quarta-feira, 13 de agosto de 2008

OLIMPÍADAS 2008 - GINÁSTICA ARTÍSTICA FEMININA

Brasil fica em 8•, mas faz história

Nunca a Ginástica do Brasil havia sido finalista

A conquista de uma medalha era improvável, e de fato não aconteceu. As Brasileiras fizeram o possível, mas acabaram a competição por equipes all-around da Ginástica na oitava colocação. O fato de estar na final, entretanto, mostra a face de um dos esportes que mais evoluíram no Brasil no século XXI.

Esta presença na final coroa o belo trabalho feito pela CBG(Confederação Brasileira de Ginástica), dos técnicos ucranianos Irina e Oleg Ostapenko na última década. Premia também claro, a excelente geração de ginastas que emergiram, especialmente no feminino(embora o masculino não tenha deixado de produzir seus heróis, como Diego Hypólito), e inseriram o Brasil no contexto internacional da Ginástica Artística. Esta geração pioneira, encabeçada por Daiane dos Santos e, principalmente, Daniele Hypólito, a heroína que representa o Brasil desde Sydney-2000 e abriu caminho para a talentosa remessa de atletas que ontem levou o Brasil aonde nunca havia ido antes.
As atenções do mundo, contudo, voltaram-se não para a equipe brasileira, que esteve longe do pódio, mas sim para o eletrizante duelo entre as equipes de China e EUA. Estes países não estão protagonizando duelos apenas na Ginástica, mas em toda a Olimpíada, no quadro de medalhas, e no quadro Geopolítico Mundial, pela posição de maior superpotencia economica.

A disputa, já sabia-se que seria acirrada, disputada ponto a ponto. Os EUA contavam com performances sensacionais de Natia Liukin, Alicia Sacramone e, especialmente, Shawn Johnson, de 16 anos, favorita para o Ouro no individual geral. Entre as chinesas, os nome mais notável era Fei Cheng, também candidata ao título de maior ginasta da Olimpíada, e outras cinco superatletas.

EUA e China compartilhavam o mesmo turno nos aparelhos. O primeiro aparelho delas foi o salto sobre a mesa. Na somatória das notas do aparelho, as Americanas conquistaram 0.525 ponto a mais do que a China, começando na liderança. As Americanas teriam a melohr performance do aparelho entre todas as concorrente.

O aparelho seguinte que elas enfrentaram foi o de Barras Assimétricas. Mais uma vez, tanto chinesas quanto Americanas deram verdadeiros shows. He Kexin, da China, apresentou uma performance que entrou para o hall dos mais brilhantes exercícios da História Olímpica. Nastia Liukin, dos EUA, respondeu ao desafio e tirou uma nota ainda maior do que a chinesa. Ainda assim, a China derrotou os EUA neste aparelho por 1.65 ponto, uma diferença relativamente grande que viria a fazer grande diferença no final. Ao final do segundo aparelho, as chinesas lidravam por 1.125 ponto.


Terceiro aparelho da disputa: a temida prova da trave de equilíbrio. Este já é o aparelho mais tenso do programa naturalmente, e um incidente viria a jogar uma dose extra de emoção ao embate. A China apresentou-se antes dos EUA. A estrela chinesa Fei Cheng, que prometia uma performance espetacular, desequilibrou-se e caiu do aparelho, fazendo os fanáticos torcedores chineses prenderem a respiração nas arquibancadas. O mau resultado de Cheng jogou uma pressão enorme sobre as outras duas chinesas do aparelho, Shanshan Li e Linlin Deng. As duas, contudo, fizeram rotinas impecáveis, e restabeleceram a esperança de ouro para os anfitriões. As Americanas vieram a seguir, com a torcida chinesa secando as 3 ginastas. A primeira, Alicia Sacramone, foi motivo de extrema alegria. Para a China. Logo na sua entrada no aparelho, um salto mortal de costas, Sacramone desequilibrou-se e caiu, equivalendo um grande erro para cada lado. Shawn Johnson, a queridinha dos EUA, recolocou o time no páreo com uma apresentação fantástica. Assim, os EUA descontam 0.125 ponto da vantagem chinesa, e estão exatamente 1 ponto atrás.

Para vencer, as Americanas teriam que descontar este ponto na última e decisiva prova, o solo. As americanas entraram sabendo que teriam que executar suas séries com primazia para tirar o Ouro da China. Pressionada por essa "obrigação", Alicia Sacramone acabou falhando mais uma vez. Resolvendo arriscar sua rotina de elevadíssima dificuldade, Sacramone acabou tombando na aterrissagem de um de seus magníficos saltos. Foi um abalo. Mesmo com boas performances de Shawn Johnson e Nastia Liukin, as Americanas precisariam que as chinesas fizessem uma apresntação muito ruim e cometessem graves erros para ficar com o Ouro.

Com o apoio da torcida, a China evitou qualquer desastre, e superou as Americanas novamente. Quando Fei Cheng, a última a se apresentar no aparelho, encerrou seu exercício, a torcida explodiu de alegria. O Ouro era da China.

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