmes, da Inglaterra, que venceu as duas provas em Atenas-2004. Outro grande exemplo é o de Sebastian Coe e Steve Ovett, dois corredores britânicos que foram soberanos nas corridas entre o final dos anos 70 e início dos 80. Ovett venceu uma vez o 800m e ficou com o bronze do 1500m, em Moscou-1980. Coe venceu os 1500m duas vezes(1980 e 1984) e duas vezes foi prata nos 800m, também em 80 e 84, perdendo nesta última para Joaquim Cruz, do Brasil. Entre os corredores de 1500m com estilo fundista, o último herói foi Hicham el Guerrouj, do Marrocos, que nas Olimpíadas de Atenas-2004 venceu o 1500m, que já merecia havia 8 anos, e de quebra o 5000m, repetindo um feito que havia acontecido pela última vez 80 anos antes. Na ocasião, Paavo Nurmi, que talvez tenha sido o maior fundista da história, ganhou os 1500m e os 5000m com uma hora de intervalo entre uma final e outra, o que o tornou a grande estrela dos jogos de Paris-1924, apesar de não dar muita atenção aos torcedores, nem aos adversários, nem a ninguém. Paavo Nurmi, o finlandês que ao todo ganhou nove ouros em Olimpíadas, não era famoso por seu carisma.
Análise para Pequim- Augustine Kiprono Choge, do Quênia, é um favorito destacado. Tem a melhor marca do ano(3m31.57s), vem vencendo as principais competições do ano e é queniano, fato que por si só já chama atenção nas provas de longa distância. Seu companheiros de equipe, Asbel Kiprop e Nicolas Kemboi, podem surpreendê-lo, como já mostraram serem capazes de fazer. O Quênia talvez faça pódio completo. O principal empecilho para o Quênia será um outro queniano, que contudo, naturalizou-se Norte-Americano. Bernard Lagat já competiu pelo Quênia em duas Olimpíadas. Foi bronze em Sydney-2000 e prata em Atenas-2004 pelos quenianos, mas naturalizou-se pelos EUA em 2005. Venceu o último Mundial de atletismo, em Osaka-2007, sob a bandeira dos Estados Unidos. A prática de naturalização dos fundistas do Quênia para outros países vêm tornando-se comum, e o dinheiro é invariavelmente o personagem principal. A concorrência no Quênia para conseguir uma vaga Olímpica faz com que muitos corredores não pensem duas vezes antes de trocar de nacionalidade. O Brasil será mais uma vez representado por Hudson de Souza, que esteve presente nas duas últimas Olimpíadas. Nos Jogos de Atenas ele ficou em 14º lugar e não passou à final. A expectativa é que ele, que continua soberano na prova no Brasil, melhore o desempenho de quatro anos atrás. Garantiu sua vaga com a marca de 3m36.32s. Seu recorde pessoal é também o Sul-Americano, a marca de 3m33.25s. O feminino, por sua vez, não contará com uma atleta brasileira. A Russa Yelena Soboleva, forte também nos 800m, é uma das grandes favoritas. É dona da melhor marca de 2008(3m56.59s) e atual vice-campeã Mundial. A campeã foi a barenita Maryam Yusuf Jamal, que ultrapassou Soboleva no finzinho da corrida. Jamal é, na realidade, etíope de nascimento, país que representou até 2002 com o nome de Zenebech Tola. Ela aproveitou uma viagem a Lausanne, na Suíça, para pedir Asilo político, e trocou de nacionalidade. Não foi a primeira e não será a última atleta a fazer isso.
Final do Masculino- Terça-feira(19/8), 11h50*
Final do Feminino- Sábado(23/8), 08h50*


5000m-Doze voltas e meia na pista. Em Jogos Olímpicos, esta prova estreou em 1912, em Estocolmo, na V Olimpíada da era moderna. Ter ficado de fora das quatro primeiras edições não foi ruim, já que não havia muitos fundistas de nível para participar da prova. Os Jogos de 1912 marcaram um salto de qualidade no atletismo, especialmente nas provas de fundo, que assistiram em Estocolmo a inauguração de uma fábrica de corredores da 1ªmetade do século XX: a Finlândia. O fundador foi Johannes Kolehmainen, um corredor vegetariano de 23 anos que venceu os 5000m, os 10000m, e os 12000m cross-country(corrida em terreno acidentado), que não faz mais parte das Olimpíadas. Nos 5000m, Kolehmainen travou um emocionante duelo com o francês Jean Bouin e o venceu por um nariz de diferença. Ambos bateram o Recorde Mundial por 25 segundos. O finlandês cravou 14m36.60s, recorde que levaria 12 anos para ser superado. Atualmente, a melhor marca pertence a Kenenisa Bekele, um etíope deu continuidade ao sucesso olímpico do país em outra prova: os 10000m. Depois das vitórias de Halie Gebrselassie em Atlanta-96 e Sydney-2000, Bekele venceu os 10000m em Atenas-2004. Nos 5000m, em que ele detém o Recorde Mundial(12m37.35s), foi prata. A prova tem outros heróis, como o Americano Bob Schul em Tóquio-64(o fato de ser um americano vencendo uma prova de fundo foi uma façanha. Na época dizia-se que os EUA só tinham velocistas: em corridas longas, preferiam ir de carro) e o finlandês Lasse Viren, que venceu, nas Olimpíadas de Munique-72 e Montreal-76, não apenas o 5000m, como também o 10000m, feito ainda não igualado até hoje. Quando tentou o tricampeonato, em Moscou-80, foi destronato por um misterioso etíope chamado Miruts Yifter, que não revelou ao mundo sequer a sua idade. Yifter inaugurou o sucesso da etiópia nas pistas(na maratona eles já tinham antes alguns heróis), e ganhou também os 10000m naqueles Jogos. O homem de 1,62m provou ser um grande corredor. As mulheres só estreram nos 5000m nos jogos depois de 100 anos de história Olímpica. Foi nos jogos de Atlanta-96, e a vencedora foi a chinesa Wang Junxia, com o tempo de 14m59.88s. Hoje em dia as africanas são os principais nomes da prova. A corrida de fundo feminina não emergiu junto com a masculina. Os africanos já começaram a tornar-se assíduos no pódio na década de 60, e foram ampliando a sua base. Mas as mulheres africanas só despontaram em meados dos anos 90.
Análise para Pequim- O masculino pode coroar mais uma vitória de um homem nos 1500m e nos 5000m. Bernard Lagat, queniano naturalizado pelos EUA, tem como principal prova os 1500m, mas é o campeão mundial dos 5000m. Ninguém se surpreenderá se ele vencer a prova, mas háoutros nomes que podem levar. Um outro queniano, mas que compete pelo Quênia mesmo, é uma ausência que os outros competidores devem agradecer. Moses Masai, de 22 anos, tem a melhor marca de 2008(12m50.55s) e está na ponta dos cascos, mas em Pequim correrá apenas os 10000m. O Quênia tem suas maiores esperanças em Eliud Kipchoge, recordista mundial Juvenil. Hicham el Guerrouj, atual campeão Olímpico, já está aposentado, mas o medalhista de prata(Kenenisa Bekele) é o Recordista Mundial da prova, com a marca de 12m37.35s. Nos jogos de Atenas, ele tinha a pretensão de vencer os 5000m e os 10000m, mas conseguiu ouro apenas nos 10000m. Agora, sem El Guerrouj no caminho, ele renova as esperanças de vitória nos 5000m. O Brasil não terá representante nos 5000m. Nosso principal fundista, Marílson dos Santos, correrá na China os 10000m e a Maratona. Nenhuma brasileira correrá os 5000m. As expectativas de vitória estão concentradas nas africanas. Tinuresh Dibaba, da Etiópia, quebrou o Recorde Mundial no último dia 6 de Junho, com 14m11.15s, e é a principal favorita. Sua companheira de equipe, a campeã mundial Meseret Defar, é uma que pode ameaçá-la, assim como as quenianas Priscah Jepleting, Sylvia Kibet e Vivian Cheruiyot.Todas elas correm a prova para baixo de 15 minutos e escreverão mais um capítulo da intensa rivalidade entre Etiópia e Quênia nas corridas de longa distância.
Final do Masculino-Sábado(23/8), 09h10*
Final do Feminino-Sexta-feira(22/8), 09h40*

10000m-A prova de dez quilômetros na pista é sempre muito exaustiva. Vinte e cinco voltas em um espaço de 400 metros. Esta é uma prova onde geralmente os atletas mais fortes passam outros de retardatários. Em atletismo isso chama-se “balão”. Quanto o corredor não está em ritmo forte, pode levar um, dois, três ou mais balões dos ponteiros. Em Olimpíadas a prova estreou junto com o 5000m, em 1912, e teve o mesmo vencedor: o finlandês Kolehmainen. A prova tem algumas histórias curiosas. Nas Olimpíadas de Paris, em 1924, os dirigentes finlandeses escolheram colocar para correr Ville Ritola, que fazia sua estréia em Jogos, e deixaram Paavo Nurmi, campeão Oímpico em exercício, de fora da prova. Ville Ritola venceu a prova no estádio de Colmbes, com a marca de 30m23.20s. Ao mesmo tempo, em uma pista de treinamento nas imediações, o indignado Nurmi corria um 10000m para 29m58s. Mas ele se vingaria dias depois vencendo os 1500m e os 5000m. Passada a Segunda Guerra Mundial, emergiria um novo herói nos 10000m. Emil Zatopék, da Tchecoslováquia, começou sua caminhada Olímpica com o Ouro nos 10000m nos Jogos de Londres, em 1948, e, de quebra, uma prata nos 5000m. Quatro anos depois em Helsinque, ele conseguiria um feito que nenhum outro atleta na história fez antes, nem depois: venceu os 10000m, os 5000m, e a Maratona. Zatopék seria o primeiro superatleta nas provas de fundo desde Paavo Nurmi. O tcheco tinha um estilo heterodoxo: ao contrário de Nurmi, que corria sem aparentar o menor cansaço, Zatopék fazia cada passada parecer ser a última antes do desmaio, como se tivesse levado um tiro no peito. Zatopék foi o segundo atleta Olímpico a vencer os 5000m e os 10000m nos mesmos Jogos. O terceiro seria o Soviético Vladimir Kuts, quatro anos depois, em Melbourne. Kuts é considerado o maior estrategista da história das corridas. Marcou seu adversário principal, o britânico Gordon Pirie, e usou as 25 voltas da corrida para aniquilá-lo. Ele tomava a ponta e ficava trocando de ritmo várias vezes, desgastando o oponente física e psicologicamente. O britânico seguiu-o enquanto pôde, mas no final as investidas de Kuts o deixaram completamente sem forças. Kuts venceu a prova e Pirie terminou quebrado, em oitavo lugar. A partir do final da década de 60, a prova cairia no domínio dos africanos, com a exceção do finlandês Lasse Viren e do italiano Alberto Cova. Nas últimas Olimpíadas, o pódio foi todo africano: um etíope em primeiro, outro em segundo, e um atleta da Eritréia em terceiro. Este país ficou independente da própria Etiópia em 1993, e o bronze de Zersenay Tadesse foi a primeira medalha da história do país nos Jogos. Entra as mulheres, o 10000m mais marcante foi o dos Jogos de Barcelona-92, onde foi travado um duelo entre Deratu Tulu, da Etiópia, e Elana Meyer, da África do Sul. A África do Sul voltava aos jogos após 32 anos em que foi proibida de participar pelo COI graças ao apartheid, regime que retirava dos negros a condição de cidadãos e que vigorava no país desde 1948. Com a reforma conduzida pelo líder Nelson Mandela, que chegaria à presidência do país com eleições livres em 1994, o apartheid foi abolido e os Sul-africanos voltaram a integrar a comunidade Olímpica. Tinham em Elana Meyer a grande esperança de um Ouro. As duas correram juntas quase toda a prova. Deixaram para trás a favorita, a inglesa McColgan. No final, a etíope foi mais forte e venceu por 5 segundos de vantagem. Mas a África do Sul estava de volta, para juntar-se ás quase 200 nações para celebrar a paz. Ou o desejo de ter paz.
Análise para Pequim- Atual campeão Olímpico, Mundial, e dono da melhor marca do ano de 2008, Kenenisa Bekele entrará na disputa com uma enorme aura de favorito. Se alguém pode incomodá-lo, são outros africanos. Sileshi Sihine, prata em Atenas-2004, e Halie Gebrselassie, o herói que venceu a prova em Atlanta-96 e Sydney-2000, são os companheiros de Bekele da Etiópia. O Quênia, grande inimigo a combater, vai para a prova com Moses Masai, que tem a melhor marca nos 5000m mas é igualmente forte, Martin Mathathi, bronze no último Mundial, e Micah Kogo. O Brasil terá Marilson dos Santos, medalha de bronze no Pan2007, cujo Recorde pessoal o deixa com chance, embora pequena, de ganhar uma medalha. Mas se ele conseguir superar seu melhor tempo o sonho de uma medalha passa a ser palpável. As mulheres tem como competidora a ser batida a Etíope Tinuresh Dibaba, atual campeã mundial, é a grande favorita. A melhor marca desse ano, contudo, é de uma Norte-Americana, Shalane Flanagan, com um tempo bem superior àquele com o qual a etíope venceu o Mundial em Osaka em 2007. À torcida brasileira, resta assistir imparcal ao promissor duelo, já que não há nenhuma brasileira classificada na prova.
Final do Masculino-Domingo(17/8), 11h45*
Final do Feminino- Sexta-feira(15/8), 11h45*


100m com barreiras
Prova exclusivamente feminina. As atletas correm, cada uma em sua raia, e precisam passar por cima de dez barreiras dispostas equidistantes uma da outra. As barreiras tem 84 cm de altura e as melhores atletas do mundo cobrem a distância na casa dos 12 segundos. Até as Olimpíadas de 1968, no México, a prova para as mulheres era de 80 metros com barreiras. Em Munique, 1972 a prova passou a ser de 100 metros, e desde então as marcas não tiveram um grande salto de qualidade. A vencedora de 72 foi Annelie Ehrhardt, da Alemanha Oriental, com 12.59s. O recorde mundial de hoje, 36 anos depois, é de 12.21s, e pertence à Búlgara Yordanka Donkova, que não compete mais. Durante os anos 70 e 80, a prova foi dominada por atletas do Leste Europeu, especialmente a Alemanha Oriental, que posteriormente teve colocadas em dúvida a maioria das marcas obtidas, sob suspeita de serem produto de um complexo processo de Doping. De fato, as alemãs orientais eram notáveis não apenas pelos tempos obtidos, que se aproximavam dos homesn, como pelas suas musculaturas de halterofilistas. Com a queda do Muro de Berlim em 1989, a máquina alemã de fazer resultados perdeu força, e a prova dos 110m com barreiras sentiu a mudança. Nos anos 90, o domínio passou para a Europa Ocidental e para os EUA, que já dominavam havia muito tempo os 110m com barreiras, a prova masculina equivalente. Um momento marcante foi quando a atleta grega Paraskievi Patolidou venceu a prova nos Jogos de Barcelona-1992. A Grécia não ganhava um Ouro em Atletismo desde a primeira edição dos Jogos, na própria Grécia, em 1896. Se o atletismo passase em branco em Barcelona, completaria nos jogos seguintes, em Atlanta, 100 anos sem medalha de Ouro nas Olimpíadas. Mas a grega Patolidou não deixou que isso acontecesse. Em uma chegada apertada, ela venceu pela fotografia. Bem à sua frente estava Gail Devers, dos EUA, que parecia a caminho de uma vitória folgada. Mas a norte-americana tropeçou na última barreira e se estatelou no chão, abrindo a brecha para as outras sete atletas, e Patolidou aproveitou. Quando a prova ainda era de 80m com barreiras, a maior heroína foi a holandesa Fanny Blankers-koen. Nos jogos de 1948, em Londres, ela venceu não apenas os 80m com barreiras, como os 100m e os 200m rasos e o revezamento 4 x 100m com suas companheiras. A Holandesa foi muito corajosa, porque a Segunda Guerra Mundial cancelou duas edições dos Jogos(1940 e 1944), de modo que em 1948 Fanny já tinha 30 anos de idade. Mas ela viajou, enfrentou a hostilidade do público londrino(já que derrotou atletas britânicas nas três provas individuais que venceu) e tornou-se uma grande campeã. Fanny Blankers Koen contribuiu muito para a melhora da imagem da mulher no esporte. Ainda naquela época havia gente que era contra a participação feminina nos jogos. Mas ela mostrou ser perfeitamente possível uma mãe de família, mulher comum, praticar esportes e tornar-se uma campeã. Aquela foi uma Olimpíada memorável para a Holanda.
Análise para Pequim- A atual campeã Olímpica, Joanna Hayes, a atual medalha de bronze, Melissa Morisson, e a atual campeã mundial, Michele Perry, todas dos EUA, não competirão na prova. Isso abre espaço para uma outra americana destacar-se como favorita. Trata-se de LoLo Jones, que completará 26 anos de idade durante os Jogos. Ela tem a melhor marca de 2008(12.45s). Suas principais ameaças são a canadense Perdita Felicien, prata no mundial de 2007, e a jamaicana Delloreen Ennis-Londos, bronze na mesma prova. O Brasil estará representado por Maíla Paula Machado, paulistana da cidade de Limeira, que já participou das Olimpíadas de Atenas, com 23 anos de idade. Agora, aos 27, ela obteve vaga ao vencer o Troféu Brasil e espera chegar ao menos às semifinais, o que lhe faltou há quatro anos. Sua marca no Troféu foi 13.02s, superior aos 13.35s que fizera nas Olimpíadas. Correndo por fora, pode chegar.
Final- Terça-feira(19/8), 11h30*

110m com barreiras-É a prova masculina equivalente aos 100m com barreiras, para mulheres. Da mesma forma que elas, os homes precisam passar por 10 barreiras equidistantes, cuja altura, entretanto, é de 1,06m. Os melhorea atletas do planeta fazem a prova em 13 segundos ou abaixo disso. Ao longo dos anos, os atletas Norte Americanos exerceram um amplo domínio, embora ultimamente esteja seriamente ameaçado. Das vinte primeiras Olimpíadas, os EUA só foram derrotados duas vezes. O maior nome deste período foi Lee Calhoun, bicampeão Olímpico(Melbourne-1956 e Roma-1960). A partir de meados dos anos 70, contudo, passaram a aparecer campeões
de outros lugares do mundo. O francês Guy Drut, nos Jogos de 1976, em Montreal, interrompeu uma série de 11 vitórias consecutivas dos EUA. Thomas Muntkeld, da Alemanha Oriental, em 1980, venceu o Cubano Alejandro Casañas, que com isso foi prata pela segunda vez consecutiva. Nos anos 80, surgiria outro bicampeão Olímpico: Roger Kingdom, que retaurou o domínio Norte-Americano na prova. Esta prova é cheia de diferenças de estilos, já que passar as barreiras requer uma apurada técnica. A competição é marcada por alguns tombos e muitos esbarrões, mas é sempre divertido de se assistir.
Análise para Pequim-A prova promete uma briga muito boa. Os Norte-Americanos,
em busca da manutenção de sua supremacia, seriamente ameaçada, irão com dois nomes fortíssimos: Terrence Tramell, atual vice-campeão mundial e Olímpico, vai em busca do sonhado ouro. Um de seus companheiros de equipe, David Payne, é o atual medalha de bronze mundial, tendo conseguido na ocasião a marca de 13.02s, a melhor de sua carreira até então. Desafiando os Americanos, temos o Cubano Dayron Robles, que no último dia 12 de Junho simplesmente quebrou o Recorde Mundial. Em uma competição em Ostrava, na República Tcheca, o cubano sucessor de Anier Garcia(atual bronze Olímpico) marcou o tempo de 12.87, um centésimo de segundo mais rápido que o Recorde anterior. O dono deste ex-recorde é o favorito para o ouro em Pequim. Xiang Liu, da China, foi o campeão Olímpico em Atenas com a marca de 12.91s, batendo o Recorde Olímpico. Ele busca a segunda medalha de Ouro e irá correr em casa, perante a numerosa torcida do seu país. A condição de anfitrião pode torná-lo mais confiante ou mais pressionado. Ou as duas coisas. O Brasil, que há quatro anos colocou Mateus Inocêncio na final da prova, tem a esperança de repetir ou melhorar o feito. O atleta da vez é Anselmo Gomes, paulistano de Guarulhos, cuja melhor marca é 13.31s. Estreante em jogos, ele pode surpreender. Capacidade para isso ele tem.
Final- Quinta-feira(21/8), 10h35*

400m com barreiras- Assim como nos 100m e nos 110m, há dez barreiras espalhadas pelo percurso. Os atletas correm, entretanto, uma volta inteira na pista, com as barreiras distribuídas equidistantemente. Em Jogos Olímpicos, é quase tão tradicional quanto os 110m, esteve ausente apenas na primeira edição, em 1896. A prova deu um grande salto de qualidade a partir do final dos anos 60. Nos Jogos da Cidade do México, em 1968, o britânico David Hemmery venceu a prova com um novo recorde mundial. Quatro anos depois, John Akii-Bua, de Uganda, impediu o bicampeonato de David Hemmery. Em 1976, nos jogos de Montreal, Akii-Bua queria por sua vez tentar o bicampeonato. Foi impedido também, mas não por um atleta, e sim pelo presidente, que junto com quase todas as nações africanas aderiu um boicote àquelas Olimpíadas. O boicote teve como pretexto a participação da África do Sul, não nas Olimpíadas, da qual já estavam banidos havia doze anos por causa do Apartheid, mas por sediar um simples jogo de Rugby com a Nova Zelândia. Os africanos exigiram a exclusão da Nova Zelândia por ter ido à África do Sul, mas o COI não acatou e a África não foi aos Jogos. Sem Akii-Bua, a vitória nos 400m com barreiras em 1976 coube a Edwin Moses, que bateu o recorde mundial e se tornaria o maior nome da história da prova. Em 1980, ele também quis tentar o bicampeonato, mas foi impedido por Jimmy Carter, que comandou o boicote Americano às Olimpíadas de Moscou-1980. Moses, que desde a Olimpíada havia vencido todas as provas que disputou, não pôde ir aos jogos. Sua consagração definitiva viria quatro anos depois, nos Jogos de Los Angeles. Perante a torcida de sua pátria, Moses venceu o duelo com o alemão Harald Schmidt e arrebatou sua segunda medalha de Ouro. Nos Jogos de 1988, em Seul, despediu-se com um bronze. Quatro anos depois, em Barcelona, surgiu Kevin Young, que estabeleceu um Recorde Mundial(46.78s) que perdura até hoje, 16 anos depois. O 400m com barreiras feminino foi corrido pela primeira vez em 1984, com vitória da Marroquida Nawal el Moutawakei, com a marca de 54.61s. Hoje o recorde mundial é de 52.34s, e pertence a Yuliya Pechenkina, da Rússia. Nos anos 20 havia uma regra em que não se podia derrubar mais de duas barreiras, o que não homolagava as marcas, embora não implicasse desclassificação. Isso tirou o recorde de F.Morgan Taylor, que nos Jogos de Pris, em 1924 venceu a prova com mais de um segundo de diferença do recorde mundial anterior.
Análise para Pequim- Não será nada fácil para Félix Sanchez, da República Dominicana, defender seu título Olímpico e dar outra medalha de Ouro ao seu país. O campeão mundial e dono da melhor marca de 2008(47.79s), Kerron Clement, é o favorito para vencer a prova. Correndo por fora, está o jamaicano que levou a prata há quatro anos, em Atenas: Danny McFarlane. O Polonês Marek Plawgo, bronze no último mundial, é outro que pode beliscar. Um outro Norte-Americano além de Clemente também pode beliscar. Trata-se de Bershawn Jackson, que teve uma evolução muito acentuada nos últimos tempos. O Brasil terá um representante com sotaque japonês: Mahau Suguimati, que vive e treina no Japão, venceu o Troféu Brasil com a marca de 49s15, e fará sua estréia olímpica em Pequim. O Brasil infelizmente não terá uma representante no feminino, que este ano não tem apresentado resultados no ápice. A melhor marca de 2008 pertence à Americana Lashinda Demus, e é de 53.99s. A recordista mundial e favorita para o ouro é a russa Pechenkina, mas além de Lashinda Demus, uma ameaça para o ouro é a atual campeã mundial, a Australiana Jana Rawlinson. É esperado que a vecedora faça uma marca ao menos abaixo dos 54 segundos, o que aconteceu apenas uma vez neste ano
Final do Masculino- Segunda-feira(18/8), 11h*
Final do Feminino- Quarta-feira(20/8), 11h35*


3.000m com obstáculos- Em inglês, a prova é chamada de 3.000m steeplechase. É talvez a prova que tem mais particularidades. São colocados quatro obstáculos(com 91cm de altura, para os homens, e 76cm para mulheres) pela pista(dispostos conforme a figura) e mais um fosso, que é um obstáculo comum sucedido de um pequeno vale, que começa a 70cm de profundidade e vai aos poucos nivelando-se ao chão, que é preenchido com água. O fosso passa por dentro da última curva da pista, e seu comprimento é de 3,66m. Os Obstáculos são semelhantes às barreiras, mas são mais espessos, de forma que o atleta pode pisar neles. E não há um para cada atleta, todos passam pelo mesmo, que ocupa toda a largura da pista. Ao todo, o atleta passa por 28 Obstáculos comuns e mais sete vezes pelo fosso. Requer grande preparação, graças ao seu alto nível de desgaste. É uma prova muito tradicional em Jogos Olímpicos, tendo sido instituída logo na segunda edição, em Paris-1900. Naquela época havia também os 4000m com obstáculos, que posteriormente seria abolida. Desde então, vem passando por algumas mudanças e muitos momentos marcantes. A distância, por exemplo: em Paris-1900 os atletas correram 2500m com obstáculos. Em Saint Louis-1904, 2590m. Em Londres-1908, correram 3200m. Em Estocolmo-1912, a prova não aconteceu. Finalmente, em Antuérpia-1920, a distância de 3000m seria oficializada. Mas ainda houve, depois disso, uma edição em que os atletas não correram 3000m. Foi nos Jogos de Los Angeles, em 1932, onde um erro de contagem de voltas da arbitragem fez com que os atletas tivessem que dar uma volta a mais na pista. Isso fez com que os atletas corressem na verdade 3400m com obstáculos(uma aferição feita posteriormente mostrou que a pista não tinha exatamente 400 metros, e chegaram à conclusão que aquela prova foi de 3460m com obstáculos). O mais intrigante foi que Jose McCluskey, dos EUA, terminou a prova em segundo lugar(atrás do finlandês Volmari Isso-Hollo), mas com a volta extra que acabaram dando foi ultrapassado pelo britânico Thomas Everson. McCluskey, contudo, aceitou de bom grado seu bronze e não oficializou uma reclamação junto à arbitragem(o que lembra um certo brasileiro, atacado por um maluco irlandês na maratona, que também resolveu honrar a medalha de bronze que conquistou). A prova ainda daria outros momentos inesquecíveis. Em 1952, nos Jogos de Helsinque, era inaugurada a disputa esportiva da Guerra Fria. A União Soviética estava à altura dos EUA, e até o seu esfacelamento, a URSS produziria emocionantes duelos com os americanos. O primeiro grande combate foi nos 3000m com obstáculos, nos Jogos de 1952. Os protagonistas eram Vladimir Kazantsev, da URSS, recordista mundial da prova na época, e Horace Ashenfelter, atleta americano que até ali não havia vencido nenhuma corrida internacional. Os Jornais se deliciaram com a informação de que, naqueles tempos de fermentação da Guerra Fria, Ashenfelter era um agente do FBI. Na pista, os dois tomaram a dianteira na metade da prova e partiram para uma emocionante contenda. Na última volta, o soviético Kazntsev resolveu arrancar, de acordo com a estratégia que havia traçado, mas Ashenfelter seguiu-o. Depois de passarem pelo fosso, o americano partiu em um emocionante sprint e não concedeu a menor chance de reação ao russo. Ouro para o americano, e um humorista diria:”foi a primeira vez que o agente do FBI gostou de ver um russo correndo atrás dele” . Ashenfelter declarou depois que não concordou com o alarde que o mundo fez para criar um clima de guerra na prova. Disse Ashenfelter:”...O pessoal fez um alarde que não era necessário. Eu era um competidor, ele era um competidor, só isso. Eu representava os EUA, ele representava seu país, só isso importa...”. Nas Olimpíadas de 1980, em Moscou, o polonês Bronislaw Malinobski derrotou o tanzaniano Flibert Bayi e levou o ouro. Foi simplesmente a última vitória de um não-queniano na prova. De lá para cá, o Quênia levou as seis medalhas de ouro em disputa, e nos últimos Jogos, em Atenas, fez pódio completo, com Ouro, Prata e Bronze. Um domínio amplo e de muito mérito, já que hoje em dia é muito difícil estabelecer um monopólio desse, uma vez que o esporte é praticado nos quatro cantos do mundo. Em contraste com a prova masculina, rica em histórias, a prova feminina fará sua estréia Olímpica em Pequim. Até os últimos jogos, as mulheres nunca haviam corrido com Obstáculos em uma Olimpíada.
Análise para Pequim- Nos jogos de Atenas, em 2004, os quenianos venceram com Ezekiel Kemboli, Brimim Kipruto e Paul Kipsiele Koech. O medalhista de ouro e o de prata estarão de volta para tentar o retorno ao pódio. Mudou apenas o terceiro homem, que agora é Richard Matelong, medalha de bronze no último mundial, em Osaka-2007. O curioso é que a melhor marca deste ano é de Paul Koech(8m00.57s), que ganhou o bronze no último mundial, na última Olimpíada, e não correrá desta vez. Foi desclassificado na concorridíssima seletiva do Quênia para a prova, na qual acabou em quarto lugar. Se fosse de qualquer outro país do mundo, Kipsiele Koech iria aos jogos. A maior ameaça à tríplice vitória dos quenianos vem de outro queniano. Ele é Saif Saaeed Shaheen. Queniano de nascimento, ele naturalizou-se pelo Qatar. Seu nome de nascimento é na realidade Stephen Cherono, mas em 2003 ele foi seduzido pelos petrodólares e trocou de país e nome. É o atual recordista mundial da prova, com desafiadores 7m53.63s. O feminino, que fará sua estréia em Olimpíadas, promete o duelo entre duas quenianas e duas russas: Ruth Bosibori e Eunice Jepkorir tentarão fazer valer a supremacia do Quênia também na prova feminina. Yekaterina Volkova e Tayana Petrova, atuais ouro e prata mundiais, são um pouco mais cotadas do que as quenianas, mas a briga deverá ser bonita de ver. O Brasil torcerá por Zenaide Vieira, Paulistana de 23 anos, cuja melhor marca é de 9m42.10s. Está distante do Recode Mundial da Russa Gulnara Galina, que é de 9m01.59s. Zenaide tem apenas 23 anos e o futuro pode reservar aindagrandes surpresas, mas ela tem chances de um bom desempenho em Pequim.
Final do Masculino- Segunda-feira(18/8), 10h10*
Final do Feminino- Domingo(17/8), 10h30*


20 km Marcha Atlética- A Marcha Atlética, introduzida nas Olimíadas nos Jogos de 1908, em Londres(não na distância atual), é uma prova que combina resistência com senso técnico apurado. Nas Olimpíadas, é disputada pelas ruas, mas com largada e chegada dentro do estádio. Há árbitos espalhados por todo o percuro que anotam as infrações do atleta. A infração é sinalizada com uma placa. Se a placa for amarela, significa advertência. A placa vermelha representa infração. Se o atleta recebe três infrações, de árbitros diferentes, é desclassificado da prova. Há dois tipos de infração: A flutuação e a flexão da perna. A flutuação consiste no ato de tirar os dois pés do chão ao memo tempo(na Marcha Atlética a regra determina que pelo menos um dos pés do atleta deve sempre estar em contato com o solo). A outra infração é a flexão da perna que está à frente. A regra diz que a perna que está atrás é que pode flexionar, a que entra na frente, na passada, deve entrar esticada. É uma prova complexa, que foi ganhando popularidade ao longo do século. Qundo entrou nos jogos, em 1908, as provas foram Marcha atlética 3.500m e 10 milhas(equivalentes a pouco mais de 16km) e foram ambas vencidas pelo britânico George Larner, primeiro grande especialista na prova. Quatro anos depois, em Estocolmo, foram disputados apenas os 10km Marcha. Em 1920, na Antuérpia, realizaram-se os 3km e 10km da Marcha, e o vencedor das duas foi o italiano Ugo Frigerio, mas seus tempos foram inferiores àqueles registrados pelos atletas de ponta antes da 1ª Guerra Mundial. Em Paris-1924 os 3km foram novamente abolidos, e disputou-se apenas os 10km, vencidos novamente pelo italiano Frigerio. Nos jogos de Amsterdã, em 1928, simplesmente não houve Marcha Atlética. A prova estava passando por uma grande revisão técnica, já que as regras não primavam muito pela uniformidade naqueles tempos. A Marcha passava por uma adaptação e não foi disputada. Em Los Angeles, 1932, voltou, e com a única prova de 50km, que nunca havia sido disputada antes. Ugo Frigerio, o veterano italiano de 31 anos, ainda competia, e ficou com a medalha de bronze. A Marcha 50km seguiria como única prova em Berlim-1936(onde o recorde mundial foi batido). Depis da Segunda Guerra, em 1948, a marcha 10km voltaria para acompanhar a de 50km. As mesmas provas foram disputadas em 1952, Helsinque, e tanto em 48 como em 52 o vencedor da marcha 10km foi John Mikaelsson. Finalmente, em Melbourne-56, foram instituídas as provas que existem ainda hoje: os 20km e os 50km. Na primeira década depois desta fixação, houve um domínio soviético na prova, mas a partir disso a distribuição de medalhas passou a ser bem variada. Até que, em Atlanta-1996, surgiriam dois nomes inigualáveis na marcha. O primeiro foi o equatoriano Jefferson Pérez, que venceu a prova de 20km, da qual até o último dia 8 de Junho detinha o recorde mundial. O outro foi o polonês Robert Korzenyowski, que venceu os 50km pela primeira vez em Atlanta. Nas duas Olimpíadas seguintes, Sydney-2000 e Atenas-2004, ele venceu novamente. Em Sydney-2000, inclusive, venceu também os 20km, totalizando 4 medalhas de Ouro. Ele aposentou-se após os jogos, e é considerado o maior marchador da hisória. Entra as mulheres, a prova da Marcha estreou em 1992, nos Jogos de Barcelona, mas ainda eram 10km, e teve como vencedora Yuelng Chen, da China, país que emergia naquele ano como potência Olímpica(terminou o quadro de medalhas em 4º lugar, com tendência de subir, mas herdou da Alemanha Oriental a incômoda suspeita de resultados obtidos por doping). Assim foi também em Atlanta, e apenas em Sydney a prova mudou para 20km Marcha, como é até hoje, e em Pequim terá sua terceira edição.
Análise para Pequim- A Marcha 20km não tem um bicampeão desde que o soviético Vladimir Golubnichiy venceu em Roma-1960 e Cidade do México-1968. O equatoriano Jefferson Pérez era um sério candidato a fazê-lo, pois ainda jovem(aos 22 anos) venceu em Atlanta e seguiu no auge da forma. Em Sydney 2000, contudo, o vencedor foi o Polonês Korzenyowski, cuja especialidade, na verdade, eram os 50km. Quatro anos depois, em Atenas, Pérez terminou em quarto lugar, atrás do italiano Ivano Brugnetti, do espanhol Fransisco Fernández e do australiano Nathan Deakes. Pérez, entretanto, voltou ao hall dos favoritos em grande forma ao vencer a prova ano passado, em Osaka, no mundial de atletismo. O medalha de prata em Atenas, Paquillo Fernández, foi prata novamente, e agora quer o ouro. Ele bateu recentemente o Recorde Mundial dos 10km Marcha, que não está inclusa no programa Olímpico, com 37m53.09s, e parece estar na ponta dos cascos para Pequim. O atual campeão Olímpico, Ivano Brugnetti, não completou a prova no mundial, mas estará em Pequim para tentar defender seu título. Era dele o recorde mundial dos 10km que agora pertence a Paquillo Fernández. Outro marchador em destaque é o russo Sergey Morozov, que quebrou em 8/6/2008 o recorde mundial de Pérez. A nova marca é de 1h16m43s e ainda espera ratificação da IAAF(Federação que dirige o atletismo mundial). O Brasil terá na prova José Bagio, um catarinense de vinte e sete anos que já participou da prova em Atenas-2004. Quatro anos mais experiente, pode surpreender. Obteve sua classificação com a marca de 1h22m56s, que lhe daria a medalha de Ouro em qualquer Olimpíada até1984. Na prova feminina, o favoritismo está sobre o ombro das atletas russas. Elas estão à sombra de Olimpiada Ivanova, e perseguirão o Ouro que lhe escapou há quatro anos, quando foi derrotada pela anfitriã Anathasia Tsoumeleka. Ivanova é a atual recordista mundial, com a marca de 1h25m41s, mas não estará em Pequim. A favorita da vez é Olga Kaniskina, de 23 anos, atual campeã mundial e dona da melhor marca de 2008. Sua principal oponente é outra russa, Tatyana Shemyakina, prata no mundial. María Vasco, da Espanha, foi bronze na mesma prova, e bronze nas Olimpíadas de Sydney 2000. Veterana, aos 33 anos, estará na China para tentar uma medalha ainda melhor que a de 8 anos atrás. Outra atleta veterana que ainda estará em Pequim em busca do ouro é a Australiana Jane Saville. Nos Jogos de Sydney-2000, ela era a favorita ao Ouro e competia em casa. Liderou a prova durante boa parte, mas acabou desclassificada por flutuar. A Marcha Atlética é uma prova que pode ter favoritos, mas muita vezes é imprevisível. É comum que um atleta desconhecido assuma a liderança e acabe por derrotar os mais cotados, tanto no masculino, quanto no feminino.
Final do Masculino- Sexta-feira(15/8), 22h*
Final do Feminino- Quarta-feira(20/8), 22h*


50km Marcha Atlética- Existe uma pegadinha já meio velha sobre o atletismo. A pergunta é “qual é a prova mais longa do atletismo nas Olimpíadas?”. A pessoa imediatamente pensa no encerramento dos Jogos, nos heróis famosos que entraram para a história, e responde :“A Maratona!”. Errado. A Maratona tem 42,195km, e é a segunda mais longa. A primeira posição pertence aos intermináveis 50km da Marcha Atlética, disputada apenas por homens. Os melhores atletas do mundo atual cobrem a distância em menos de 3 horas e cinquenta minutos. Quando a prova entrou no programa Olímpico pela primeira vez nos Jogos de Los Angeles em 1932, o vencedor, Thomas Green da Grã-Bretanha, gastou uma hora a mais: completou o percurso em 4h50m10s. De lá para cá, foram feitas algumas reformulações nas regras e o tempo melhorou drasticamente ao longo de mais de 70 anos. É extremamente extenuante, e só atletas com muito preparo estão aptos para o desafio. O maior nome dos 50km é sem dúvida Robert Korzenyowsi, tricampeão mundial e Olímpico. O curioso é que até 2003 o Polonês nunca havia sido o detentor do recorde mundial. Suas marcas nas vitórias de Atlanta-1996 e Sydney-2000 foram inferiores aos 3h37m41s que o Soviético Andrei Perlov obteve em 1989. Em 2003, contudo, assumiu a melhor marca com 3h36m03s, mas seria superado em 2005 pelo Australiano Nathan Deakes(3h35m47s). Mas agora não é mais Nathan Deakes o dono do recorde, e sim Denis Nizeghorodov, da Rússia, com 3h34m14s, marca que ainda aguarda ratificação da IAAF.
Análise para Pequim- Com Korzenyowski aposentado, abre-se um novo horizonte para os outros atletas. O último campeão não-korzenyowski da prova foi o russo Andrey Perlov(na época detentor do recorde mundial), em Barcelona-1992, sob a bandeira da CEI(Comunidade dos Estados Independentes), que era uma União improvisada do recente esfacelamento das 16 repúblicas que compunham a União Soviética. Agora, os principais herdeiros dos soviéticos, os russos, têm grande esperança de repetir o feito de Perlov de 16 anos atrás. Tendo batido o recorde Mundial em maio deste ano, o russo Denis Nizhegorodov tenta melhorar a prata que ganhou na última Olimpíada e o quarto lugar do último mundial de atletismo. Outro russo, Sergey Kirdyapkin, venceu o mundial de Helsinque em 2005 e está em grande forma. Sentida foi a ausência de Vladimir Kanaykin, que acabou eliminado na concorridíssima seletiva russa para a prova. Mas de outros países também há postulantes ao título. O Australiano Nathan Deakes, bronze nos 20km em Atenas-2004, trocou a prova pelos 50km e venceu o último mundial, em 2007. O medalha de prata nessa prova, o francês Yohan Diniz, e o de bronze, o italiano Alex Schwarzer, são outros com boas chances de levar. O Brasil não ficará de fora da festa. Veterano de uma Olimpíada, Mário José dos Santos Jr. Estará em Pequim defendendo o Brasil e buscando apagar a imagem deixada há quatro anos, quando ficou a mais de 20 minutos de sua melhor marca. Mas é difícil fazer boas previsões. Se a marcha de 20km já é imprevisível, a de 50km representa 30km a mais para um líder ter uma lesão, abandonar por cansaço ou ser desclassificado, afundando com seu favoritismo.
Final-Quinta-feira(21/8), 21h30*

Revezamento 4 x 100m- Revezamentos sempre chamaram muito a atenção em competições. Trata-se de um corrida por equipes, nas quais quatro corredores levam, cada um por sua vez, um bastão, e passam ao companheiro. No caso do revezamento 4 x 100m, a equipe percorre no total uma volta na pista(400m) com cada atleta correndo 100m. A Corrida é toda feita nas raias de 1 a 8, e cada equipe ocupa uma raia. Em cada equipe, o atleta designado para a largada corre 100m, entra na chamada zona de passagem do bastão, na pista, e passa o bastão ao segundo homem, que corre mais 100m, e assim por diante, até que o quarto homem recebe o bastão das mãos do terceiro e cruza a linha de chegada. A prova está no programa Olímpico desde 1912, nos Jogos de Estocolmo, ocasião em que a Grã-Brteanha sagrou-se campeã. Passada a Primeira Guerra Mundial, os velocistas Norte-Americanos entraram em ação. Nos Jogos de 1920, na Antuérpia, grandes velocistas dos anos 20, como Charles Paddock, Jackson Scholz, Lorren Murchison e Morris Kirksey, uniram-se e deram o primeiro título da prova aos EUA. Nas próximas sete Olimpíadas, os Norte-Americanos venceram todos os ouros em disputa. Nesse intervalo, baixaram o recorde mundial de 42s2(obtido em Antuérpia-1920) para 39s5, tempo dos EUA nos Jogos de Melbourne-1956. Em Roma-1960, foram desclassificados por queimar a passgem do bastão(passar fora da zona) e interromperam a série de vitórias, mas até hoje têm um retrospecto inigualável. Nos Jogos de Barcelona, em 1992, a equipe composta por Michael Marsh, Leroy Burrell, Dennis Mitchell e o lendário Carl Lewis venceu com a marca de 37.40s, marca que perdura como recorde mundial até hoje. O Brasil vem destacando-se notavelmente na prova nos últimos tempos. Em Atlanta-1996, o Brasil amealhou a medalha de bronze, com a equipe formada pelo veterano Robson Caetano, André Domingos, Édson Ribeiro e Arnaldo Silva. Quatro anos depois em Sydney, André Domingos e Édson Ribeiro estariam de volta, para conquistar dessa vez uma prata, com Vicente Lenílson e Claudinei Quirino. O revezamento feminino 4x100m estreou logo na primeira vez em que houve atletismo para mulheres, nos Jogos de Amsterdã, em 1928. Na ocasião, as três primeiras equipes bateram o recorde mundial, e as canadenses superaram as americanas por 4 centésimos de segundo e levaram o ouro. Embora tenham vencido a maioria das vezes, as Americanas não estabeleceram na prova uma fonte de medalhas como no masculino. Países como Austrália, Holanda, Polônia e Alemanha já venceram a prova. A partir dos anos 70, Soviéticas e Alemãs Orientais passaram a sobrepujar as Americanas. Quando caiu o comunismo no Leste Europeu, as Americanas voltaram ao primeiro posto, mas a vitória de Sydney 2000 está nos tribunais porque Marion Jones correu dopada. Ela já foi despojada de todas as suas medalhas individuais, mas as do revezamento pertencem também a outras atletas, e o caso torna-se mais intrincado.
Análise para Pequim- Os EUA querem ir à forra com os britânicos por conta dos Jogos de Atenas-2004, quando a equipe do Reino Unido superou a Americana por um mísero centésimo de segundo. Os britânicos defenderão seu título com uma equipe totalmente diferente daquela que levou o ouro em Atenas. Os Estados Unidos Idem. Não participará em 2008 nenhum medalha de Atenas. A medalha de bronze naquela prova havia ficado com a Nigéria, país africano com maior tradição em provas de velocidade, mas que não está tão forte dessa vez. Quem desponta como fortíssimos candidatos à vitória são os Jamaicanos, que irão a Pequim com Usain Bolt(recordista mundial atual), Asafa Powell(recordista mundial anterior), Michael Frater, Dwight Thomas, Julien Dunkley, Andre Wellington e Nesta Carter(cada equipe escala dois reservas para o caso de contusão, ou problema semelhante). O Brasil tentará voltar ao pódio com a equipe que venceu, brilhantemente, o Pan2007 e quarto lugar no mundial de Atletismo. Bruno Tenório, José Carlos Moreira, Sandro Viana, Rafael Ribeiro, Nilson de Oliveira e Vicente Lenílson tentarão dar novamente o gostinho de medalha aos velocistas brasileiros. Se todos correrem bem e as passagem encaixarem, é bem capaz que isso aconteça. Quanto ao revezamento feminino, as americanas parecem prontas para superar a decepção de Atenas-2004, quando não ganharam sequer o bronze. A equipe composta por Lauryn Willians, Alysson Felix, Torri Edwards e Mikele Barber venceu o mundial no ano passado e está uma cabeça acima das concorrentes. A que parece mais ameaçadora é a Jamaica. As brasileiras chamadas para o revezamento são Ana Cláudia Lemos, Lucimar de Moura, Rosângela Santos, Rosemar Neto e Thaíssa Barbosa. Na teoria, não chegarão ao pódio, mas felizmente(ou não, dependendo do ponto de vista) nem sempre a teoria se confirma.
Final do Masculino- Sexta-feira(22/8), 11h10*
Final do feminino- Sexta-feira(22/8), 10h15*

Revezamento 4x400m- Talvez este revezamento tenha ainda mais ares de heroísmo, espírito de cooperação e equipe do que o 4x100m. Cada atleta dá uma volta na pista, numa corrida em que qualquer um, velocista ou fundista, chega muito desgastado ao final. Em Olimpíadas, a prova é ainda mais tradicional do que o 4 x 100m: estreou uma edição antes, em Londres-1908. Na prova, a vitória foi para os EUA com a marca de 3m29.4s, o que resulta em uma média de 52.4s por 400m de cada corredor. Cem anos depois, o país dominante não mudou. O recorde mundial pertence aos EUA, data de 1998 e é de 2m54.20s(o que resulta em uma média de 43.55s para cada corredor). Os EUA não perdem a prova desde Munique-1972, quando os corredores quenianos arrebataram o ouro(em 1980-Moscou a delegação dos EUA boicotou os jogos). O domínio Americano na prova não é de se estranhar, já que a grande maioria das vezes eles colocam mais de um atleta no pódio dos 400m individuais: eles têm de fato a maioria dos grandes corredores da prova. As mulheres estrearam no 4 x 400m justamente na última vez em que os EUA perderam no masculino: Munique-1972. Mas no feminino quem deu as cartas foi a Alemanha Oriental, que contava com um exército de fortes atletas. Até os Jogos de 1984, que os comunistas boicotaram, Alemãs orientais e soviéticas dominavam a prova. Depois, a coroa passou também aos EUA, que venceram seis das sete últimas edições da prova em jogos.
Análise para Pequim- Se no masculino apostar nos EUA é uma das maiores garantias da Olimpíada, a briga pelas medalhas de prata e bronze promete. Nos Jogos de Atenas-2004, a diferença entre a segunda colocada, a Austrália(3m00.60s) e a sexta, as Bahamas(3m01.88s) foi de pouco mais de um segundo. Os Nigerianos levaram o bronze terminando míseros 9 centésimos à frente dos Japoneses. Todo esse pessoal estará de volta para brigar, e há mais gente boa ainda. Há Polônia, Jamaica e Rússia(3º, 4º e 5º no último mundial, respectivamente), Bahamas deu um salto de qualidade e também está forte. Mesmo assim, é difícil não imaginar o hino americano sendo tocado na cerimônia de medalhas da prova. A equipe tem Jeremy Wariner e LaShawn Merrit, grandes candidatos à dobradinha no individual, e mais David Neville e Reggie Whiterspoon, com tempos melhores que a maioria dos corredores das outras nações. O Brasil, que em outras edições já passou perto da medalha(como o 4º lugar em Barcelona-1992), não irá correr dessa vez. O feminino, sim.A equipe composta por Emmily Pinheiro, Jailma Sales de Lima, Josiane Tito, Lucimar Teodoro e Maria Almirão, não é cotada para medalha, correrá na condição de “pode surpreender”. As americanas, cuja última derrota foi em Barcelona-1992, entram novamente como favoritas, e a vitória no mundial de atletismo, embora apertada(a Jamaica ficou com a prata e é a maior ameaça), atesta essa posição.
Final do Masculino- Sábado(23/8), 10h05*
Final do Feminino- Sábado(23/8), 09h45*

Maratona- A Maratona. É a prova mais mitológica, não apenas do atletismo, mas de todos os esportes. É a musa inspiradora dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Quando fermentava em sua cabeça a idéia de recriar os Jogos Olímpicos, o Barão de Coubertin ouviu falar sobre a lenda do soldado Feidípedes nas Guerras entre Gregos e Persas Chamada de Guerras Médicas. Essa Guerra teve duas “edições”: a que data de 490 a.C, comandada pelo Persa Dario, e a segunda, dez anos depois, movida pelo filho de Dario, Xerxes. A segunda marcaria a definitiva queda Persa com a derrota de Xerxes para os atenienses. Mas a história inspiradora de Feidípedes se passa na primeira. Diz a lenda que Feidípedes era um destacado soldado que participou da batalha final em que, na planície grega de Maratona, o exército ateniense surpreendeu os Persas, que foram derrotados apesar da superioridade numérica. Feidípedes, o leal soldado, foi encarregado de levar a grande notícia da vitória até a cidade de Atenas, que ficava a 40km dali. Feidípedes correu sem descanso, chegou ao templo de Zeus, onde encontravam-se os sacerdotes, e anunciou:”Vencemos!”. Após isso, faleceu ali mesmo, caindo fulminado no chão. Embora não haja dúvidas quanto à veracidade das Guerras Médicas e da batalha de Maratona, não se tem nenhum registro concreto que comprove a existência de Feidípedes e sua heróica jornada. Mas a história era bonita e de grande teor simbólico, e o Barão aproveitou-a, para, em 1896, recriar os Jogos(a primeira edição foi em Atenas, a despeito da preferência do Barão, que era Paris). Naqueles tempos, não havia ninguém treinando para correr 40km, aliás, havia pouquíssimos atletas regulares no final do século XIX. Muitas vezes as provas de corrida de resistência eram vencidas por pessoas que, em seu trabalho diário, eram obrigadas a percorrer longas distâncias, como carteiros, jornaleiros, entregadores de qualquer coisa, vendedores ambulantes, entre outros. Mas logo na primeira Olimpíada o interesse pela prova foi grande. Marcada para o último dia das Olimpíadas, como é até hoje(embora em alguns jogos não o tenha sido), a primeira Maratona Olímpica aconteceu no dia 10 de Abril. Na época, correr a distância era visto por muitos como algo sobre-humano, tarefa para semi-deuses. Mas havia na largada 17 corredores(dos quais 13 eram gregos), pessoas aparentemente comuns. Ninguém se conhecia, não se podia fazer prognóstico algum. Na largada, os quatro estrangeiros(que haviam obtido vitórias nas provas de pista dias antes, como o Australiano Edwin Flack, vencedor dos 800m e dos 1500m) tomaram a ponta. No quilômetro 20, Flack corria atrás do francês Albin Lermusiaux, que desistiu. Flack vencia até a marca de 38 quilômetros, mas estava exausto e acabou abandonando. A informação foi muito bem recebida pela torcida grega, que desejava ver um filho da terra ser campeão da prova. E foi. O pastor Spiridon Louis, que, além da seletiva do mês anterior, nunca participara de uma corrida oficial antes(nem depois). Entrou pelo estádio e venceu. Tornou-se o primeiro herói da história Olímpica. Sua vitória rendeu-lhe presentes e privilégios que lhe sustentaram pelo resto da vida. E ele nem era atleta. Seu trabalho de percorrer longas distâncias carregando água de sua cidade até Atenas para vender, foi a atividade física que lhe preparou para o desfio. Mas era um herói. E a Maratona continuou fabricando momentos inesquecíveis. Nos Jogos de Saint Louis, em 1904, aconteceu a Maratona mais rústica da história dos Jogos. O tempo do vencedor, o Americano Thomas Hicks(3h28m53s) é o pior já registrado para um vencedor da prova. Na verdade, o primeiro a entrar no estádio foi o seu compatriota Fred Lorz. Ele abandonou a corrida nos 15km por causa de cãibras. Precisava voltar ao estádio para pegar suas coisas, por isso, pediu carona de um caminhão que ia para o centro da cidad. Quando se aproximou do estádio, desceu e entrou trotando. Achava que a prova já tinha acabado, mas quando percebeu a ovação do público, viu que ninguém havia chegado ainda, e deixou-se inebriar pelo sabor da vitória. Estava recebendo os cumprimentos das autoridades quando Thomas Hicks chegou ao final. Ao cruzr a linha, desmascarou Fred Lorz, que, envergonhado, admitiu a fraude. Seria banido para sempre do esporte, mas conseguiu convencer os árbitros de que não agira de má fé, assim pôde continuar correndo(venceria em 1905 a Maratona de Boston). Hicks também cometeu uma fraude, mas que na época não era proibida: o doping. Num tempo em que a ciência ainda estava descobrindo as propriedades estimulandes desta ou daquela substância, não havia nem poderia haver controle algum sobre doping. Muito mais crime que o doping era o profissionalismo, combatido com toda a força naquela época. Ninguém sabia o que era doping. A poucos quilômetros da chegada, Hicks estava exausto, e seu treinador deu-lhe uma injeção de estricnina. Hicks venceu. Mas havia outros corredores que ficariam ilustres, como o cubano Felix Carbajal, que chegou para a largada com roupas de carteiro, sua profissão, e dois africanos que estavam em Saint Louis no estande de apresentação da Guerra dos Bôeres. O nome dos africanos eram Lentauw e Yamasani, e eles foram atacados por um cachorro no meio da prova. Eram tempos de experiências novas e desconhecimento por parte de muitos. A Maratona Olímpica já registrou uma morte. Foi nos Jogos de 1912, em Estocolmo, e a vítima foi o Português Fransisco Lázaro. A Maratona foi disputada sob um calor fortíssimo, que em nada lembrava a Suécia. Fransisco Lázaro não tomou nenhuma precaução contra o calor, e quando faltavam menos de dez quilômetros, sofreu um colapso cardíaco e tombou na rua. No dia seguinte, morreu em um hospital de Estocolmo. A morte abriu os olhos do mundo para o atletismo mundial, que passou a levar a maratona mais a sério. Outro momento marcante foi nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, quando Sohn-Kee-chung, da Coréia do Sul, venceu a prova, mas teve de utilizar as cores do Japão, ver subir a bandeira japonesa e ouvir o hino japonês, o país que dominava a Coréia no momento. Ele certamente preferiria não representar o Japão. Na Maratona de Londres-1948, o medalha de bronze, Etienne Gailly, da Bélgica, entrou cambaleando na pista, onde entrou ainda em primeiro, mas foi ultrapassado pelo britânico Tom Richards e pelo argentino Delfo Cabrera, que venceu a prova. Em 1960-Roma e 1964-Tóquio, o primeiro bicampeonato: Abebe Bikila, da Etiópia. Na primeira edição, em Roma, ele era um total desconhecido e venceu correndo descalço. Na segunda, em Tóquio, era um ícone do esporte mundial, e venceu usando tênis. O próximo Bicampeão foi Waldemar Cierpinski, da Alemanha Oriental, que venceu em Montral-76 e Moscou-80. Em Atlanta-96, o sul-africano Josia Thuguwane conquistou a primeira vitória do atletismo sul-africano depois do fim do Apartheid. E em Atenas-2004, a maratona mais marcante para nós, brasileiros até hoje: Vanderlei Cordeiro de Lima, de 35 anos, liderava a prova até os 36km, quando foi atacado pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan. Seguiu na prova foi ultrapassado pelo italiano Stefano Baldini e pelo Americano Membraton Kelflezighi, e acabou com a medalha de bronze. Rendeu também para Vanderlei a medalha Pierre de Coubertin, que valoriza o verdadeiro espírito Olímpico. As mulheres estrearam na prova nos Jogos de Los Angeles, em 1984. A primeira vencedora foi a heroína Joan Benoit, que se submeteu a uma atroscopia quarenta dias antes dos jogos e mesmo assim venceu com folga. Nesta prova a portuguesa Rosa Mota, que levaria o ouro quatro anos mais tarde, em Seul, ficou com o bronze. Na 37ª posição, chegou a suíça Gabrielle Andersen-Schleiss. Gabrielle era uma instrutora de esqui que passava as férias na Califórnia. Corredora de razoável talento, foi à prova como a única representante de seu país. Entrou no estádio cambaleando e tropeçando, com o racicínio prejudicado, mas terminou a prova. Cruzou a linha de chegada e desabou. Foi atendida, e minutos depois estava comentando na TV seu momento de fama. Aquele sacrifício chegou sem recriminação, mas também sem glória, já que em 1984, o atletismo não era mais a atividade inocente e aventureira que era no início do século.
Análise para Pequim- É impossível fazer prognósticos para uma Maratona. Quase nunca o nome do vencedor já era dado como certo antes da corrida. Os donos dos melhores tempos não podem ser considerados favoritos, pois cada Maratona é uma Maratona, e depende de muitos fatores, como clima, estado do atleta no dia, se é a única prova sua ou se já fez outra antes(muitos correm o 5000m, ou os 10000m, ou as duas. Emil Zatopék, em Helsinque-52 é até hoje o único homem que venceu as três provas). Resta torcer por nossos atletas: Marilson dos Santos, dono do melhor tempo entre os três brasileiros(2h09m58s), participará também dos 10000m, onde suas chances são menores. Franck Caldeira, vencedor do Pan Rio 2007, já mostrou que tem capacidade para chegar longe e não será uma Zebra muito grande se ele se superar e beliscar uma medalhinha. O terceiro brasileiro, José Telles da Conceição, tem um tempo que lhe daria o Ouro no Pan(2h12m24s) . Campeão da Maratona de São Paulo em 2005, o piauiense de 37 anos também vêm obtendo boas posições em Maratonas internacionais e pode chegar. Vale a torcida. No feminino, a brasileira que, entre outras, irá desafiar japonesas e africanas(que têm um ligeiro favoritismo) é Marily dos Santos, alagoana de 30 anos de idade.
Final do Masculino-Sábado(23/8), 20h30*
Final do Feminino- Sábado(16/8), 20h30*

Saltos

Salto em distância-Mais conhecida entra as provas de salto, consiste no atleta tomar impulsão, saltar de uma marca no setor(chamada de tábua), e cair o mais longe possível em uma caixa de areia. É mais uma prova com forte predomínio Norte-Americano de vitórias. A explicação nesse caso talvez seja a experiência. Antes da primeira Olimpíada, em Atenas-1896, os Americanos já praticavam a prova há algum tempo. Na primeira edição dos jogos, o pódio foi todo dos EUA. Com a medalha de bronze, ficou o campeão do Salto Triplo, James Connoly. Com a de prata, Robert Garett, campeão do peso e do disco. E com o Ouro, Ellery Clark, que venceu também o Salto em Altura. Sua marca no salto em distância, 6,35m, não lhe faria nem chegar perto de uma medalha sequer no feminino em qualquer campeonato nacional atualmente. Na época, o recorde mundial já era de 7,21m, de J.J Mooney, outro ianque, que não foi aos jogos. A prova logo daria um grande salto de qualidade. Logo em 1901, Peter O´Connor saltou 7,61m. Em Jogos Olímpicos, a grande revolução viria com Jesse Owens, nos Jogos de Berlim em 1936. Tendo, no ano anterior, estabelecido o recorde mundial com 8,13m, saltou 8,06m e levou o ouro, em um embate emocionante com seu amigo Luz Long, ariano e queridinho da torcida. O próximo momento marcante da prova viria a ser um dos mais marcantes da história das Olimpíadas. Nos Jogos de 1968, na Cidade do México, todos achavam que o recorde mundial até ali(8,35m, alcançado por dois atletas, Ralph Boston, dos EUA e Igor Ter-Ovanesyan, da URSS, ambos ainda competindo no México) seria quebrado, pois a altitude diminuía a resistência do ar e possibilitava maior velocidade. As apostas eram que algum atleta saltaria cerca de 8,50m. Logo em sua primeira tentativa, o relativamente desconhecido Bob Beamon, dos EUA. Superou as expectativas:8,90m. Foi uma façanha com cara de sobre-humana. Quando se deu conta de seu feito, Bob Beamon, não conseguiu mais saltar. Fez mais uma tentativa, com uma marca mediana, e sentou-se para esperar a entrega de medalhas. O recorde duraria 23 anos até ser quebrado por Mike Powell, em 1991, com 8,95m. Mas Mike Powell jamais seria campeão Olímpico. Teve que se contentar com duas medalhas de prata, em Seul-88 e Barcelona-92, porque foi contemporâneo do maior nome da história do Salto em distância Olímpico: Carl Lewis. Ele venceu com facilidade em Los Angeles-84, quando sua vitória na prova era considerada a mais garantida dos jogos. Em Seul-1988 superou um estreante Mike Powell e o veterano Larry Myricks e chegou ao bi. Em Barcelona-1992, travou uma sensacional disputa com o já novo recordista mundial Mike Powell, e venceu por três centímetros de diferença. Em Atlanta-1996, na sua despedida, dedicou-se exclusimvamente ao Salto em Distância. E venceu pela quarta vez. Quatro ouros na prova. Ninguém fez isso antes dele, nem depois. Com a sua ausência, os novos campeões Olímpicos emergem em uma grande geração. O Salto em distância feminino nas Olimpíadas não é tão tradicional quanto o masculino. Estreou somente após a segunda Guerra Mundial, em 1948, nos Jogos de Londres. A recordista mundial era, com 6,25m, a Holandesa Fanny Blankers-Koen. Mas como o regulamento restringia a participação de cada atleta a apenas três provas individuais, ela optou pelos 100m, 200m e 80m com barreiras. Abriu mão do salto em distância e do salto em altura, do qual também era a recordista mundial. Assim, abriu espaço para a vitória da Olga Gyarmati, da Hungria, que saltou 55cm a menos que o recorde de Fanny. Até os anos 70, a prova esteve sob domínio das atletas do Leste europeu(com a notável exceção de Mary Bignal, em Tóquio-1964, que venceu com um novo recorde mundial de 6,76m). Depois disso, as Americanas entraram na briga. Em Seul, Jackie Joyner Kersee venceu não apenas o salto em distância, como o heptatlo. Na última Olimpíada, em Atenas, as Russas operaram um arrastão e levaram Ouro, Prata e Bronze.
Análise para Pequim- O maior nome da atualidade no masculino não é dos EUA, que tradicionalmente dominaram a prova, e sim do Panamá. Irving Saladino, panamenho de 25 anos, fez no mundial do ano passado a mesma marca(8,57m) com a qual Dwight Phillips, dos EUA, venceu as Olimpíadas de Atenas. Mas Saladino estabeleceu a melhor marca de 2008 até o momento, 8,73m, que lhe daria o ouro em qualquer edição da Olimpíada exceto na de 1968, a do vôo de Bob Beamon. O Americano Dwight Phillips, e o vice, John Moffit, não competirão em Pequim. Os Americanos na prova são Trevell Quinley, Miguel Pate e Brian Johnson, e não são favoritos à medalha. Não há ninguém no mundo saltando como Saladino, e a briga parece que será mais pela prata e o bronze. O italiano Andrew Home, prata no mundial, é outro que assusta. Há dois atletas da Arábia Saudita que podem beliscar medalhas. Al-Sabee e Al-Kuwalidi vêm constantemente passando dos 8m, mas é inegável que o Salto em distância esteja passando por uma baixa de resultados. O Brasileiro na prova é Mauro Vinícius da Silva, que saltou 8,06m esse ano. Se se superar, pode chegar à final e, quem sabe, conquistar um medalhinha. As Russas, que nos últimos jogos levaram três medalhas de ouro, estarã de volta com a campeã, Tatyana Lebedeva, e a medalhista de bronze, Tatyana Kotova, que teve a melhor marca de 2007. Elas repetiram essas mesmas posiões no mundial de atletismo 2007, mas a medalhista de prata, Lyudmilla Kolchanova, foi substituída por Oksana Udmurtova. Kolchanova, junto com a portuguesa Naide Gomes, têm a melhor marca do ano(7.04m). Esta é uma das provas em que o Brasil tem boas chance de medalha. Se repetir sua melhor marca, que é o recorde Sul-Americano(7,26m), Maureen Maggi têm excelentes possibilidades de beliscar uma medalha, talvez de ouro. Sua melhor marca esse ano é de 6,87m. A outra brasileira na prova, Keila Costa, terá que se superar ainda mais. A pernambucana, que já participou dos jogos de Atenas, obteve 6,65m esse ano. Mas vale realmente a torcida brasileira nessa prova.
Final do Masculino- Segunda-feira(18/8), 09h10*
Final do Feminino- Sexta-feira(22/8), 08h20*


Salto em Altura- Esta é uma prova demorada, mas muito divertida para quem gosta de assistir. O Atleta deve tomar impulsão em um setor, e cair em um colchão passando por cima de um sarrafo, na horizontal, elevado a determinada altura. O objetivo é passar pelo sarrafo sem derrubá-lo(se encostar mas não derrubar o salto é válido). Na competição, há uma altura mínima que cada atleta escolhe para saltar e vai subindo até onde conseguir(em competições de alto nível há um mínimo exigido para se participar). Se falhar três vezes na mesma altura, está eliminado. Até 1968, não era um colchão, e sim uma caixa de areia comum onde o atleta caía após o salto. A prova passou, nesse mesmo ano por uma verdadeira revolução em sua técnica. Até essa data, o atleta tomava impulsão e lançava-se de frente para o sarrafo, jogando uma das pernas para a cima. Passava essa perna e “rolava” de bruços sobre o sarrafo. Essa técnica era chamada de “Rolo ventral”. Até que, nos Jogos de 1968, na Cidade do México, um competidor Americano apareceu com uma técnica completamente nova. Ele tomava impulsão e Lançava-se de costas por cima do sarrafo. Passa primeiro a cabeça, depois as costas e por último as pernas, e de costas caía no colchão. Seu nome era Richard Fosbury, e com essa técnica inovadora ele venceu seu maior adversário, Caruthers, e levou o ouro. Hoje, a esmagadora maioria dos saltadores aderiu ao seu estilo. Embora não tenha sido ele o inventor(aprendeu a técnica no lugar onde treinava, mas foi quem ousou adotá-la), a técnica recebeu o nome de “Fosbury Flop”, em sua homenagem. O homem saltou acima de 2m em Jogos Olímpicos pela primeira vez em 1936, com o Americano Cornelius Johnson(2,03m), cuja vitória fez com que Hitler, vendo afundar sua teoria da superioridade ariana, saísse irritado do estádio sem cumprimentá-lo. O recorde mundial na época de Dick Fosbury era de 2,28m, e seu dono era o soviético Valery Brumel, adepto da técnica tradicional do rolo ventral. Hoje, o dono do recorde mundial é o Cubano Javier Sotomayor, que já está aposentado. Ele obteve a fantástica marca de 2,45m há 15 anos, e desde então ninguém mais igualou seu salto. O atual campeão Olímpico, o sueco Stephan Holm, venceu a prova com a marca de 2,36m. Entre as mulheres, o Salto em Altura é a mais tradicional prova de salto, tendo estreado logo na primeira vez em que elas tiveram atletismo, em Amsterdã-1928. Na ocasião, a canadense Ethel Catherwood venceu a prova saltando 1,59m. Logo nas Olimpíadas seguintes, essa marca seria ampliada em 8cm, quando duas Americanas, Jean Shiley e a notável Babe Didriksen(vencedora de 2 ouros além da prata no salto em altura) atingiram a marca de 1,67m. Depois da Guerra, o recorde mundial passou para Fanny Blankers Koen(1,71m) durante um tempo, até que surgiu a romena Iolanda Balas. Ela venceu os Jogos de Roma-1960 com a marca de 1,85m, 14cm a mais que a segunda colocada, a polonesa Jaroslawa Josiaskowa. Ela repetiria o título em Tóquio, saltando 1,90m. Seu recorde só seria quebrado em 1972 pela alemã ocidental Ulrike Meyfarth, que aos 16 anos venceu as Olimpíadas de Munique saltando 1,92m. Ela não participou dos Jogos de Montreal-76 nem os de Moscou-80, e voltou, aos 28 anos, para ganhar mais um ouro em Los Angeles-1984, saltando 2,02m, 2cm a mais que a campeã Olímpica em exercício, a italiana Sara Simeoni. Em 1987 a búlgara Stefka Kostadinova estabeleceu o recode mundial que dura até hoje:2,09m. Ela ficou com a prata em Seul, saltando 2,01m, e só viria a ser campeã Olímpica aos 31 anos, em Atlanta, saltando 2,05m. Hoje, Kostadinova é presidente do Comitê Olímpico da Bulgária.
Análise para Pequim- Entre os homens, a competição será uma grande incógnita, há vários nomes que podem chegar. O atual campeão mundial é Donald Thomas, das Bahamas, que venceu a prova com 2,35m, o mesmo obtido pelo medalhista de bronze Kyriakos Ioannou, do Chipre, e pelo que ganhou a prata, Yaroslav Rybakov, da Rússia. Outro russo, Andrey Silnov, tem a melhor marca do ano(2,38m), que poderia lhe dar uma medalha nos Jogos, mas ele não irá a Pequim, por ter ficado em quarto na seletiva russa para a prova. Os companheiros de Rybakov na prova serão o veterano Vyacheslav Voronin, que já saltou 2,40m, e Andrey Tereshin, cuja melhor marca é 2,36m. O atual campeão Olímpico é o sueco Stephan Holm, que não obteve medalha no último mundial, mas estará em Pequim em condições de defender seu título. Jaroslav Baba, medalha de prata em Atenas-2004, e seu conterrâneo Tomas Janku defenderão a República Tcheca, e também podem levar. O Brasil vai atacar de Jessé Farias de Lima, pernambucano de 27 anos que já participou da Olimpíada de Atenas. Sua melhor marca é 2,30m, e ele terá que se superar se quiser buscar uma medalha.
Se no masculino há vários nomes que podem vencer, no feminino há uma das favoritas mais destacadas do atletismo esse ano. Blanka Vlasic, da Croácia, está indo para sua terceira Olimpíada, mas nas duas primeiras ela foi coadjuvante. Desta vez, entra com uma aura de favoritismo intimidatória. Ela venceu o mundial ano passado, com 2,05m, tem a melhor marca do ano(2,06m), obtida em duas ocasiões, venceu esse ano o mundial indoor em Valencia, na Espanha, e até agora venceu todas as etapas da Golden League(a Golden League é uma competição feita em seis etapas ao longo do ano. Se o mesmo atleta vencer sua prova nas seis etapas, ganha 1 milhão de dólares. Já foram realizadas quatro das seis etapas deste ano). Não há muitos nomes que, em condições normais, são capazes de derrotá-la. Não haverá nenhuma brasileira para tentar fazê-lo.
Final do Masculino- Terça-feira(19/8), 08h10*
Final do Feminino- Sábado(23/8), 08h10*

Salto com vara-Uma das mais curiosas e técnicas provas de Atletismo, o salto com vara é também muito tradicional em Jogos Olímpicos, sendo disputada desde a primeira edição. A prova consiste em um salto que o atleta executa apoiando-se em uma vara de 4,88m(hoje em dia flexível, embora nem sempre tenha sido), após uma corrida em linha reta em direção a um colchão, e deve transpor um sarrafo na horizontal, como no salto em altura, sem derrubá-lo. A prova passou por muitas mudanças desde seu surgimento. No começo do século, os atletas não dispunham de colchão, caíam em uma rasa caixa de areia comum, como a do salto em distância, de uma altura de 3,30m(marca obtida por William Hoyt, primeiro campeão olímpico da prova). A vara também mudou muito. Até os anos 40, o único tipo de vara existente era a de bambu, que não oferecia quase nada de flexibilidade e tinha pouca resistência. O atleta tinha não só a preocupação de passar pelo sarrfo sem derrubá-lo, como de não quebrar a vara. Durante a Segunda Guerra Mundial(que causou um período de 12 anos sem Olimpíadas – as de 1940 e 1944 foram canceladas devido ao conflito – entre Berlim-1936 e Londres-1948), foi inventado um novo tipo de vara, feita de fibra de vidro. O primeiro a utilizá-la em Olimpíadas foi o Norte-Americano Bob Mathias, no decatlo, em 1952, quando venceu a prova pela segunda vez. Com essa vara, o recorde mundial passou de 4,77m para 5,63m em 20 anos(de 1952 a 1972). Nas Olimpíadas de Munique, em 1972, aconteceu a prova de Salto com vara mais polêmica da história Olímpica. Pouco tempo antes, fora inventada uma vara ainda melhor do que a de fibra de vidro: a vara de fibra de carbono, largamente utilizada atualmente. Os EUA, que até as Olimpíadas de Munique-1972 haviam simplesmente vencido todas as provas de Salto com vara em Olimpíadas (totalizando 17 vitórias, a maior hegemonia consecutiva de qualquer país, em qualquer prova de qualquer esporte em toda a história Olímpica), se deram muito bem com o novo modelo de vara. Os Alemães, seus maiores rivais, eram adeptos do modelo antigo, de fibra de vidro, menos flexíveis e resistentes. Meses antes dos jogos, os Alemães protestaram junto à IAAF e obtiveram a proibição das novas varas, alegando que a fibra de carbono era um material não-permitido. Os EUA imediatamente protestaram e conseguiram anular a proibição, assim, contnuaram treinando com a vara moderna. Mas a IAAF resolveu restabelecer a restrição às varas, absurdamente, na madrugada anterior à competição nos Jogos Olímpicos. Passaram nos alojamentos e recolheram as varas da marca Cata-Pole, de fibra de carbono. Assim, pela primeira vez, os EUA saíram derrotados no salto com vara. Robert Seagren, usuário do novo modelo, foi derrotado pelo alemão Wolfgang Nordwig. Em nenhuma outra Olimpíada haveria restrição a qualquer tipo de material. Usando uma vara moderna, surgiu, nos anos 80, o maior nome da prova na história. Sem ter participado do Jogos de Los Angeles-84, devido ao boicote soviético, o ucraniano Sergei Bubka foi a Seul-88 e venceu de forma dramática, saltando 5,90m em sua última tentativa. Bubka foi o símbolo do profissionalismo que tomava conta do esporte no final do século XX. Sua principal fonte de renda não eram salários nem patrocínios, e sim as bonificações pagas por recordes mundiais. Sendo soberano na prova nos anos 80 e 90, elevava o recorde mundial centímetro por centímetro, ganhando premiações em dinheiro a cada nova marca. Em Olimpíadas, nunca mais obteve sucesso, embora tenha ido ainda a duas edições dos jogos.
As mulheres estrearam no Salto com Vara Olímpico somente em Sydney 2000, mais de cem anos depois dos homens. A primeira campeã Olímpica foi a americana Stacy Dragila, com a marca de 4,60m. Depois dela, surgiu o nome que é, por enquanto o maior da história do salto com vara: Yelena Isinbayeva.
Análise para Pequim- A prova masculina promete um confronto entre um Americano e alguns atletas do leste europeu. O Americano é Brad Walker, de 27 anos atual campeão mundial e dono da melhor marca de 2008(6.04m). Os outros dois Americanos, Derek Miles e o veterano Jeff Hartwig trvarão uma disputa com os Russos Evgeny Lukyanenko e Igor Pavlov. A Alemamha tem um nome forte em uma revelação de apenas 18 anos: Raphael Holzdeppe é o recordista mundial Junior. Além dele, Danny Ecker, medalha de bronze no último mundial, é outra boa aposta da Alemanha na prova. O francês Romain Mesnil é mais um com chances de vitória. O Brasil vai à prova com Fábio Gomes da Silva, campineiro de 24 anos cuja melhor marca é 5,77m, recorde Sul-Americano. Mas ele terá que saltar mais do que isso se quiser beliscar um medalha. Em Atenas-2004 o vencedor foi o Norte-Americano Tim Mack, com a marca de 5,95m. Entre as mulheres, há uma favorita que só perderá o ouro se tudo der errado para ela. Trata-se de Yelena Isinbayeva, certamente o maior nome do Salto com vara feminino da história. Ela venceu tudo que podia: é a atual campeã Olímpica(com 4,91m em Atenas), campeã mundial, recordista mundial(com 5,03m) e vêm arrebentando em todas as competições este ano. A briga, ao que parece, será pela prata e o bronze. E nessa briga, a torcida brasileira terá uma representante. Fabiana Murer fará sua estréia em Jogos Olímpicos. A campineira de 27 anos venceu o Pan Rio com 4,50m que não poderia nunca lhe dar uma medalha Olímpica. Mas no Troféu Brasil dete ano ela saltou 4,80m, essa sim uma marca de respeito, que pode dá-la um lugar no pódio. E ela talvez se supere ainda mais, ou seja, numa Segunda-feira, dia 18 de agosto, às 08h30 da manhã(para nós), vale assistir a uma prova que pode dar uma alegria ao Brasil.
Final do Masculino- Sexta-feira(22/8), 08h55*
Final do Feminino- Segunda-feira(18/8), 08h30*

Salto Triplo- Esta prova tem um sabor especial para o Brasil, que com essa prova já ganhou seis medalhas ao longo da história Olímpica. Funciona da seguinte maneira: o atleta corre em linha reta em direção a uma caixa de areia, e faz um salto em três etapas. Bate uma das pernas antes da tábua(que é o limite para que o salto seja validado), bate a mesma perna novamente, mais à frente, e finalmente bate a outra, indo cair o mais longe possível na caixa de areia. A prova está presente nos Jogos Olímpicos desde a primeira edição. Embora não haja muitos brasileiros conhecedores dos heróis que nosso país já teve na prova, o Salto Triplo foi a modalidade que mais deu medalhas para nós na história Olímpica. Houve três grandes heróis na prova: Em 1948, surgia um saltador de 21 anos que não passou sequer da fase classificatória nas Olimpíadas de Londres. Quatro anos depois, em Helsinque-52, o já recordista mundial Adhemar Ferreira da Silva superou seu próprio recorde mundial, saltando 16,22m, e levou o primeiro Ouro do atletismo brasileiro em Olimpíadas. Quatro anos depois, em Melbourne, na Austrália, lá estava novamente Adhemar. Ele quebrou seu recorde Olímpico, saltando 16,35m, e conquistou o bicampeonato Olímpico, até hoje o único brasileiro do atletismo a conseguir isso. Adhemar Ferreira da Silva era um herói. Logo depois de sua primeira vitória Olímpica, em Helsinque-52, um jornal ofereceu-lhe uma casa como prêmio por sua vitória Olímpica. Sua família ficou tentada, ele também, mas preferiu recusar para poder continuar competindo: naquela época só podiam competir em Olimpíadas atletas amadores, e por uma lógica inexplicável, receber um presente configuraria sua condição de “profissional”. Assim, ele recusou a casa e seguiu treinando para dar outra vitória ao Brasil quatro anos depois. Adhemar faleceu a 12 de Janeiro de 2001, aos 73 anos, como o maior herói da história do atletismo brasileiro. Mas a fábrica de campeões do salto triplo do Brasil não parou(embora não houvesse nenhum incentivo do governo ou programa esportivo que possibilitasse a formação de grandes atletas). Em 1968, na Cidade do México, o Brasil foi ao salto triplo com Nélson Prudêncio. Ele não era conhecido, e disse depois que, de acordo com sua previsão, chegaria em 26º lugar. Mas Prudêncio surpreendeu a todos, inclusive a ele próprio, saltando 17,27m e saltando provisoriamente para a primeira colocação. Mas logo depois o soviético Viktor Saneyev(que se tornaria o maior nome mundial da história da prova, com 3 medalhas de ouro e uma de prata) saltou 17,39m e Prudêncio ficou com a prata. Ainda assim, era uma gigantesca façanha. Prudêncio seguiu treinando, com as mesmas dificuldades pelas quais passou Adhemar, dentre as quais a maior era o desinteresse do governo brasileiro, não apenas pelo atletismo, mas pelo esporte em geral. Teve um declínio em sua carreira, não tendo mais se aproximado de sua fantástica marca de 17,27m, mas resolveu viajar, pouco tempo antes dos Jogos de Munique-1972, á Alemanha, para fazer um estágio de treinamento. Lá, recuperou sua boa forma, e conseguiu outra medalha para o Brasil nos Jogos, desta vez de bronze, com um salto de 17,05m. Quatro anos depois, Prudêncio foi substituído por um terceiro herói brasileiro na prova. Um ano antes dos Jogos de Montreal-76, aconteceu o Pan 1975, na Cidade do México. Lá tomou-se conhecimento do novo ídolo brasileiro quando ele assustadoramente saltou 17,89m, um novo Recorde Mundial. Traatava-se de João Carlos de Oliveira, que depois de seu salto fantástico recebeu do Brasil a alcunha de “João do Pulo”, condinome com o qual faria a fama. Ele retornou do Pan 1975 disposto a chegar ao Ouro Olímpico, mas em Montreal-76 não encontrou sua melhor forma e saltou 16,90m, quase um metro a menos que seu recorde, e ficou com o bronze. Era excelente, mas todos sabiam que ele podia ainda mais. Quatro anos depois, em Moscou-1980, ele chegou na ponta dos cascos. Seu recorde mundial aindaperdurava, firme e forte, e ele era o favorito. João do Pulo infelizmente acabaria apenas com outro bronze, desta vez não culpa de sua performance abaixo da expectativa, mas sim da corrupta arbitragem soviética. Os árbitros anularam a maioria dos saltos de João do Pulo, e quando ele pedia para ver a marca deixada pelo salto supostamente irregular, os árbitros já haviam limpado a pista, eliminando a possibilidade de esclarecer dúvidas. Um dos saltos injustamente invalidados de João parece ter beirado os 18m, o que lhe daria com folga o Ouro Olímpico. Mas a maior marca validada por João do Pulo foi de 17,22m, deixando-o atrás dos Soviéticos Jaak Üudmae e do lendário Viktor Saneyev, que pela primeira vez não conquistou o ouro. João, amargurado como toda a torcida brasleira, teve de se contentar com o bronze. Ele tinha 26 anos na época e havia esperança que, dali a 4 anos, em Los Angeles-84, finalmente ganhasse o Ouro Olímpico. No final de 1981, contudo, ele sofreu um terrível acidente de carro, chocando-se contra um carro que vinha na contramão. O motorista morreu na hora, e João esteve entre a vida e a morte. Sobreviveu, mas sua perna direita foi esmagada. Não hove meio de salvá-la, e tiveram que amputá-la, encerrando dramaticamente a carreira de João do Pulo. Desde então, nenhum outro brasileiro subiu ao pódio do Salto Triplo, mas a história pode mudar esse ano, com Jadel Gregório. Entre as mulheres, o Salto Triplo é recente, tendo começado nas Olimpíadas de Atlanta-1996. Mrjoritariamente, a prova foi dominada pelas atletas do Leste Europeu(a primeira campeã Olímpica foi a ucraniana Inessa Kravets. Quatro anos depois, em Sydney, a vitória foi para Tereza Marinova, da Bulgária). Em Atenas-2004, contudo, a africana Françoise Mbango Etone, de Camarões, que estabeleceu um recorde Olímpico saltando 15,30m. Foi a primeira medalha do atletismo camaronês na história Olímpica.
Análise para Pequim- A quatro anos, em Atenas-2004, Jadel era candidato ao pódio, mas não achou sua melhor forma e acabou em quinto lugar. Agora, em Pequim, ele é mais uma vez candidato, e leva nos ombros a esperança brasileira de voltar a ganhar uma medalha no salto triplo depois das conquistas de Adhemar, Nélson Prudêncio e João do Pulo. Mas além dele, outro surpreendente brasileiro estará na prova. Jefferson Sabino, cuja melhor marca é 17,28m, terá que se superar se quiser ir longe, mas todos sabem que é perfeitamente possível. Seus principais adversários não são os mesmos de 4 anos atrás. Embora o sueco Christian Olsson, atual campeão Olímpico, ainda vá competir em Pequim, ele não é favorito desta vez. As atenções estão voltadas para Jadel Gregório, para o marfinês naturalizado português Nélson Évora, atual campeão Mundial(Jadel ficou com a prata) e para o Britânico Phillips Idowu, de 29 anos, dono da melhor marca de 2008(17,58m) e venceu o mundial indoor de 2008. Também são nomes fortes o cubano Osniel Tosca, prata no Pan 2007, e o Americano Walter Davis, bronze no último Mundial. A torcida é para que Jadel e Sabino encaixem um bom salto que lhes permita levar para casa uma medalha, que esperamos que seja de ouro. No feminino, as chances são mais remotas. Embora esteja evoluindo, a gaúcha Gisele Lima ainda está aquém das marcas das melhores do mundo. O Recorde Sul-Americano, inclusive, é de outra brasileira, Keila Costa, que vai participar apenas do Salto em Distância. As favoritas para a prova são, entre outras, as mesmas que subiram ao pódio em 2004: a camaronesa Françoise Mbango Etone, a grega Hrysopiyí Devetzí e a russa Tayana Lebedeva, que é também nome forte no Salto em distância. Além delas, Yargelis Savigne, de Cuba, tem boas possibilidades de levar o ouro desta vez.
Final do Masculino- Quinta-feira(21/8), 09h20*
Final do Feminino- Domingo(17/8), 10h35*


Arremessos

Arremesso do Peso- O Arremesso de Peso é a mais tradicional entre as provas de arremessos, aquelas que consagram os mais fortes. O Arremesso de Peso consiste em o atleta lançar uma espécie de bola de metal, que pesa 7,25kg e deve ter entre 11cm e 13cm de diâmetro. O atleta deve arremessar o peso de dentro de um stor circular delimitado, que tem o diâmetro de 2,135m de diâmetro, e deve lançar o peso para a frente, em uma área delimitada por um ângulo de 34º92. A prova está desde a primeira edição dos jogos, na qual o vencedor, Robert Garett dos EUA, mandou o peso a 11,22m. Antes da Primeira Guerra, os EUA venceram todas as edições, seus maiores heróis foram Ralph Rose e Patrick McDonald. Mas a partir de 1920 os Americanos passaram a sofrer a concorrência de atletas. Em 1920, o vencedor foi o finlandês Frans Pörhölä. Os EUA segiriam vencendo até 1936 quando, para júbilo de Adolf Hitler, venceu o alemão Hans Woelke. Deois da Segunda Guerra, mais domínio Norte-Americano, que engatou uma série de seis viitórias consecutivas(período em que os grandes campeões foram William Nieder, Parry O´Brien e Dallas Long. Estta foi a ordem do pódio em 1960, mas O´Brien já havia vencido sua Olimpíada em 1956 e Long a venceria em 1964). Perderam novamente em 1972, quando Wladyslw Komar venceu. A partir daí, acabou o domínio dos EUA, que passsram a perder para URSS e Alemanha Oriental, entre outros, e só voltaria a vencer em Barcelona-1992, com Mike Stulce. Hoje em dia há um grande equilíbrio de forças. Na prova feminina, cujo peso é de apenas 4kg e o diâmetro entre 7cm e 9cm, a primeira edição aconteceu apenas em Londres-1948, após a Segunda Guerra. A vitória da francesa Michelline Ostermeyer seria uma exceção. Depois dela, as Soviéticas e Alemãs Orientais exerceram um amplo domínio. A bicampeã de Roma-60 e Tóquio-64 foi a Soviética Tamara Press, que mais tarde levantaria bizarras suspeitas de não ser uma mulher, e sim um homem. As suspeitas ganharam força porque, em 1966, a IAAF anunciou que iria fazer exames de feminilidade antes das competições. Logo depois, Tamara Press anunciou a aposentadoria. A próxima vez que a vitória não seria do Leste Europeu foi em Los Angeles-1984(porque eles boicotaram), quando venceu a Alemã Ocidental Claudia Losch. Com a queda do comunismo e do muro de Berlim, o país vencedor no feminino também passou a ser uma incógnita no Arremesso de Peso. Um momento muito especial para os Arremessadores de Peso foi em Atenas-2004, quando eles voltaram 3.000 anos no tempo e competiram em Olímpia, nas ruínas do estádio onde eram disputadas as Olimpíadas da Grécia Antiga. Com certeza foi um privilégio inesquecível de grande valor simbólico.
Análise para Pequim- Será a primeira final do atletismo em Pequim. Logo na sexta-feira, dia 15 de agosto, conheceremos o primeiro campeão olímpico do atletismo emm 2008. Este ano, os EUA parecem dispostos a retomar seu antigo domínio na prova. Os dois maiores favoritos são Americanos. Um deles está sedento pelo ouro: Adam Nelson, de 33 anos, foi prata na Olimpíada de Atenas e no último mundial de atletismo, em Osaka. Ele tem a melhor marca de 2008(22,12m) e parece pronto para vencer. Seu grande desafiante será Reese Hoffa, outro Americano, que é o atual campeão mundial. O Australiano Scott Martin, que bateu esse ano o recorde da Oceania, e Joachim Olsen, da Dinamarca, medalha de Bronze Olímpico, também são perigosos. O feminino tem como favorita Nadzeya Ostapchuck, medalha de prata no mundial e dona da melhor marca de 2008(20.90m). Sua grandes adversárias são a Neozelandesa Valerie Vili, campeã mundial, a alemã Nadine Keinert, atual prata Olímpica e bronze mundial. O Brasil não terá representante nem no masculino, nem no feminino.
Final do Masculino- Sexta-feira(15/8), 10h*
Final do Feminino- Sábado(16/8), 10h20*


Lançamento do Disco- Esta prova tem um caráter peculiar. Ela foi inventada exclusivamente para os Jogos Olímpicos. Na preparação para a primeira Olimpíada, em Atenas-1896, os historiadores estavam vendo os registros das Olimpíadas da Grécia Antiga, na qual havia registros de lançamento do disco. Meses antes dos jogos, anunciaram que haveria tal prova, e ela foi disputada em caráter oficial pela primeira vez nos Jogos de Atenas. O COI firmou as regras da prova, e diziam que o lançador devia ficar em um setor de 2,5m de comprimento, cercado por uma grade, e lançar um peso em formato de disco, com 22cm de diâmetro, 4,5cm de espessura e pesando 2kg. O Americano Robert Garett, que ficou sabendo da prova, mas não das regras oficiais, mandou fabricar um disco ele próprio, segundo informações e dados que obteve em livros, para treinar para a prova nos jogos. Quando chegou a Atenas, decobriu que o disco da competição era bem mais leve do que aquele que havia fabricado, e, radiante, venceu os seus adversários gregos e levou o primeiro Ouro Olímpico da história da prova. Ao longo da história, o domínio Americano na prova não foi tão acentuado como no Arremesso de Peso, por exemplo, mas a maioria das vitórias foi dos EUA. O Maior campeão da prova foi o Americano Alfred Oerter, dos EUA. Sua primeira vitória foi em Melbourne-1956, aos 20 anos. A quarta e última, na Cidade do México-1968, aos 32. Foram doze anos de supremacia, quatro vitórias Olímpicas. Além de vencer, ele foi elevando o Recorde Olímpico da prova. Em Melbourne fez 56,36m. Em Roma, 59,18m. Em Tóquio, 61m cravados. Finalmente, no México, anotou 64,78. Atualmente, não há domínio de país nenhum na prova, há vencedores de vários lugares. O lançamento de Disco feminino é a mais tradicional prova de arremesso entre as mulheres na Olimpíada. É a única que está presente desde a primeira participação das mulheres, em 1928. O Disco para as mulheres pesa 1kg, metade do masculino, e tem 18cm de diâmetro e 3,8cm de espessura. Na primeira edição, a polonesa Halina Komopacka venceu com 39,62m, quebrando seu próprio recorde mundial. Uma vitória marcante aconteceu quando Olga Fikotová, da Tchecoslováquia, venceu em 1956 e conheceu na pista o campeão do Arremesso de Martelo, Harold Connolly, dos EUA. Eles casaram-se, e ela virou cidadã Americana. Competiu pelos EUA em uma Olimpíada, mas não ganhou medalha. Em linhas gerais, a prova esteve sob domínio das atletas da Europa Oriental, a União Soviética foi quem mais venceu. Com o cair do comunismo e do Muro de Berlim, pouca coisa mudou. O predomínio continuou sendo da Europa Oriental.
Análise para Pequim- O Masculino tem um nome bem destacado como favorito. Gerd Kanter, da Estônia(uma ex-república Soviética), foi prata no mundial 2005, ouro no mundial 2007 e tem a melhor marca de 2008(71,88m), que seria suficiente para lhe dar o ouro na última Olimpíada. Mas Kanter não é o maior nome da prova. Muitos apontam outro atleta como favorito. Virgilijus Alekna, da Lituânia(país vizinho á Estônia e também ex-república soviética) é bicampeão Olímpico. Venceu em Sydney e Athenas, e é perfeitamente possível que chegue ao Tricampeonato. Se tiver pique para vencer essas Olimpíadas e mais as próximas, em Londres-2012, igualará o recorde de Al Oerter, de quatro medalhas de ouro na prova. Há ainda outros com boas chances de vitória: Ehsan Hadadi, do Irã, que este ano bateu o recorde Asiático(69,32m), em uma competição em Tallin, capital da Estônia, país de Gerd Kanter. Robert Harting, da Alemanha, foi prata no mundial e também merece atenção. No masculino, o Brasil vai ficar só assistindo, sem ter um representante para torcer. No feminino, não. Torceremos pela Paulista Elisângela Adriano, de 36 anos, que já participou das Olimpíadas de Atlanta-96 e Atenas-2004. Para chegar a uma medalha, não será nada fácil. Terá que superar, entre outras, a russa Darya Pishchalnikova, prata no mundial 2007 e dona da melhor marca de 2008(67,28m), bem acima da marca que levou Elisângela aos Jogos(59,54m). Há também muito forte a cubana Yarelis Barrios, que ficou com o bronze no mundial e derrotou Elisângela no Pan2007. A Campeã Olímpica Natalya Sadova, outra atleta russa, estará em Pequim para defender seu título. Por fim, a campeã mundial, Franka Dietzch, da Alemanha, completa o grupo de favoritas para Pequim-2008.
Final do Masculino- Terça-feira(19/8), 10h*
Final do Feminino- Segunda-feira(18/8), 08h*


Lançamento de Dardo- É a prova de lançamento em que o objeto lançado vai mais longe. O Recorde Mundial pertence ao tcheco Jan Zelezny, talvez o maior nome da história da prova, e é de 98,48m. O dardo é uma espécie de lança pontiaguda com 2,7m de comprimento e 800g de peso. O atleta corre por uma pista que tem entre 30m 3 36,5m e lança o dardo o mais longe possível. O Recorde Mundial do dardo é de 98,48m, mas no início da década de 80 alguns atletas estavam conseguindo lançamentos de mais de 100m. Isso se tornou um problema, porque o setor de lançamento fica na parte interna da pista, cuja reta tem 100m(Uwe Hohn, da Alemanha Oriental, fez um lançamento de 104,80m). Assim, corria-se o risco de que os lançamentos feitos de um lado da pista fossem fazer o dardo parar do outro lado, e cair em uma das raias de corrida, podendo inclusive atingir alguém(o que aliás já aconteceu mais de uma vez). Pensando nisso, em 1986 a IAAF fez algumas mudanças para pior na aerodinâmica do dardo, visando diminuir o tamanho dos lançamentos. Assim, as grandes marcas de hoje beiram os 90m. O Lançamento de dardo foi a última prova de lançamento a ser incluída no programa Olímpico, nos Jogos de Londres, 1908, quando o sueco Eric Lemming fez 54,82m e bateu seu próprio recorde mundial. Esta é a prova de lançamento que mais esteve distante do domínio dos americanos. Eles venceram apenas uma vez. Muito mais forte foi o predomínio da Finlândia, país que mais venceu na prova. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Finlândia parou de fabricar pencas de fundistas vencedores, mas o Lançamento de Dardo Finlandês continuou sendo o mais forte do mundo. Ironicamente, foi nas Olimpíadas de Helsinque-1952, na Finlândia, a única vitória Norte-Americana. Essa prova era uma questão de honra para os Finlandeses, que fizeram para a cerimônia de abertura uma pira Olímpica de exatamente 72,71m, a medida do lançamento que 20 anos antes dera o Ouro a Matti Järvinen, nos Jogos de Los Angeles, EUA. Nos anos 90, o domínio escandinavo passou não para um outro país, mas sim um único indivíduo. Já tendo uma prata, de Seul-1988, Jan Zelezny arrebatou três medalhas de Ouro, em Barcelona-92, Atlanta-96 e Sydney-2000, tornando-se a maior referência da prova. O dardo para mulheres pesa 600g, 200g a menos que o dos homens, e tem 2,5m de comprimento. A prova foi introduzida em Olimpíadas no ano de 1932, quando a vencedora foi a polivalente Babe Didriksen. O dardo feminino nunca esteve muito tempo sob domínio de nenhuma nação. Uma campeã notável foi Dana Zatopékova, mulher do grande fundista Emil Zatopék. Ela venceu o dardo em 1952, mesmo ano em que Emil ganhou os 5000m os 10000m e a maratona. Em Tóquio-1964, a prova foi vencida por Mihaela Penes, uma garota romena de 16 anos. A campeã Olímpica anterior, Elvira Ozolina, da URSS, não conquistou medalha, e, revoltada com a derrota, raspou o próprio cabelo no mesmo dia e saiu pela Vila Olímpica arrastando sua vergonha. Atualmente, o lançamento de dardo feminino anda sempre sendo uma incógnita quanto à vencedora.
Análise para Pequim- O campeão Olímpico em exercício é o Norueguês Andreas Thorkildsen, herdeiro da tradição escandinava na prova, que venceu com um lançamento de 86,50m em Atenas. A melhor marca de 2008 é de 89,02m, anotado por Jarrod Bannister, da Austrália. Mas Thorkildsen está muito bem. Ele ficou com a prata no mundial 2007 lançando o dardo a 88,61m. O ouro foi para um herdeiro de tradição ainda maior: o finlandês Tero Pitkämäki, outro fortíssimo candidato à vitória. Em Osaka, no mundial 2007, seu lançamento atingiu 90,33m, marca que lhe daria o Ouro em qualquer Olimpíada até hoje. O medalha de prata, Vadims Vasileviskis, da Letônia(uma ex-república soviética), atual medalha de prata Olímpico, e Breaux Greer, dos EUA, bronze no mundial e dono da melhor marca de 2007, são outros fortes postulantes ao pódio. O Brasil não contará com nenhum dardista no masculino. Entra as mulheres, a torcida brasileira concentra-se em Alessandra Resende, paulista de Mauá, que está indo à sua primeira Olimpíada. O desfio dela e de todas as outras dardistas será derrotar a tcheca Barbora Spotákova, atual campeã Mundial e dona da melhor marca do ano, com um lançamento que atingiu 69,15m. A prova promete um eletrizante duelo entre ela e a cubana Osleydis Menéndes. Osleidys é a atual campeã Olímpica e recordista mundial, com 71,70m. Na teoria, o ouro e a prata ficarão entre elas, mas há algumas dardistas capazes de estragar essa lógica. Duas alemãs, Cristina Ogberföll e Steffi Nerius, arremataram a prata e o bronze no mundial, e é possível que façam uma dobradinha para a Alemanha na prova. Quanto à Alessandra Resende, sua melhor marca do ano(59,58m) está bem aquém das grandes campeãs, e ela precisará acordar com uma boa dose de inspiração e força se quiser sonhar alto no dia 21 de agosto, às 08h20, horário de Brasília.
Final do Masculino- Terça-feira(19/8), 10h*
Final do Feminino- Quinta-feira(21/8), 08h20*

Arremesso de Martelo- Presente nos Jogos Olímpicos desde a segunda edição, em Paris-1900, o Arremesso de martelo consiste em lançar um peso esférico idêntico ao do Arremesso de Peso, suspenso por um cabo de 1,22m de comprimento. O atleta arremessa o martelo, como é chamado, após um giro em um setor circular semelhante ao do Arremesso de peso e Lançamento de disco. O campeão das três primeiras Olimpíadas foi John Flanagan, dos EUA. Mesmo depois de sua aposentadoria, os EUA seguiram dominando. A primeira derrota Americana foi em 1928, numa Olimpíada ruim para o Atletismo dos EUA em geral, quando venceu o irlandês Patrick O´Callaghan. Então começaria uma fase sem vitórias dos EUA. Marcante a vitória do húngaro Imre Németh, em Londres-1948. Ele era franzino, mas com uma técnica perfeita, derrotou todos os gigantes da competição. Os EUA voltariam a comemorar uma vitória em 1956, com Harold Connolly. Depois disso inaugurou-se a escola Soviética, que produziria vários campeões até o fim de sua existência. O maior deles foi Yuriy Sedykh, que ganhou duas medalhas de Ouro, em Montral-76 e Moscou-80. Poderia ter ganho um terceira em Los Angeles 84 se os soviéticos não tivessem boicotado aqueles Jogos. Ainda competiu em Seul-88, quando ficou com a prata, mas até hoje é o recordista mundial, com 86,74m, e maior nome da história da prova. As mulheres arremessaram o martelo em Olimpíadas pela primeira vez apenas em Sydney-2000, quando a vencedora foi a Polonesa Kamila Skolimowska. O Martelo feminino tem também o mesmo peso do que o do Arremesso do peso(4kg) e o cabo do martelo mede 1,19m. A prova em Pequim será apenas a terceira em Jogos Olímpicos.
Análise para Pequim- Os Arremessadores de martelo que irão a Pequim, quase todos uns brutamontes, têm como missão deter o brutamonte-mor: Ivan Tsikhan, da Bielo-Rússia, mais um que aumentaria a coleção de medalhas da União Soviética se ela ainda existisse, é Campeão Mundial e dono da melhor marca de 2008(84,51m). Só lhe falta um título relevante na carreira: o Ouro Olímpico. Ele já era o favorito para conquistá-lo a quatro anos, em Atenas, mas foi derrotado pelo japonês Koji Morofushi, que aliás estará em Pequim para tentar defender seu título. O japonês é uma exceção nas previsões de vitória para a prova, que de resto contam só com atletas do Leste Europeu. Primoz Kozmuz, da Eslovênia, e Libor Chafreitag, da Eslováquia, prata e bronze no mundial, são postulantes. O turco Esref Apak, bronze em Atenas-2004, também. Os EUA não terão nenhum atleta com possibilidades reais de Ouro, o antigo domínio extinguiu-se. E o Brasil infelizmente não contará com representante nesta prova também. Entra as mulheres, a prova vai para a terceira edição. Ainda está em atividade a polonesa Kamila Skolimowska, campeã em Sydney-2000. Mas ela, que já ficou fora do pódio em 2004, não é favoriata. A Bielorússia pode vencer no masculino e no feminino se, além de Ivan Tsikhan, a atleta Aksana Miankova confirmar seu favoritismo. Sua marca(77,32m) é a melhor de 2008, e ela está na ponta dos cascos. Para barrá-la, há uma dupla de cubanas, além de algumas outras boas atletas. As Cubanas são Yipsi Moreno, que está esperando finalmente um ouro(é a atual medalhista de prata Olímpica e Mundial) e Yunaika Crawford, bronze Olímpica. A Rússia levou o ouro em 2004, com Olga Kuzenkova. Ela não irá a Pequim, mas tem uma substituta à altura em Yelena Konevtseva. Outra franca favorita é a campeã Mundial, a alemã Betty Heidler. Por fim, a pátria anfitriã, a China, deposita suas esperanças em Wenxiu Zhang, bronze no último mundial. O Brasil também não terá no feminino uma mulher na prova. Nunca fomos uma força expressiva no Arremesso de Martelo.
Final do Masculino- Domingo(17/8), 08h10*
Final do Feminino- Quarta-feira(20/8), 08h20*


Provas Combinadas

Decatlo- Encarada desde seu surgimento como uma prova para Super-Homens, o Decatlo estreou nas Olimpíadas em Estocolmo-1912 e logo na primeira edição a prova teve um herói controvertido que talvez seja até hoje o maior nome da história da prova.
James Francis Thorpe, chamado de Jim Thorpe, era um indígena nascido em um pequeno vilarejo em Oklahoma, nos EUA. Ele destacava-se em baseball e futebol Americano, esportes pelos quais carregou nas costas o time de Carlisle, humilde escola indígena, para vecer adversários como Harvard e Yale, o que o fez começar a ficar conhecido. Em 1912, ele iria disputar não apenas o decatlo, como o pentatlo masculino, que não é mais disputado. No Decatlo, a disputa dura dois dias. No primeiro, o atleta passa por cinco provas: 100m, Salto em Distância, Arremesso do Peso, Salto em Altura e 400m. No segundo, mais cinco: 110m com barreiras, Lançamento do Disco, Salto com Vara, Lançamento do Dardo e 1500m. Há uma escala de pontos para as marcas, e quem pontuar melhor no final leva o ouro. Jim Thorpe venceu quatro das dez provas, 2º em três e 3º em outras três. Seu resultado, 8.412 pontos, lhe daria a medalha de Ouro de qualquer Olimpíada até 1936. Essa marca foi fantástica para a época, lhe daria o 5º lugar no mundial de atletsimo 2007, quase cem anos depois. Foi considerado o melhor atleta dos jogos e recebido como herói nos EUA. No ano seguinte, contudo, o COI descobriu que el ganhava 25 dólares por semana, como ajuda de custo, para defender um time de Baseball. Naquela época o Profissionalismo era combatido com mais vigor do que hoje se combate o doping nos atletas. De tão rigorosa, a exigência por amadorismo fazia um mal terrível ao esporte. O COI, inflexível, apagou os registros dos feitos de Jim Thorpe e cassou suas medalhas de Ouro. Foi o primeiro grande caso de radicalismo pelo espírito Olímpico Amador, que só seria definitivamente enterrado no começo dos anos 90. O Decatlo continuou produzindo grandes heróis. Em 1948, venceu outro Americano, Bob Mathias, que fez o decatlo apenas duas vezes antes dos jogos, e meses antes da Olimpíada era a primeira vez que experimentava fazer algumas das provas. Ele gostou da prova e conquistou o bicampeonato Olímpico em Helsinque-52. Em Roma-60 houve um emocionante duelo entre o Americano Rafer Johnson e o Taiwanês Yang Chuan-Kwang. Os dois eram colegas de faculdade e grandes amigos, e Rafer Johnson ao final venceu Yang por uma apertdíssima margem de pontos. Em Moscou-80 e Los Angeles-84, surgiria outro bicampeão, Daley Thompson da Grã-Bretanha. As marcas melhoram constantemente, surgem atletas cada vez mais completos, aptos a competir em todo tipo de prova no atletismo.
Análise para Pequim- O nome dominante da prova, desde sua prata em Sydney 2000, é o tcheco Roman Sebrle. No ano seguinte à sua prata, bateu o recorde mundial,, fazendo 9026 pontos. Ele venceu a Olimpíada de maneira soberba em Atenas-2004, ficou com a prata no Mundial 2005 mas venceu o mundial 2007. Ele é favorito, mas há um homem que pode vencê-lo com o qual se espera uma das mais eletrizantes disputas dos Jogos Olímpicos de Pequim. O homem em questão Bryan Clay. Ele foi prata em Atenas, derrotado por Sebrle, mas deu o troco no ano seguinte ao derrotá-lo. No mundial 2007, Sebrle venceu e ele abandonou o Decatlo antes de completar. Mas esse ano, é de Bryan Clay a melhor marca até o momento, intimidatórios 8832 pontos, que lhe dariam o ouro no mundial 2007. Além deles, há alguns outros que aparecem como postulantes à medalha. Maurice Smith, da Jamaica, é uma revelação, tendo ficado com a prata no mundial 2007. O bronze deta prova foi para Dimitry Karpov, do Cazaquistão, que foi bronze em Atenas-2004. Outro que assusta é o russo Aleksey Drozdov. O Brasil tem como representante o Carlos Chinin, cuja melhor marca é 7778 pontos. É improvável que ele termine entre os primeiros. Uma competição que poderia servir de parâmetro seria o mundial 2007, mas lá o paulistano de 23 anos não completou a prova. Assim como alguns jovens atletas da delegação brasileira, representa em 2008 o anúncio de um futuro promissor mais do que a chance real de ganhar uma medalha em Pequim.
Dias de competição- Quinta-feira(21/8) e Sexta-feira(22/8)
Última prova(1500m) – Sexta-feira(22/8), 10h40*


Heptatlo- É a versão feminina de provas combinadas, mas com três provas a menos do que para os homens. É composta de sete provas. Qutro no primeiro dia e três no segundo. No primeiro dia, as mulheres passam por 100m com barreiras, Salto em altura, Arremesso do peso e 200m rasos. No dia seguinte, disputam salto em distãncia, lançamento do dardo e 800m. A prova nem sempre foi Heptatlo. De 1964 até 1984 as mulheres faziam o Pentatlo, disputado em um único dia, composto de 100m rasos, Salto em Distância, Arremesso do Peso, Salto em Altura e 400m rasos. A partir de 1984 a prova passou a ser Heptatlo como é até hoje. Enquanto ainda era Pentatlo, a prova foi dominada por atletas da União Soviética e Alemanha Oriental, com a notória exceção da Britânica Mary Peters, vencedora em 1972. Quando virou heptatlo, a distribuição de medalhas na prova passou a ser mais dispersa pelo mundo. Uma destacada campeã foi Jackie-Joyner Kersee, que em 1988 derrotou três fortíssimas Alemãs Orientais e ficou com o ouro. Naquele dia em Seul ela marcou 7291 pontos, um recorde mundial que perdura até hoje, 20 anos depois. Nos últimos tempos, contudo, surgiu uma campeã notável que não é nem Americana, nem do Leste Europeu: a sueca Carolina Klüft.
Análise para Pequim- Carolina Klüft é favorita absoluta. Ela é Campeã Olímpica, tricampeã Mundial(Paris-2003, Helsinque-2005 e Osaka-2007), tendo batido seu recorde pessoal em Osaka, com 7032 pontos, é bicampeã européia e recordista européia. Não tem, entretanto, a melhor marca de 2008, que é da Americana Hyleas Fountain, que, embora tenha abandonado a prova no mundial de Osaka antes do fim, é a maior ameaça ao Ouro de Carolina Klüft. Se a lógica se confirmar, a prata e o ouro ficarão entre elas, e o bronze é uma total incógnita, tendo mais de 10 atletas com boa possibilidade de alcançá-lo.Entre elas, não se encontra a brasileira Lucimara Silvestre, que correrá por fora em Pequim. Ela tem como recorde pessoal 5.906 pontos, uns mil a menos do que deverá fazer a vencedora em Pequim, e se ganhar uma medalha é candidata a maior zebra da Olimpíada. A paulista de 23 anos, entretanto, vêm tendo uma acentuada evolução, e tem um futuro promissor. Se não der agora, em Londres 2012, quem sabe?
Dias de competição- Sexta-feira(15/8) e Sábado(16/8)
Última prova(800m) – Sábado(16/8), 10h45*

*-Provas no Horário de Brasília

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