segunda-feira, 15 de junho de 2009

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Sócio-torcedores restringem a capacidade 'livre' dos estádios
Clubes de futebol de Curitiba incentivam a adesão dos planos de sócios-torcedores

O Clube Atlético Paranaense (CAP) está estudando medidas para permitir que quem não é sócio-torcedor acompanhe os jogos do time dentro estádio. Isso porque, no mês de maio, o clube atingiu a total ocupação da capacidade atual de seu estádio (23.829 cadeiras) por parte dos sócio-torcedores. “A diretoria do clube deseja antes buscar a estabilidade do sistema atual. Vamos esperar a conclusão do novo setor de arquibancadas e regularizar o sistema de adesões pela Internet”, declara Fernanda Mafra, do departamento Sócio-Furacão.
No momento, a movimentação de sócios é controlada pelo processo de inadimplência. “A partir do não pagamento de uma parcela (R$50 mensais para maiores de 18 anos e R$25 para menores), o cliente tem 30 dias para acertar sua situação. Caso contrário, seu vínculo com o clube é encerrado e uma vaga é aberta. Então, o primeiro a cadastrar-se (via Internet ou no Espaço Sócio-Furacão, no estádio) torna-se sócio”, explica a responsável pelo departamento. O clube possuía, segundo ela, apenas três mil sócios em janeiro de 2008, e o atual plano foi uma transformação. “Com o atual esquema de preços e privilégios, o número de sócios teve grande crescimento, mas não foi algo imediato”, diz Fernanda.
O programa de associação do clube dá o direito ao cliente de assistir a todas as partidas no Estádio Joaquim Américo. O número de sócio-torcedores já chega, inclusive, a capacidade que o estádio terá após a conclusão do novo setor de arquibancadas em frente à Rua Brasílio Itiberê (setor para o qual a fila de espera se esgotou), obra cuja conclusão está prevista para o dia 30 de julho. Atualmente, quem não é sócio-torcedor está impossibilitado de assistir aos jogos na Arena da Baixada.
De acordo com o sócio-torcedor do CAP, Henri Ducat, cadastrado desde março de 2008, o aumento de associados foi gradativamente restringindo o acesso do público ao estádio, o que o estimulou a aderir ao plano. “Eu já estava pensando em ser sócio algumas semanas antes, por causa da mensalidade de R$25 para menores. Quando o Atlético recebeu a final do campeonato estadual foi muito difícil obter um ingresso, e isso foi o incentivo final de que eu precisava para me inscrever”, lembra ele. Quanto aos torcedores que hoje não são sócios, Ducat diz que deveriam ter agido mais rapidamente. “O esquema favorece os sócios, devido ao preço, e o clube, que garante casa cheia em todas as partidas. Quem não se associou deveria ter pensado nisso antes”, argumenta ele.
A nova situação do clube, entretanto, também encontra oposição. Guilherme Damaceno, torcedor não-associado, afirma que este vínculo não é vantajoso para qualquer pessoa. “Há torcedores que não podem ir a todas as partidas, como é o meu caso, por diversos motivos. Não é justo que a partir de agora não possamos a ir a mais nenhum jogo até que a situação mude”, reclama Damaceno. Ele diz que a diretoria deveria ter limitado a capacidade que é reservada a sócios. “O clube deveria deixar livre certa porcentagem da capacidade do estádio. Do modo como estamos, apenas 23 mil pessoas podem acompanhar os jogos, e a torcida do Atlético é muito maior do que isso. Não acho que foi uma decisão sensata”, avalia.
Situação pode acontecer em outros clubes
Embora esta situação ainda não tenha acontecido com os demais clubes de Curitiba, o atual panorama já desperta preocupação. Saulo Vergés, que é sócio-torcedor do Coritiba Foot Ball Club, acha que o clube deve impor um limite ao número de sócios na capacidade do Estádio Couto Pereira. “Nem todos têm condições financeiras para se associar, o que não significa que não apoiem o clube e não queiram ir a jogos esporádicos”, afirma Saulo. Ele diz que ser sócio traz a vantagem de não precisar entrar na fila de ingressos. “Posso ir a qualquer partida, por mais concorrida que seja, e com o meu plano de adesão, basta ir a dois jogos por mês para que a mensalidade seja vantajosa”.
A situação de Vergés é ilustrada pela diversidade de planos de sócio do Coritiba. Ele associou-se ao plano “Classic” (R$ 38 mensais), que oferece acesso livre apenas ao setor arquibancada. Assim, supondo que um torcedor não associado não possa pagar meia-entrada (privilégio reservado a menores de 12 anos, maiores de 65 ou estudantes com carteirinha), pagaria R$ 20 a cada partida, em condições normais. Dessa forma, em dois jogos este torcedor gastaria R$ 40, mais do que a mensalidade. O setor do estádio determina o preço do plano, como mostra o assessor Rodrigo Weinhardt. “O valor de cada plano de adesão é proporcional ao preço do ingresso do setor no qual o sócio deseja acompanhar os jogos”, explica ele.
No Paraná Clube, os planos de adesão fazem parte da campanha “Sempre Paraná”. Assim como no Coritiba, o preço de cada opção está condicionado ao setor do estádio. De acordo com o assessor Greisson Assunção, os sócios ocupam atualmente 25% da capacidade do Estádio Durival de Britto e Silva. Segundo informações da assessoria de comunicação, a diretoria do clube está buscando maximizar o número de sócios. Ainda de acordo com a assessoria, “a expectativa é atingir dez mil sócios até o final de 2009, e isso está sendo trabalhado através de publicidade em jornais e preços acessíveis”. Para a diretoria do Paraná Clube não existe preocupação em reservar uma parte do estádio para não associados. “Não existe um plano. No momento, nenhum setor está esgotado, mas a idéia do clube é ter um estádio 100% ocupado por sócios”, afirma o assessor de imprensa, Greisson Assunção.
Rafael Neves

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