sexta-feira, 27 de março de 2009

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O Atlético quer ser dos atleticanos

Em seu 85º aniversário, clube tem como prioridade se aproximar da torcida

No dia 26 de março de 2009, o Clube Atlético Paranaense (CAP) completa 85 anos de existência. Para comemorar, está lançando a público uma campanha cujo lema é “O Atlético é dos Atleticanos”. Todos os eventos e realizações da diretoria durante a semana de aniversário têm como objetivo principal fazer com que a torcida sinta-se mais próxima do clube. Segundo o presidente do conselho deliberativo, Gláucio Geara, a intenção é fazer com que os torcedores tratem o clube como seu patrimônio. “Nos últimos anos, pudemos sentir um afastamento do público com o clube. Sentíamos falta de diálogo com as pessoas mais importantes para o Atlético, que são os seus torcedores”, explica Geara.
Já no dia 17 de março, o Atlético divulgou o lançamento oficial da revista Furacão, com conteúdo exclusivo sobre o que se passa no clube, produzida por um conselho editorial próprio e por colaboradores. De acordo com Geara, a revista é por si própria uma iniciativa que partiu com o objetivo de aproximar o torcedor. “Ela nasce com a ideia de chamar o torcedor para o que acontece no Atlético”, afirma o presidente. Seu custo será de R$ 4,90 nas bancas. “O Departamento de Comunicação está desenvolvendo um material leve, informativo e envolvente. Queremos a torcida bem informada e por dentro da realidade do clube”.
Como parte da intenção de criar laços com a torcida, os conselheiros do Atlético engajaram-se no projeto Furacão Social, indo a comunidades carentes para fazer doações de camisetas autografadas. As ações comunitárias também fazem parte das iniciativas da semana de aniversário, que culmina com o jantar comemorativo. O ingresso, cujo valor é de R$ 35, esteve à disposição da torcida durante toda a semana. Segundo Geara, a cerimônia no restaurante Madalosso deverá ser o ápice da campanha. “A partir dali, queremos um novo relacionamento entre o Atlético e a torcida. Aliás, já é possível sentir uma aproximação do público, as pessoas têm nos apoiado”.
E a torcida, o que pensa?
Segundo Juliano Rodrigues, vice-presidente da Torcida Organizada Os Fanáticos (TOF), a proposta foi bem recebida pelos torcedores. “Nós ficamos muito felizes com a ideia de chamarem o torcedor para fazer parte do Atlético, colaborar com o Atlético”. Juliano pensa que um clube grande necessita do envolvimento de muitas pessoas. “As decisões tomadas no Atlético não podem ficar restritas a um pequeno grupo de pessoas. Quanto mais cabeças pensantes estiverem concentradas na equipe, melhor”.
A boa expectativa da torcida em relação à nova gestão não se limita às Organizadas. Henrique Sanches, torcedor assíduo do Atlético, avalia que a gestão anterior do clube não era muito prestigiada junto à torcida. “A diretoria passada pensava muito mais nos lucros e os interesses da torcida e do time eram colocados em segundo plano”. Para Sanches, a nova diretoria está sendo mais justa. “O preço do jantar de aniversário é compatível ao evento, já que muitos jogadores vão comparecer e a data vai ser marcante”.
Sanches não é o único que viu problemas na gestão anterior. O vice-presidente da TOF conta que em 2004 a diretoria dobrou o preço do ingresso para as partidas de R$ 15 para R$ 30 e a medida provocou descontentamento por parte da torcida. “A Fanáticos tomou a decisão de entrar na Justiça, através do Procon-PR, e boicotar os jogos”. A vitória foi da torcida, pois os tribunais ordenaram o clube a voltar atrás e restabelecer o preço antigo. O presidente da atual gestão avalia que o aumento, na época, não foi infundado. “Naquele momento houve necessidade. E um jogo de futebol é um evento de grande porte, e como tal deve ter um preço compatível à sua definição”. Segundo Geara, a situação hoje é diferente: “Atualmente, temos pouco mais de 21 mil cadeiras disponíveis para os torcedores, sendo que o número de sócio-torcedores, que tem ingresso garantido, é superior a 20 mil ”.
Enquanto ainda não estão concluídas as obras que deverão elevar a capacidade da Arena da Baixada para 40 mil pessoas, menos de 10% da capacidade do estádio é livre para quem queira comprar ingressos eventualmente. Segundo Henrique Sanches, isso constitui um problema. “São poucos os ingressos disponíveis a cada jogo, já houve mais de uma vez em que acabei não conseguindo comprar um, quase todo o estádio é ocupado pelos sócios”.
Se por um lado isso é um problema, por outro revela uma face de excelente interação entre a torcida e o clube. São mais de 20 mil sócio-torcedores, pessoas que pagam para ver o Atlético jogar a cada partida no “Caldeirão”. Todas as pessoas no CAP são unidas pelo mesmo desejo, que o presente de aniversário do clube seja o fortalecimento através de títulos. Como a Arena tem uma grande torcida garantida no estádio todos os jogos, não será por falta de apoio que isso deixará de acontecer.
Rafael Neves

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