Em 1950, a capital paranaense recebeu dois jogos da Copa do Mundo
A capital paranaense terá sua segunda oportunidade de fazer parte da Copa do Mundo de Futebol. A primeira ocasião aconteceu no ano de 1950, quando o Brasil aceitou sediar o mundial e dividiu o evento em seis cidades. Entre elas, estava Curitiba, escolhida para receber duas partidas, ambas pela primeira fase. Os jogos aconteceram no Estádio Durival de Britto e Silva, nome dado em homenagem ao engenheiro que coordenou a construção da obra.
A extinta Confederação Brasileira de Desportos (CBD) comandava o futebol brasileiro na época, e indicou a capital paranaense graças à forte campanha realizada, como explica o autor do livro “Futebol do Paraná, 100 anos de história”, o historiador Heriberto Machado. “A imprensa curitibana e o presidente da federação na época (Amâncio Moro) batalharam para que isso acontecesse. Foram até à CBD e reclamaram jogos na cidade”, afirma. O resultado foi que às 15h do dia 25
de junho, um domingo, a população foi ao estádio para ver Espanha 3 x 1 Estados Unidos.
José Barbosa, responsável pelo setor memorial do Paraná Clube, diz que o jogo não atingiu as expectativas. “A torcida esperava uma partida mais técnica. Porém, todos gostaram do acontecimento em si”. Quatro dias depois, Paraguai e Suécia empataram em 2 x 2 no mesmo Durival de Britto. Segundo Barbosa, o público foi menor porque era uma quinta-feira. “Era dia de serviço. Ainda assim, o entusiasmo não foi menor. Quem podia, compareceu”, afirma.
Os ingressos tinham preço compatível ao setor do estádio, havia as cadeiras numeradas, a arquibancada e as gerais. Barbosa conta que o custo não era acessível à maioria da população. “O público era composto da classe mais abastada, as entradas não eram baratas”. Mas, Machado explica que o preço não afastou as pessoas. “De fato era mais caro do que um jogo normal. Não houve, contudo, quem dissesse que era abusivo, já que se tratava de algo único”.
A extinta Confederação Brasileira de Desportos (CBD) comandava o futebol brasileiro na época, e indicou a capital paranaense graças à forte campanha realizada, como explica o autor do livro “Futebol do Paraná, 100 anos de história”, o historiador Heriberto Machado. “A imprensa curitibana e o presidente da federação na época (Amâncio Moro) batalharam para que isso acontecesse. Foram até à CBD e reclamaram jogos na cidade”, afirma. O resultado foi que às 15h do dia 25
José Barbosa, responsável pelo setor memorial do Paraná Clube, diz que o jogo não atingiu as expectativas. “A torcida esperava uma partida mais técnica. Porém, todos gostaram do acontecimento em si”. Quatro dias depois, Paraguai e Suécia empataram em 2 x 2 no mesmo Durival de Britto. Segundo Barbosa, o público foi menor porque era uma quinta-feira. “Era dia de serviço. Ainda assim, o entusiasmo não foi menor. Quem podia, compareceu”, afirma.
Os ingressos tinham preço compatível ao setor do estádio, havia as cadeiras numeradas, a arquibancada e as gerais. Barbosa conta que o custo não era acessível à maioria da população. “O público era composto da classe mais abastada, as entradas não eram baratas”. Mas, Machado explica que o preço não afastou as pessoas. “De fato era mais caro do que um jogo normal. Não houve, contudo, quem dissesse que era abusivo, já que se tratava de algo único”.
A cidade na Copa
Curitiba não passou por alterações físicas para receber o mundial, como esclarece o historiador: “Praticamente não havia torcedores de fora, o público era todo curitibano. As seleções chegavam, passavam uma noite em um hotel, jogavam e viajavam novamente”. Ele avalia que era muito mais simples ser sede de Copa. “Tudo o que a organização exigia da cidade era um estádio com arquibancada e um vestiário”.
A imprensa, segundo ele, abraçou o evento. “Naquela época, não houve quem fosse contra o mundial. Os jornais escreviam artigos enaltecendo a Copa. Curitiba era pequena, tinha 150 mil pessoas, e receber um evento de porte mundial era um grande acontecimento”.
Curitiba não passou por alterações físicas para receber o mundial, como esclarece o historiador: “Praticamente não havia torcedores de fora, o público era todo curitibano. As seleções chegavam, passavam uma noite em um hotel, jogavam e viajavam novamente”. Ele avalia que era muito mais simples ser sede de Copa. “Tudo o que a organização exigia da cidade era um estádio com arquibancada e um vestiário”.
A imprensa, segundo ele, abraçou o evento. “Naquela época, não houve quem fosse contra o mundial. Os jornais escreviam artigos enaltecendo a Copa. Curitiba era pequena, tinha 150 mil pessoas, e receber um evento de porte mundial era um grande acontecimento”.
O palco da festa
A escolha do estádio Durival de Britto e Silva aconteceu apenas um ano ap
ós sua inauguração. De acordo com José Barbosa, o estádio foi indicado justamente por ser recém-inaugurado. “A construção era nova, e foi considerada a mais adequada para receber os jogos”, diz ele. A obra, concluída em janeiro de 1947, foi construída pela Rede Ferroviária, de acordo com Heriberto Machado. “A empresa, estatal, executou toda a obra. Eles bancaram os materiais e o trabalho, além de serem os proprietários do terreno”, afirma o historiador.
A capacidade oficial à época da Copa era de dez mil pessoas, mas Machado conta que havia torcedores a mais. “Quando o estádio tem arquibancada e gerais, como era o caso, sempre podem entrar mais pessoas do que o estimado”. De acordo com o escritor e pesquisador, o público do primeiro jogo ultrapassou 15 mil pessoas porque foram acrescentadas arquibancadas tubulares. “Em 1950, havia no estádio uma concha acústica, espaço destinado a shows. No espaço, instalaram as tubulares, estrutura semelhante à de um circo”, explica. Barbosa conta que uma orquestra tocou na concha acústica no primeiro jogo. “Após a apresentação, torcedores ocuparam o local. Infelizmente, a concha acústica seria removida posteriormente”, lamenta ele.
Barbosa admite que, para a Copa 2014, o estádio de fato não é o mais indicado. “O Durival de Britto, hoje, não é o mais moderno. Ainda assim, é apto para ser local de treinamento”, conclui.
A escolha do estádio Durival de Britto e Silva aconteceu apenas um ano ap
A capacidade oficial à época da Copa era de dez mil pessoas, mas Machado conta que havia torcedores a mais. “Quando o estádio tem arquibancada e gerais, como era o caso, sempre podem entrar mais pessoas do que o estimado”. De acordo com o escritor e pesquisador, o público do primeiro jogo ultrapassou 15 mil pessoas porque foram acrescentadas arquibancadas tubulares. “Em 1950, havia no estádio uma concha acústica, espaço destinado a shows. No espaço, instalaram as tubulares, estrutura semelhante à de um circo”, explica. Barbosa conta que uma orquestra tocou na concha acústica no primeiro jogo. “Após a apresentação, torcedores ocuparam o local. Infelizmente, a concha acústica seria removida posteriormente”, lamenta ele.
Barbosa admite que, para a Copa 2014, o estádio de fato não é o mais indicado. “O Durival de Britto, hoje, não é o mais moderno. Ainda assim, é apto para ser local de treinamento”, conclui.
A população curitibana entusiasmou-se com o evento. “Em ambos os jogos, o público e a renda foram maiores do que a CBD esperava”, conta o pesquisador da história do futebol paranaense. Ele afirma que apenas a derrota da seleção brasileira para o Uruguai, no Rio de Janeiro, foi decepção. “Certamente o resultado abalou a todos. Exceto por isso, o público em geral ficou satisfeito”.
Para Barbosa a Copa de 1950 passou quase sem deixar marcas. “Não houve um legado. A CBD reconheceu a organização de Curitiba através de um telegrama, mas não houve nenhuma mudança na cidade com o torneio”, lembra ele.
Segundo Heriberto Machado, existe muita diferença entre aquela situação e 2014. “O mundial hoje é um megaevento, que pouco tem a ver com aquele de 1950. A Copa do Mundo é hoje, acima de tudo, uma grande empreitada”, finaliza.
Rafael Neves
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