Na próxima terça-feira, dia 30, terminam os IX Jogos Sul-Americanos, em Medellín, Colômbia. A competição continental, que reúne quase todos os esportes olímpicos e alguns outros, têm passado despercebida pelo público brasileiro.
Não é para menos. O único can
al de TV que está acompanhando os Jogos é a Record, que deixa o grosso da transmissão a cargo da Record News. Canal 46 para quem tem uma parabólica, eles transmitiram a maioria das provas das Olimpíadas de Inverno desse ano. A Record, na programação aberta, passava quase somente Reprises, em horários longe da programação nobre. Desta vez, tem dedicado um horário às 16h, de segunda a sexta, para falar dos jogos. Confesso que não pude assistir a muita coisa, quem é que pode ver tevê livremente no meio da tarde?
É difícil, também, achar informações sobre o evento. Até mesmo a Wikipédia, que é hoje mais onisciente que qualquer jornal, não dispõe de muito conteúdo a respeito. Tem apenas informações básicas sobre a estrutura da competição, mas dá pouquíssimos detalhes e não possui a biografia de quase nenhum atleta. O próprio site oficial de Medellín 2010 mostra lapsos de informação.
Sem dúvida, já é o bastante para a Grande Mídia ter que tirar espaço dos seus Reality Shows e novelas repetidas para dar um pouco de atenção aos Pan-Americanos, principalmente se forem sediados no Rio de Janeiro. Não se pode esperar o mesmo de uma competição anônima, ausente de figurinhas carimbadas como César Cielo, Maurren Maggi e Jade Barbosa. Com quem o torcedor brasileiro vai se identificar?
Quem participa disso?
Falta prestígio a esses Jogos. Apesar de reunir atletas de toda a América do Sul, a maioria das provas conta com poucos participantes. Algumas delas chegaram a ter apenas quatro competidores, ou seja, só um não levou medalha. Como a sede é a Colômbia, eles colocam gente a mais em todas as provas, o que explica o massacre no quadro de medalhas. Olimpíadas? Na última, os colombianos só ganharam uma prata e um bronze.
O Brasil vem logo atrás no quadro de medalhas, embora tenha levado uma delegação bem heterogênea. Nomes famosos, como Diego Hipólito, Joana Maranhão e Thiago Pereira, misturam-se com completos estranhos para a torcida brasileira. É claro que há muita gente jovem e talentosa se destacando, mas será preciso mais que uma medalha em Jogos Sul-Americanos para que o Esporte Espetacular vá entrevistá-los no quintal da casa deles.
Alguns esportes fixam um limite máximo de idade. Varia de acordo com a modalidade (exemplos: no basquete é de 18, no atletismo e no futebol é de 23, e alguns, como ginástica e natação, são abertos), mas de modo geral é um evento voltado às revelações. Nos esportes em que o Brasil se destaca pouco, foram enviados nossos melhores atletas, que em geral dominam o cenário Sul-Americano. Outras modalidades, no entanto, são um desfile de adolescentes competindo.
O Brasil deve passar da marca de 100 ouros conquistados. A maior parte, por uma turma de quem jamais se ouviu falar. Alguém aí conhecia o nadador Leonardo de Deus, 18 anos de idade, antes de derrotar Thiago Pereira nos 200m borboleta? Ou o arqueiro Bernardo Oliveira, dezesseis anos na cara e seis medalhas penduradas no pescoço? Ou ainda alguma jogadora da equipe feminina sub-18 do basquete, que levou ouro vencendo todas as partidas?
Não é para menos. O único can
al de TV que está acompanhando os Jogos é a Record, que deixa o grosso da transmissão a cargo da Record News. Canal 46 para quem tem uma parabólica, eles transmitiram a maioria das provas das Olimpíadas de Inverno desse ano. A Record, na programação aberta, passava quase somente Reprises, em horários longe da programação nobre. Desta vez, tem dedicado um horário às 16h, de segunda a sexta, para falar dos jogos. Confesso que não pude assistir a muita coisa, quem é que pode ver tevê livremente no meio da tarde?É difícil, também, achar informações sobre o evento. Até mesmo a Wikipédia, que é hoje mais onisciente que qualquer jornal, não dispõe de muito conteúdo a respeito. Tem apenas informações básicas sobre a estrutura da competição, mas dá pouquíssimos detalhes e não possui a biografia de quase nenhum atleta. O próprio site oficial de Medellín 2010 mostra lapsos de informação.
Sem dúvida, já é o bastante para a Grande Mídia ter que tirar espaço dos seus Reality Shows e novelas repetidas para dar um pouco de atenção aos Pan-Americanos, principalmente se forem sediados no Rio de Janeiro. Não se pode esperar o mesmo de uma competição anônima, ausente de figurinhas carimbadas como César Cielo, Maurren Maggi e Jade Barbosa. Com quem o torcedor brasileiro vai se identificar?
Quem participa disso?
Falta prestígio a esses Jogos. Apesar de reunir atletas de toda a América do Sul, a maioria das provas conta com poucos participantes. Algumas delas chegaram a ter apenas quatro competidores, ou seja, só um não levou medalha. Como a sede é a Colômbia, eles colocam gente a mais em todas as provas, o que explica o massacre no quadro de medalhas. Olimpíadas? Na última, os colombianos só ganharam uma prata e um bronze.
O Brasil vem logo atrás no quadro de medalhas, embora tenha levado uma delegação bem heterogênea. Nomes famosos, como Diego Hipólito, Joana Maranhão e Thiago Pereira, misturam-se com completos estranhos para a torcida brasileira. É claro que há muita gente jovem e talentosa se destacando, mas será preciso mais que uma medalha em Jogos Sul-Americanos para que o Esporte Espetacular vá entrevistá-los no quintal da casa deles.
Alguns esportes fixam um limite máximo de idade. Varia de acordo com a modalidade (exemplos: no basquete é de 18, no atletismo e no futebol é de 23, e alguns, como ginástica e natação, são abertos), mas de modo geral é um evento voltado às revelações. Nos esportes em que o Brasil se destaca pouco, foram enviados nossos melhores atletas, que em geral dominam o cenário Sul-Americano. Outras modalidades, no entanto, são um desfile de adolescentes competindo.
O Brasil deve passar da marca de 100 ouros conquistados. A maior parte, por uma turma de quem jamais se ouviu falar. Alguém aí conhecia o nadador Leonardo de Deus, 18 anos de idade, antes de derrotar Thiago Pereira nos 200m borboleta? Ou o arqueiro Bernardo Oliveira, dezesseis anos na cara e seis medalhas penduradas no pescoço? Ou ainda alguma jogadora da equipe feminina sub-18 do basquete, que levou ouro vencendo todas as partidas?
A esperança mora ao lado
Tem gente de Curitiba brilhando em Medellín, conquistando feitos
que não devem chegar aos ouvidos de um décimo da população. É o caso de Ethiene Franco, ginasta de 17 anos que ainda vive e treina aqui, embora pouca gente saiba. Ela já representou o Brasil na Olimpíada 2008 e foi ouro em Medellín na competição por equipes, mas é menos conhecida do que qualquer centroavante do futebol paranaense.
Tem gente de Curitiba brilhando em Medellín, conquistando feitos
que não devem chegar aos ouvidos de um décimo da população. É o caso de Ethiene Franco, ginasta de 17 anos que ainda vive e treina aqui, embora pouca gente saiba. Ela já representou o Brasil na Olimpíada 2008 e foi ouro em Medellín na competição por equipes, mas é menos conhecida do que qualquer centroavante do futebol paranaense. Outro caso: Hederson Estefani, do atletismo. Alcunhado de Jadel (em alusão ao nosso maior representante do Salto Triplo há quase uma década), o curitibano que atingiu a maioridade no ano passado levou duas pratas da cidade colombiana, nos 400m rasos e no revezamento 4 x 400m. 
Não será surpresa, para alguns poucos jornalistas, se nomes como estes sejam destaques nas Olimpíadas de 2012 ou de 2016. Mas a maioria obviamente não faz ideia de quem sejam, e só ficarão por dentro da carreira de cada um quando alcançarem o patamar de grandes astros.
Pessoas como Giba, do vôlei de quadra, e Emmanuel, da praia, Natália Falavigna do Taekwondo, Vanderlei Cordeiro das corridas de fundo, e o próprio Jadel Gregório, entre outros. São todos paranaenses que alcançaram renome mundial, mas a partir de quando? A mídia já os acompanhava quando eram juvenis?
Quando o Brasil saiu das Olimpíadas-2008 com apenas três ouros, não faltou quem reclamasse e dissesse que o Brasil só é bom mesmo no futebol. Talvez a solução comece pelo público, apoiando um pouco mais os nossos futuros herois olímpicos, para que de fato se tornem herois olímpicos.
Temos que lembrar que a Olimpíada virá para cá em 2016, queiram ou não os críticos. Se ninguém der bola para os novos atletas, é óbvio que a mídia não vai se interessar, a grana de patrocínios e de transmissões não vai chegar até eles, e o Brasil vai continuar conquistando em média três ouros por Olimpíada.
Será que os Jogos-2016 poderão ser um evento transformador para o país (desejo que deve existir em cada brasileiro patriota), daqui a breves seis anos, se a coisa continuar do jeito que está?
Rafael Neves

Não será surpresa, para alguns poucos jornalistas, se nomes como estes sejam destaques nas Olimpíadas de 2012 ou de 2016. Mas a maioria obviamente não faz ideia de quem sejam, e só ficarão por dentro da carreira de cada um quando alcançarem o patamar de grandes astros.
Pessoas como Giba, do vôlei de quadra, e Emmanuel, da praia, Natália Falavigna do Taekwondo, Vanderlei Cordeiro das corridas de fundo, e o próprio Jadel Gregório, entre outros. São todos paranaenses que alcançaram renome mundial, mas a partir de quando? A mídia já os acompanhava quando eram juvenis?
Quando o Brasil saiu das Olimpíadas-2008 com apenas três ouros, não faltou quem reclamasse e dissesse que o Brasil só é bom mesmo no futebol. Talvez a solução comece pelo público, apoiando um pouco mais os nossos futuros herois olímpicos, para que de fato se tornem herois olímpicos.
Temos que lembrar que a Olimpíada virá para cá em 2016, queiram ou não os críticos. Se ninguém der bola para os novos atletas, é óbvio que a mídia não vai se interessar, a grana de patrocínios e de transmissões não vai chegar até eles, e o Brasil vai continuar conquistando em média três ouros por Olimpíada.
Será que os Jogos-2016 poderão ser um evento transformador para o país (desejo que deve existir em cada brasileiro patriota), daqui a breves seis anos, se a coisa continuar do jeito que está?
Rafael Neves
Um comentário:
poxa, escreveu esse post há bastante tempo também. Vejo que você não posta nada já faz um tempo. Nem sei se você vai ler isso, mas anyways, tá ai.
Eu sou um atleta que esteve presente nos Jogos Sulamericanos de Medellín 2010 (tenho um blog também haha). Ganhei 6 medalhas lá. 4 ouros (um deles foi um recorde), 1 prata e 1 bronze. E eu experimentei exatamente isso que você escreveu: ninguém no Brasil sabia de nada. Nem sabiam que esses jogos existiam. Me perguntavam para onde eu tinha viajado e eu explicava tudo, depois ainda perguntavam "Jogos o que?? Nossa, nunca tinha nem ouvido falar".
Por causa dos meus feitos em Medellín, a Record fez várias matérias comigo ainda lá (até porque na época eu só tinha 16 anos). Depois de gravar a maior delas me disseram que ia passar no Jornal da Record (tipo um Jornal Nacional) no dia seguinte. Liguei pro Brasil, só para avisar o meu avô que mora em João Pessoa e não vejo há anos. No fim das contas, a reportagem não passou.
Sei lá, a viagem foi muito emocionante para mim. Como atleta e como pessoa foi uma competição fabulosa, aprendi muito lá. Curti muito os momentos vividos em Medellín. Mas é decepcionante essa situação como o esporte é tratado no Brasil.
Para todo mundo só o que importa são os Jogos Olímpicos e um pouco os PanAmericanos. Mas a gente não é destaque nessas competições. Ninguém tá aí pra nossa liderança regional. As pessoas deviam parar com essa ignorância e essa mania de grandeza, de achar que só as Olimpíadas são importantes para o esporte nacional. Não veem que a preparação e o desenvolvimento é feito a partir de várias competições menores. É foda...
Tá, só queria dizer que gostei muito de ler o seu post. Achei muito legal. E também para expor o ponto de vista de um atleta.
Valeu,
até mais.
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