Maratona cai no gosto dos curitibanos
Realizada no fim de novembro, a Maratona de Curitiba reuniu até estrangeiros
Ao contrário do que pode se imaginar, o atletismo é muito praticado no Brasil. E a crescente quantidade de participantes em corridas de rua atesta sua popularidade. A Prefeitura de Curitiba realiza, desde 1997, a Maratona de Curitiba - que em 2008 ocorreu no mês passado, em 23 de novembro. Desde a primeira edição da prova, a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL) vem à frente da organização do evento, que atualmente reúne 5.000 atletas
O participante pode escolher uma das três categorias: a Maratona, propriamente dita (42,195 km), a corrida de 10 km ou a caminhada de 5 km. Efetuada a inscrição, o atleta recebe um kit, que consiste de uma camiseta da prova e um “chip” para cronometrar o tempo. Os melhores colocados recebem prêmios em dinheiro, que variam conforme a posição.
Experiência de organizador
Há doze anos na organização do evento, o professor João Egdoberto Siqueira, conhecido no
atletismo brasileiro como Professor Siqueira, destaca o que evoluiu. “Ao longo do tempo, pudemos aperfeiçoar o percurso pelas ruas da cidade, visando evolução no conforto e no desempenho dos atletas. Além disso, pudemos avaliar melhor um traçado que interfira menos no trânsito da cidade, embora saibamos que é inviável reduzir essa interferência ao extremo, pois é uma prova de 42 quilômetros”. Sintetizando, a organização foi aprendendo como se faz uma boa prova. “Certamente ganhamos experiência, já que o comprometimento de quem trabalha permanece o mesmo”.
Siqueira destaca que alguns fatores externos, como o clima, ajudaram a agregar experiência aos organizadores. “Logo na primeira edição, choveu do início ao fim. Tivemos mais dificuldades do que o esperado, mas foi muito bom pelo aprendizado. A segunda vez foi em 2000, quando, apesar da chuva, foi batido o recorde do Masculino”. Não apenas a chuva, contudo, influi na participação dos atletas, segundo Siqueira. “Neste ano, aparentemente o tempo estaria mais fresco, mas acabou saindo sol. Para os corredores de elite, que obtém tempos mais rápidos, não pesa tanto, mas o pessoal que demora de 4 a 5 horas já sofre mais com o calor”.
Atletas de outros países
Apesar de o clima não ser ideal, a Maratona de Curitiba atrai muitas pessoas de fora, não apenas de Curitiba, como do Paraná ou do Brasil. A vencedora da Maratona feminina de 2008, por exemplo, foi a queniana Jacqueline Chebor, que já havia vencido em 2007. De acordo com o Professor Siqueira, a participação dos atletas que não vivem em Curitiba sempre foi predominante. “A maior participação sempre foi de atletas de fora da capital, obviamente não de um único local, mas entre 60% e 70% das inscrições para a prova da Maratona são preenchidas por estes atletas”. Siqueira avalia que cerca de metade dos corredores vêm de fora do Paraná. “Entre os 2.000 atletas que, em média, correm a Maratona a cada ano, gira em torno de 50% a porcentagem de atletas paranaenses”.
Outro de fora do Paraná foi o vencedor da categoria masculina: Claudir Rodrigues, que fechou os mais de 42 quilômetros em 2h17min58, é do Rio Grande do Sul.
Cadeirantes também têm seu espaço
Também ganhou notoriedade o campeão da categoria dos cadeirantes, Jaciel Antônio Paulino. Pernambucano da pequena Santa Maria do Cambucá, o atleta de 35 anos de idade cruzou a linha de chegada em 2h13min32s. Jaciel, que venceu a prova pela primeira vez, conta que na verdade sua especialidade são provas curtas, como os 100m. “Foi só a partir da metade deste ano que eu comecei a treinar especificamente para provas de fundo (provas de longa distância), apesar de já ter participado da Maratona de Curitiba 2007”.
O pernambucano, que logo na largada tomou a ponta e a manteve até o final, elogiou a mudança no percurso da prova. “A princípio achava este percurso difícil, mas já vi alguns piores, e concluí que aqui é um ótimo lugar para conseguir um bom resultado”. Tendo vencido em 2007 a famosa corrida de São Silvestre (cujo percurso é de 15 km), Jaciel agora está focado na edição 2008 da prova. Segundo ele, haverá uma diminuição na carga de treinamento nas próximas semanas, como preparação. “Vinha fazendo, nos treinos anteriores à Maratona, algo entre 100 km e 120 km por semana. Agora, com a perspectiva da São Silvestre, o ritmo cai, pois a distância da prova é menor, mas há mais subidas, portanto vamos direcionar os treinos neste sentido”, conclui.
Jaciel participou, no dia 2 de novembro, da Maratona de Nova Iorque, a mais badalada do mundo. Na prova, que contou com mais de 100 atletas de duas categorias com necessidades especiais, ele presenciou o crescimento da popularidade da categoria de cadeirantes. Antes da prova de Curitiba, ele avaliou a participação dos cadeirantes em torno de 10 atletas. Acertou em cheio. A prova está crescendo em popularidade aqui também (ano passado foram 7 participantes). Também ascendente foi a participação da categoria para pessoas com necessidades especiais. De acordo com Natel Cardoso dos Santos, que trabalha como Staff para a categoria, a Maratona de Curitiba oferece ótima estrutura para estes atletas. “A estrutura com certeza mudou para melhor nos últimos dois anos, ganhamos experiência em como dar assistência aos atletas especiais”, afirma o funcionário da SMEL.
Resultado de mais uma Maratona
Na categoria principal, dos 2.300 participantes, 1.632 (entre homens e mulheres) conseguiram completar a prova. Na largada, são divididos os atletas de elite, a maioria deles profissional, que apresentam uma marca em competições anteriores para largar num grupo um pouco à frente dos demais corredores. Neste ano, 46 corredores largaram na elite, e são os que efetivamente brigam para vencer a prova. Os outros participantes correm por diversas motivações: lazer, fazer uma avaliação física, cuidar da saúde ou obter uma marca para, no ano seguinte, participar junto com a elite, o que é um grande desafio. Aliás, a Maratona de Curitiba está toda envolta em desafios. Antes da largada, as palavras do locutor da prova aos participantes da corrida de 10 km foram: “Em 2009, o desafio é correr a maratona”, e aos participantes da caminhada: “Ano que vem, quero ver vocês correndo os 10 km.”. Assim, a população de Curitiba vai paulatinamente descobrindo as corridas de rua, aderindo ao atletismo e a todos os benefícios que o esporte proporciona.
O participante pode escolher uma das três categorias: a Maratona, propriamente dita (42,195 km), a corrida de 10 km ou a caminhada de 5 km. Efetuada a inscrição, o atleta recebe um kit, que consiste de uma camiseta da prova e um “chip” para cronometrar o tempo. Os melhores colocados recebem prêmios em dinheiro, que variam conforme a posição.
Experiência de organizador
Há doze anos na organização do evento, o professor João Egdoberto Siqueira, conhecido no
atletismo brasileiro como Professor Siqueira, destaca o que evoluiu. “Ao longo do tempo, pudemos aperfeiçoar o percurso pelas ruas da cidade, visando evolução no conforto e no desempenho dos atletas. Além disso, pudemos avaliar melhor um traçado que interfira menos no trânsito da cidade, embora saibamos que é inviável reduzir essa interferência ao extremo, pois é uma prova de 42 quilômetros”. Sintetizando, a organização foi aprendendo como se faz uma boa prova. “Certamente ganhamos experiência, já que o comprometimento de quem trabalha permanece o mesmo”.Siqueira destaca que alguns fatores externos, como o clima, ajudaram a agregar experiência aos organizadores. “Logo na primeira edição, choveu do início ao fim. Tivemos mais dificuldades do que o esperado, mas foi muito bom pelo aprendizado. A segunda vez foi em 2000, quando, apesar da chuva, foi batido o recorde do Masculino”. Não apenas a chuva, contudo, influi na participação dos atletas, segundo Siqueira. “Neste ano, aparentemente o tempo estaria mais fresco, mas acabou saindo sol. Para os corredores de elite, que obtém tempos mais rápidos, não pesa tanto, mas o pessoal que demora de 4 a 5 horas já sofre mais com o calor”.
Atletas de outros países
Apesar de o clima não ser ideal, a Maratona de Curitiba atrai muitas pessoas de fora, não apenas de Curitiba, como do Paraná ou do Brasil. A vencedora da Maratona feminina de 2008, por exemplo, foi a queniana Jacqueline Chebor, que já havia vencido em 2007. De acordo com o Professor Siqueira, a participação dos atletas que não vivem em Curitiba sempre foi predominante. “A maior participação sempre foi de atletas de fora da capital, obviamente não de um único local, mas entre 60% e 70% das inscrições para a prova da Maratona são preenchidas por estes atletas”. Siqueira avalia que cerca de metade dos corredores vêm de fora do Paraná. “Entre os 2.000 atletas que, em média, correm a Maratona a cada ano, gira em torno de 50% a porcentagem de atletas paranaenses”.
Outro de fora do Paraná foi o vencedor da categoria masculina: Claudir Rodrigues, que fechou os mais de 42 quilômetros em 2h17min58, é do Rio Grande do Sul.
Cadeirantes também têm seu espaço
Também ganhou notoriedade o campeão da categoria dos cadeirantes, Jaciel Antônio Paulino. Pernambucano da pequena Santa Maria do Cambucá, o atleta de 35 anos de idade cruzou a linha de chegada em 2h13min32s. Jaciel, que venceu a prova pela primeira vez, conta que na verdade sua especialidade são provas curtas, como os 100m. “Foi só a partir da metade deste ano que eu comecei a treinar especificamente para provas de fundo (provas de longa distância), apesar de já ter participado da Maratona de Curitiba 2007”.O pernambucano, que logo na largada tomou a ponta e a manteve até o final, elogiou a mudança no percurso da prova. “A princípio achava este percurso difícil, mas já vi alguns piores, e concluí que aqui é um ótimo lugar para conseguir um bom resultado”. Tendo vencido em 2007 a famosa corrida de São Silvestre (cujo percurso é de 15 km), Jaciel agora está focado na edição 2008 da prova. Segundo ele, haverá uma diminuição na carga de treinamento nas próximas semanas, como preparação. “Vinha fazendo, nos treinos anteriores à Maratona, algo entre 100 km e 120 km por semana. Agora, com a perspectiva da São Silvestre, o ritmo cai, pois a distância da prova é menor, mas há mais subidas, portanto vamos direcionar os treinos neste sentido”, conclui.
Jaciel participou, no dia 2 de novembro, da Maratona de Nova Iorque, a mais badalada do mundo. Na prova, que contou com mais de 100 atletas de duas categorias com necessidades especiais, ele presenciou o crescimento da popularidade da categoria de cadeirantes. Antes da prova de Curitiba, ele avaliou a participação dos cadeirantes em torno de 10 atletas. Acertou em cheio. A prova está crescendo em popularidade aqui também (ano passado foram 7 participantes). Também ascendente foi a participação da categoria para pessoas com necessidades especiais. De acordo com Natel Cardoso dos Santos, que trabalha como Staff para a categoria, a Maratona de Curitiba oferece ótima estrutura para estes atletas. “A estrutura com certeza mudou para melhor nos últimos dois anos, ganhamos experiência em como dar assistência aos atletas especiais”, afirma o funcionário da SMEL.
Resultado de mais uma Maratona
Na categoria principal, dos 2.300 participantes, 1.632 (entre homens e mulheres) conseguiram completar a prova. Na largada, são divididos os atletas de elite, a maioria deles profissional, que apresentam uma marca em competições anteriores para largar num grupo um pouco à frente dos demais corredores. Neste ano, 46 corredores largaram na elite, e são os que efetivamente brigam para vencer a prova. Os outros participantes correm por diversas motivações: lazer, fazer uma avaliação física, cuidar da saúde ou obter uma marca para, no ano seguinte, participar junto com a elite, o que é um grande desafio. Aliás, a Maratona de Curitiba está toda envolta em desafios. Antes da largada, as palavras do locutor da prova aos participantes da corrida de 10 km foram: “Em 2009, o desafio é correr a maratona”, e aos participantes da caminhada: “Ano que vem, quero ver vocês correndo os 10 km.”. Assim, a população de Curitiba vai paulatinamente descobrindo as corridas de rua, aderindo ao atletismo e a todos os benefícios que o esporte proporciona.
Rafael Neves
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