quarta-feira, 27 de abril de 2011

História Pitoresca do Esporte Mundial - 6


Hoje a história pitoresca é sobre futebol brasileiro. Se você é um torcedor com 20 anos de idade ou mais, deve se lembrar desse episódio:

Disk-Marcelinho

Marcelinho Carioca tinha 23 anos de idade quando foi vendido do Flamengo para o Corinthians, em 1994. No Parque São Jorge, depois de três ótimas temporadas, quis dar um passo adiante e iniciou sua aventura européia acertando com o Valência, da Espanha, pela impressionante quantia de 7 milhões de dólares.

Sua força de vontade em jogar pelo clube castelhano talvez não fosse das maiores, porque lá ele atuou em apenas cinco partidas ao longo de uma temporada, esteve fora de forma e amargou o banco de reservas. Já em 1998, só pensava em voltar ao Brasil. E quem foi que repatriou o jogador? Se você disse “o Corinthians”, a resposta está errada.

O passe de Marcelinho Carioca foi adquirido pela Federação Paulista de Futebol, então presidida pelo bigodudo e pouco carismático Eduardo José Farah. Foi a Federação que recomprou o Pé-de-Anjo pelo mesmo preço com o qual ele tinha saído do Timão, e claro, a ideia era ganhar dinheiro com isso. Para tanto, criaram uma coisa chamada Disk-Marcelinho.

O Disk-Marcelinho era o seguinte. Pela módica quantia de três reais, qualquer pessoa poderia ligar para um número 0900 e votar em qual dos quatro grandes do Estado de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos) deveria ser o novo lar de Marcelinho. Com esse ardil, esperavam arrecadar 15 milhões de reais em ligações, o que seria mais ou menos o equivalente ao que foi gasto para tirar o craque do Valência.

Depois de doze dias de ligações, o veredicto: torcedores da Fiel demonstraram satisfação com o período em que Marcelinho esteve lá e esmagaram a votação com 62,5% do total. Foram seguidos de longe por torcedores do São Paulo (20,3%), Santos (9,5%), onde ele ainda iria jogar anos mais tarde, e Palmeiras (7,7%).

O faturamento total da brincadeira foi inferior a 2 milhões de reais, ou seja, mal deu 10% do que a FPF gastou para repatriar Marcelinho. A receita foi ainda menor porque aconteceu o sorteio de cinco carros Audi, previstos no regulamento. Mó prejú, meu! Eduardo José Farah, chefão da FPF, perdeu a eleição em 2003 e largou o futebol para sempre. Até hoje.

A boa notícia

Os corintianos é que não tiveram motivos para reclamar, pois foi nos três anos seguintes que Marcelinho viveu a melhor fase da sua carreira. Comandado por ele em campo, o Timão ganhou dois Brasileiros (98-99), um Paulistão (99), e aquele legítimo, íntegro, honesto e incontestável Mundial de Clubes da FIFA, em 2000. Marcelinho arrebentou e foi a estrela de todas estas competições.

Disk-Asilo

Em 2007, uma Federação um pouco menos glamorosa, a Goiana, tentou repetir o sistema. Era o "Projeto Craques do Goianão". Funcionou de uma maneira um pouco diferente: a Federação de Goiás contratou, no final de 2006, alguns astros do futebol brasileiro para atuar no campeonato estadual do ano seguinte. Foram contratados doze jogadores, e os torcedores ligavam para escolher um clube (no caso, seu time do coração). O clube mais votado seria o primeiro a escolher entre os doze craques, o segundo escolheria entre as opções restantes, e assim por diante.

E se você acha estranho que as maiores estrelas do Brasil joguem em clubes como Itumbiara, Crac e Anapolina, a explicação é a seguinte: os tais craques estavam um pouco, digamos, fora do prazo de validade.

A menina dos olhos da votação, como alguns já podem ter deduzido, era Túlio Maravilha, que já contava 37 anos no costado e quase 30 clubes na carreira. Os outros eram Sinval (39 anos), Paulinho Kobayashi (36), Aldrovani (34), Gian (32), Alex Oliveira (32), Yan (31), Fábio Luís (30), Tiano (29), Anaílson (28), Bruno Reis (28) e Esley (27).

Primeira surpresa: o time mais votado nas ligações, com mais de 38% do total, foi o Canedense, da segunda divisão goiana. O time escolheu, sem pestanejar, a estrela Túlio Maravilha para compor seu elenco. Segunda surpresa: o Goiás ficou apenas em sexto lugar na votação, de modo que coube a eles adquirir o meio-campista Gian. Túlio já havia sido realmente útil ao Canedense, seus gols ajudaram o time a voltar à elite do futebol de Goiás.

O período de votação durou um mês e registrou quase 100 mil telefonemas. Além de ter contratado os jogadores, a Federação pagou seus salários, que variavam entre 15 mil e 30 mil reais, durante o Goianão 2007. A intenção do Projeto era dar mais visibilidade e atrair público aos jogos do campeonato. Quanto a isso, pode-se dizer que funcionou. A média de público do Goianão daquele ano foi superior até à do Campeonato Paulista. Hoje, a média gira em torno de 5.000 torcedores.

Túlio, um guri de quase 42 anos que já é vereador de Goiânia, está sem clube. Mas ainda não anunciou aposentadoria. Marcelinho já, apesar de ser dois anos mais novo.

Um comentário:

Unknown disse...

hahaha Disk Marcelinho é sacanagem! já tinha ouvido falar, mas nao tinha ideia do quanto era burro esse Farah, não é a toa que hoje em dia nem escreve a palavra bola, de tanta vergonha que ja passou. Agora, 2 milhões? aí teve um desvio de verba hein... Bom mesmo é o Juninho que acabou de acertar com o Vasco por um Salário Mínimo, e um vale gás! Mas o vale gás só eu sei que ele recebe! hahaha