sábado, 26 de setembro de 2009

Cidades candidatas para 2016

Rio 2016

Área – 1182 km²
População – 6.186.700 (região metropolitana – 12.000.000)
Fuso horário em relação a Brasília – 0h
Altitude – de 0m a 380m (os jogos devem concentrar-se ao nível do mar)
Temperatura média à época das Olimpíadas – Máxima – 34º C Mínima – 12º C
Pluviosidade à época das Olimpíadas – 43 mm (baixa)
Média de dias chuvosos à época das Olimpíadas – 3
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Nota da primeira vistoria – 6.4
Data da última vistoria do COI - 27 de abril a 5 de maio de 2009
Data pretendida para as Olimpíadas 2016 – 5 a 21 de agosto
Olimpíadas já sediadas – Nenhuma
Lema – “Live your passion” (viva sua paixão)

Introdução

Em 26 edições das já realizadas das Olimpíadas, os Jogos jamais foram para a América do Sul. Algumas já tentaram, Buenos Aires chegou muito perto em 1956, quando os Jogos acabaram indo para Melbourne, Austrália, por uma margem mínima de votos.
O Rio de Janeiro já tentou sediar quatro edições das Olimpíadas, 1936 (Berlim), 1940 (acabaria cancelada devido à II Guerra Mundial), 2004 (Atenas) e 2012 (Londres). O otimismo de uma vitória do Rio começa pelo fato de que a candidatura evolui. Em 2005, o COI escolheu a sede para 2012, e o Rio não passou da primeira fase da escolha. Em 2007, a cidade sediou os Jogos Pan-Americanos, que, a despeito de todos os problemas que ocorreram (e não foram poucos), foram realizados com sucesso. Agora, apesar de ter entrado na fase final com a menor nota entre as quatro concorrentes (a nota do Rio, 6.4, foi inclusive menor do que a de Doha, no Qatar, mas a candidatura da cidade foi barrada devido a problemas climáticos – temperaturas muito altas e umidade muito baixa – não solucionados, a despeito de a nota obtida ter sido 6.9), o Rio acredita nas suas chances.

Candidatura para 2016

Em primeira instância, São Paulo manifestou interesse em representar o Brasil com uma candidatura. Ambas as cidades tinham como maior experiência na bagagem a organização dos Jogos Pan-Americanos (São Paulo-1963 e Rio-2007) e de uma Copa do Mundo de Futebol (em 1950, ambas receberam jogos importantes, embora o Rio tivesse sido de longe a principal sede) para apresentar.
No dia 1º de setembro de 2006, o Comitê Olímpico Brasileiro decidiu-se pelo Rio, o que já era esperado. O principal ponto que contribui para a vitória carioca foi o fato de que a cidade é capaz de sediar todos os esportes olímpicos dentro dos limites da cidade (exceto futebol, que irá requerer estádios em Brasília, Belo Horizonte, Salvador e São Paulo caso o Rio seja escolhido), o que não é Possível é São Paulo, por não estar em área litorânea.


- O Rio apresenta como trunfo o fato de que o Brasil sediará, apenas dois anos antes da Olimpíada, a Copa do Mundo de 2014, fator que deve acelerar obrigatoriamente o desenvolvimento da cidade até lá.

- O Rio pretende (na teoria, ou pelo menos, foi o que disseram aos homens do COI) utilizar estes Jogos, acima de tudo, para inclusão social. Levar às camadas populares os esportes de elite, incrementando a infra-estrutura esportiva da cidade e sediando grandes eventos antes e depois da Olimpíada. As Olimpíadas no Rio serão divididas em quatro zonas:

Barra da Tijuca– A região será o coração dos Jogos Olímpicos. Nela serão construídas a Vila Olímpica, a sede das transmissões e a maioria dos locais de competição permanentes.

Copacabana – Copacabana irá abrigar os esportes de praia e de mar, a começar por Vôlei de Praia, passando por Iatismo, Triatlo e a Natação em mar aberto (chamada de Maratona Aquática). Em geral, serão locais de competição temporários.

Maracanã – Será o centro das Olimpíadas. O estádio homônimo será palco das cerimônias de Abertura, encerramento e das finais do futebol, o Maracnãzinho, do Vôlei, enquanto o Estádio João Havelange (o engenhão), abrigará as competições de atletismo.
Deodoro – A meta do comitê é revitalizar a região, instalando nela algumas sedes permanentes de esportes que promovam a inclusão social da população carioca através do esporte, após os Jogos. A área atualmente é cercada por dezenas de grandes favelas. O vídeo de apresentação do Rio para o COI chama a área de “bucólica”.
- O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) garante uma verba de US$ 240 bilhões para o projeto em caso do Rio ser escolhido.

- Assim como Tóquio, o Rio está também planejando instalar um acampamento para jovens durante a Olimpíada, com capacidade para 470 pessoas.

- O Brasil atualmente tem a décima economia do mundo, fator que coloca a candidatura do Rio atrás das demais cidades, já que os EUA são a maior, o Japão a segunda maior e a Espanha a oitava maior. Nenhuma delas, contudo, conta com um volume de verbas garantido tão grande quanto ao oferecido pelo PAC.

- A opinião pública quanto aos Jogos no Rio sofre uma controvérsia. Enquanto 85% dos cariocas apoiam a candidatura da cidade (é o maior índice, ao lado de Madri), apenas 69% de todos os brasileiros são a favor (ainda assim, é a segunda maior, perdendo apenas para a Espanha).

- Voluntários que pretenderem trabalhar como voluntários nas Olimpíadas poderão obter licenças de trabalho de até um mês antes dos jogos.

- O orçamento apresentado para os Jogos Olímpicos no Rio é de US$ 2.82 bilhões. Este ponto levantou muitas desconfianças dentro e fora do COI, devido à péssima experiência do Pan 2007. Na ocasião, os Jogos estavam orçados em cerca de R$ 500 milhões, e acabaram saindo por quase R$ 4 bilhões, devido à corrupção, superfaturamento de obras e erros administrativos. Este tópico é, sem dúvida, um dos principais pontos fracos da candidatura do Rio.

- Os Jogos do Rio esperam receitas de US$ 840 milhões de patrocínio com o COI e seus parceiros, US$ 570 milhões de parcerias com empresas brasileiras, e, a princípio, US$ 692 milhões do governo (o capital do PAC é uma modalidade separada, que nas contas não é diretamente vinculada ao orçamento olímpico).

- As vendas de ingressos estão estimadas em render US$ 406 milhões. Haverá, no total, 7.1 milhões de ingressos, e o comitê se comprometeu em afixar 30% desta carga com o preço unitário inferior a 20 dólares (o que equivale, na conversão atual, a 37 reais, o que facilitará o acesso da população a algumas – certamente as menos importantes – provas). A média de todos os ingressos, segundo o comitê será de 36 dólares, o equivalente a 64 reais.

- Assim como em todas as outras cidades, há uma enorme disparidade entre o lucro estimado com vendas de ingressos entre as Olimpíadas (US$ 361 milhões) e as Paraolimpíadas (US$ 19 milhões).

- O COI apresentou preocupação quanto às parcerias financeiras, já que elas estarão diretamente atreladas à Copa do Mundo 2014. Se as empresas não se mostrarem satisfeitas com a parceria após a Copa, é pouco provável que invistam na Olimpíada.

- Os locais de competição, com já foi dito, estarão divididos entre a Barra da Tijuca, Maracanã, Deodoro e Copacabana. Quanto às distâncias, são contadas a partir da Vila Olímpica, na Barra da Tijuca, o ponto de concentração de atletas, treinadores, dirigentes e jornalistas. Ao todo, o Rio pretende realizar os Jogos em 29 locais de competição. Destes, 14 (quase a metade) estarão localizados na Barra, ou seja, a menos de 10 km da Vila Olímpica. É na Tijuca que se localiza o Riocentro.

A região de Deodoro é a mais próxima da Barra. Deodoro deve abrigar sete pontos de competição, dos quais quatro estarão entre 11 km e 20 km da Vila Olímpica. Os esportes sediados em Deodoro, contudo, serão elitistas, de certa forma (como esgrima, hipismo, tiro esportivo e pentatlo moderno), e promover a inclusão social das camadas populares a partir destes esportes, como o comitê está propondo, será um grande desafio. As outras três sedes de Deodoro ficarão entre 21 km e 30 km, e são as competições de Ciclismo BMX, Mountain Bike e caiaque. Neste raio haverá também duas das quatro sedes da Região do Maracanã, incluindo o Engenhão, que será palco do Atletismo. Um pouco mais afastados (entre 31 km e 40 km da Vila) estarão o Maracanã, palco das cerimônias de Abertura e Encerramento, e o Maracanãzinho que abrigará o Vôlei. Perto dali, haverá as competições de Tiro com arco, além da chegada da maratona, e o local escolhido foi o sambódromo do carnaval! Mais afastados estarão apenas os setores da praia de Copacabana, mas o mais afastado de todos (a Marina da Glória, palco do Iatismo) não ultrapassa a distância de 50 km da Vila Olímpica.

- Um ponto forte da candidatura carioca é a já existência de mais da metade dos locais de competição (dos 29 previstos, 18 já existem e dez estão praticamente prontos, não precisarão de grandes reformas). Houve, contudo, uma grande falta de visão dos organizadores do Pan 2007, que construíram alguns pontos “temporários”, como a pista de ciclismo BMX, em locais particulares. Assim, estes já foram demolidos, e terão de ser construídos novamente se o Rio for contemplado. Isso foi um gasto de dinheiro desnecessário, uma vez que o Rio já sabia que iria se candidatar às Olimpíadas 2016 um ano antes do Pan 2007. E os erros podem se repetir: há oito sedes que serão construídas apenas se o Rio sediar os Jogos, e seis destas sedes são classificadas como “temporárias”, ou seja: não ficarão como legado para a cidade.

- O Maracanã, visando atender os requisitos da FIFA e do COI terá sua capacidade afixada em 90.000 torcedores.

- O engenhão, por sua vez, aumentará sua capacidade de 45.000 para 60.000 pessoas.
- Vila Olímpica: o terreno destinado à construção da Vila é o maior entre as quatro cidades concorrentes: 75 hectares (usando uma manjada comparação, é o equivalente a 70 campos de futebol com o maior tamanho permitido, 90m x 120m) de área. A Vila planeja abrigar 34 prédios com 12 andares cada, sendo que os atletas paraolímpicos serão instalados, no máximo, até o sexto andar de cada prédio. A Vila deverá conter uma pista de atletismo de 400m, uma piscina olímpica, quadras de tênis e de vôlei, além de campos de treinamento para alguns outros esportes. Ficará localizada a dez minutos da praia. 46% dos atletas estarão a menos de 10 minutos de seus locais de competição, enquanto o restante ficará, no máximo, a 50 minutos.

- Para o hipismo, o comitê impõe que os todos os cavalos passem por uma quarentena de duas semanas em seus países de origem antes de entrar em território brasileiro.

- Assim como em Chicago e Tóquio (mas diferentemente de Madri, que postula os Jogos 2016, e Londres, que sediará os Jogos 2012), o Doping não é um crime por aqui, assim, os atletas que forem flagrados estarão sujeitos apenas às punições do COI e da federação de seus esportes.

- O ministério da Justiça será o órgão máximo responsável pela segurança dos Jogos. A segurança foi apontada como um dos pontos mais deficitários da candidatura do Rio, que embora não tenha apresentado nenhum problema de extrema gravidade durante o Pan 2007, é motivo de constante preocupação.

- Atualmente o Rio conta com 48.000 leitos para a acomodação do público, dos quais 13.000 são quartos de hotel já prontos para receber pessoas. Os preços dos quartos, convertidos para dólares, devem variar de US$ 166 (hotel duas estrelas) a US$ 590 (hotel cinco estrelas superluxo), preço que ainda poderá ser modificado.

- Transportes: o ponto nevrálgico deste aspecto é desenvolver uma linha de metrô e ônibus que interligue as quatro zonas dos Jogos. Além disso, está planejada a construção de uma auto-estrada de seis pistas ligando a Barra da Tijuca à área de Deodoro. O Aeroporto Santos Dumont terá que elevar sua capacidade anual de passageiros de 15 milhões para 25 milhões, mas esta é uma meta que precisa ser atingida já para a Copa do Mundo 2014. O aeroporto ficará a 40 minutos da Vila Olímpica.

- As reformas no aeroporto devem custar US$ 400 milhões, as reformas urbanas na Barra e no entorno do Engenhão, US$ 600 milhões, as melhorias e novas linhas de metrô, US$ 1,3 bilhões.

- O setor de telecomunicações deverá receber, até 2016, um investimento de US$ 85 bilhões.

- Jogos Paraolímpicos: o orçamento para as paraolimpíadas é de US$ 170 milhões. A data para a realização dos Jogos Paraolímpicos 2016 é de sete de setembro (dia da Independência) a 18 de setembro.

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