A cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, tem uma grande tradição esportiva. Mas a partir da próxima quinta-feira eles vão sediar algo
pela primeira vez: o Mundial Paraolímpico de Atletismo 2011.
pela primeira vez: o Mundial Paraolímpico de Atletismo 2011.Qual a relevância dessa competição? Vou fugir do batido discurso que louva os atletas paraolímpicos citando "lição de vida", "quebra de barreiras", "superação da adversidade". As pessoas enxergam a beleza em lugares diferentes. Embora eu veja beleza (e muita!) em uma pessoa cega correndo 400m ao lado de um guia, alguns não são tocados com isso. Se eu fosse um atleta paraolímpico, já estaria cansado dessa idolatria enjoativa; não vou aborrecê-los com isso.
Quero mostrar curiosidades que você não deve saber, e explicar mais ou menos como funciona uma competição paraolímpica. Você não vai achar canais de TV aberta transmitindo alguma prova.
Mas saiba que na última Olimpíada, em 2008, enquanto a delegação "normal" conquistou 3 ouros, 4 pratas e 8 bronzes, nossos Paraolímpicos saíram de Pequim com 16 ouros, 14 pratas e 17 bronzes! Mesmo proporcionalmente (nas Paraolimpíadas há mais de 470 ouros em jogo, contra 300 da Olimpíada), um banho.
Mas saiba que na última Olimpíada, em 2008, enquanto a delegação "normal" conquistou 3 ouros, 4 pratas e 8 bronzes, nossos Paraolímpicos saíram de Pequim com 16 ouros, 14 pratas e 17 bronzes! Mesmo proporcionalmente (nas Paraolimpíadas há mais de 470 ouros em jogo, contra 300 da Olimpíada), um banho.Alguns nomes você já viu em reportagens do Esporte Espetacular, e até do Jornal Nacional. Daniel Dias, por exemplo, não precisou de nenhum antebraço para ganhar 3 ouros no Cubo D'Água. André Brasil, com paralisia infantil, levou dois. Nossos cegos do Futebol-de-cinco levaram o ouro após um fantástico domínio daquela bola com um chocalho dentro. A
ntes disso, talvez tenha visto Adria dos Santos, também cega e campeã paraolímpica nas corridas de velocidade.
ntes disso, talvez tenha visto Adria dos Santos, também cega e campeã paraolímpica nas corridas de velocidade.Mas a competição de agora é só atletismo. Correr, saltar e arremessar será a tarefa dos nossos 25 herois da delegação brasieira a partir do dia 21. Não sei se a expressão "heroi" agrada muito, mas sou um apaixonado pela causa e vou mantê-la. Como se trata de competição, há sempre nomes que se destacam mais, e o protagonista é Lucas Prado. Um verdadeiro "Usain Bolt" cego, ele ganhou os 100m, os 200m rasos (assim como o raio jamaicano) e também os 400m, na última Olimpíada. Outro bom corredor é o meio-fundista Odair Santos, veterano de Atenas-2004.
Se você ficou curioso e resolveu pesquisar um pouco sobre os esportes paraolímpicos, vai ficar confuso com tantas classes e subdivisões no esporte. Um médico diria que não é nada fácil diferenciar as deficiências físicas e mentais dos seres humanos. Aqui vai algo para ajudá-lo a se orientar.
As provas são divididas nas classes T, F e P.
T - Provas de Pista (track): provas de corrida. São disputadas na tradicional pista oval de 400m.
F - Provas de Campo (field): provas de salto e de arremesso. são disputadas no espaço interno à pista.
P - Prova combinada (pentathlon): junção de cinco provas, com somatória de pontos, misturando eventos de pista e de campo.
11 a 13 - Cegos
20 - Deficientes mentais
31 a 38 - Paralisias Cerebrais (com sequelas no corpo)
41 a 46 - Deficiências nos membros, amputamentos, deficiências físicas gerais
51 a 58 - Cadeirantes
Exemplos: Terezinha Guilhermina é nossa "Lucas Prado de saias". Também uma velocista cega e campeã olímpica, ela compete nas classes T11 e T12.
T = track (prova de corrida, na pista) e 11 = deficiência visual. Lucas Prado corre nas mesmas classes.
No campo temos dois recordistas mundiais. Jonathan Santos e Shirlene Coelho. Ele, classe F40 (enquadrada nesse mundial para 41), é arremessador de peso e disco. Ela, classe F37, faz lançamento do dardo.
F = field (prova de arremesso, no campo) e 41 = Nanismo (deficiencia física classificada na categoria), e 37 = Paralisia Cerebral (37 é o nível - entre 31 e 38 - de "gravidade" da paralisia no qual ela se enquadra)
Espalhados por essas classes, os 25 brasileiros vão tentar superar o desempenho do Mundial de 2006, em Assen (Holanda), quando tivemos 25 medalhas, mas apenas 4 de ouro. É bem provável que essa marca seja batida.
E se você acha que esse é um universo a qual nós não temos acesso, está enganado. A Prefeitura de Curitiba (que, apesar de alguns feios defeitos, é excelente incentivadora do esporte) realiza anualmente os Jogos Especiais da SMEL. O Jornal Comunicação UFPR fez uma matéria muito bacana sobre a competição do ano passado, em novembro de 2010.
Fica o meu grande parabéns para a SMEL, as escolas de deficientes, as associações e os apoiadores dessa causa nobre. Não quero cair no discurso manjado, mas vocês merecem uma sincera admiração.
Goalball é um esporte exclusivo para cegos. Assista a uma demonstração
Um comentário:
Excelente post, Rafael! Parabéns!
Grande sorriso,
Ananda Rope.
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