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A TV paga pra (você) ver
Quando a primeira televisão foi inventada, em 1923, os Jogos Olímpicos já existiam há 27 anos. A Copa do Mundo de Futebol surgiria sete anos depois da TV, quando esta ainda dava seus primeiros passos.
O principal meio de cobertura esportiva, nos anos 20, ainda nem era o rádio, eram os jornais impressos. Na Copa de 1930 no Uruguai, a primeira da história, os torcedores cariocas acompanharam o placar do jogo inaugural contra a Iugos
lávia por telégrafos que demoravam duas horas para ir de Montevidéu ao Rio. Nessa época, enquanto a televisão engatinhava na Europa, o rádio começava a reinar.
lávia por telégrafos que demoravam duas horas para ir de Montevidéu ao Rio. Nessa época, enquanto a televisão engatinhava na Europa, o rádio começava a reinar.Pouca gente sabe, mas um evento esportivo foi o embrião da televisão como veículo para as massas. Aconteceu na Olimpíada de Berlim, em 1936. Estes Jogos, os últimos antes da 2ª Guerra, foram patrocinados e acompanhados de perto por Adolf Hitler. Buscando o que havia de mais moderno para a Olimpíada, os nazistas instalaram 28 telões nos principais pontos da cidade de Berlim para acompanhar as principais competições. Era a primeira grande transmissão de alguma coisa no mundo. Naquela época, apenas sete países no mundo possuíam televisores.
Depois da Segunda Guerra, a TV começou a ganhar popularidade e se espalhar pelo mundo. No Brasil, ela chegou relativamente cedo, no ano de 1950, pelo legendário Assis Chateaubriand, em um episódio sobre o qual vale pesquisar mais.
A TV foi paulatinamente aprendendo a dar valor aos esportes. Nos Estados Unidos, já havia transmissões de lutas de Boxe na década de 40. No Reino Unido, há registros de transmissão de jogos de Rugby na mesma década. Mas foi nos anos 50 que começou uma verdadeira revolução.
Ascensão dos Videotapes
Pode parecer esquisito, mas no princípio havia apenas transmissão ao vivo. Era um trabalho danado,
as antenas eram gigantescas, precisavam espichar cabos com mais de 150m de comprimento, mas mesmo assim havia gente querendo transmitir esportes.
as antenas eram gigantescas, precisavam espichar cabos com mais de 150m de comprimento, mas mesmo assim havia gente querendo transmitir esportes. No começo, só dava prejuízo (embora aumentasse a fama do canal em questão), porque a publicidade em televisão ainda engatinhava e não dava os lucros que proporcionam hoje.
A Copa de 1954, na Suíça, foi a primeira a ser televisionada. Estações de tevê da Europa filmavam os jogos, e seus respectivos países recebiam o sinal com algum atraso, em preto e branco, muitas falhas técnicas e alguns chiados, mas recebiam. Não precisaram pagar um centavo à FIFA por isso.
Em 1956, nas Olimpíadas de Melbourne (Austrália), pela primeira vez a televisão pagou para transmitir um evento. A quantia recebida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), hoje, impressiona: 80 dólares. Era um valor simbólico, que não levava em conta nenhum cálculo sobre a audiência ou a publicidade, duas palavras que começavam a entrar no vocabulário esportivo.
Até que, em 1957, uma invenção revolucionou a transmissão esportiva: o Videoteipe. Pela primeira vez, era possível transmitir as coisas e gravá-las ao mesmo tempo. Não confunda isso com o filme (que surgiu em 1895 pelas mãos dos irmãos Lumière. Há coisas gravadas até das Olimpíadas de 1912, mas não era possível transmitir o que se gravava).
A partir daí, a transmissão virou algo sólido. Se você, televisão, quer entrar no estádio e filmar os eventos, para transmiti-los no seu país, terá que pagar para isso. Em troca, poderá cobrar das empresas que anunciam produtos em seus intervalos comerciais. Estas palavras, hoje correntes, ainda eram novidade no imaginário de todos no final dos anos 50.
COI X televisão
Quem hoje se impressiona com
o quanto as TVs do mundo todo pagam para transmitir as Olimpíadas, não imagina que no começo os homens do COI abominavam a televisão.
Quando a rede Norte-Americana CBS pagou 394 mil dólares (um preço recorde) para transmitir as Olimpíadas Roma-60 (ainda por Videoteipe), o presidente do COI, Avery Brundage, denunciou que aquilo era um atentado aos princípios de amadorismo e que as Olimpíadas estavam rumo a ser um evento comercial sem caráter.
Suas palavras não tiveram efeito algum: todo mundo estava de olho na renda extra da TV. Nas Olimpíadas seguintes, Tóquio-64, uma nova invenção: transmissão via satélite. Aumentava o alcance, ampliava a audiência, crescia o preço. Aqueles que eram contrários à televisão logo previram que, pagando a conta, a TV ia cedo ou tarde assumir o controle de tudo e o esporte mundial teria que caminhar conforme as suas regras. E é claro que a TV venceu.
o quanto as TVs do mundo todo pagam para transmitir as Olimpíadas, não imagina que no começo os homens do COI abominavam a televisão. Quando a rede Norte-Americana CBS pagou 394 mil dólares (um preço recorde) para transmitir as Olimpíadas Roma-60 (ainda por Videoteipe), o presidente do COI, Avery Brundage, denunciou que aquilo era um atentado aos princípios de amadorismo e que as Olimpíadas estavam rumo a ser um evento comercial sem caráter.
Suas palavras não tiveram efeito algum: todo mundo estava de olho na renda extra da TV. Nas Olimpíadas seguintes, Tóquio-64, uma nova invenção: transmissão via satélite. Aumentava o alcance, ampliava a audiência, crescia o preço. Aqueles que eram contrários à televisão logo previram que, pagando a conta, a TV ia cedo ou tarde assumir o controle de tudo e o esporte mundial teria que caminhar conforme as suas regras. E é claro que a TV venceu.
A esfera brasileira
No início dos anos 80, as Olimpíadas já eram assistidas por um bilhão de pessoas pelo mundo e os direitos que as Redes de TV Norte-Americanas pagavam (e revendiam às dos demais países) ultrapassava US$ 350 milhões de dólares.
Mas o futebol brasileiro era atrasado nesse aspecto. Retrospecto: a TV surgiu no Brasil em 1950. Em 1970, na Copa do México, pela primeira vez a torcida brasileira viu o Mundial na tela. Em 1974, na Copa da Alemanha, a primeira transmissão em cores para cá. Em 1982, na Espanha, um canal precisou comprar os direitos de transmissão pela primeira vez. E sim, este canal foi a Rede Globo.
No Campeonato Brasileiro, a TV era incrivelmente desorganizada. A transmissão de jogos Ao Vivo inexistia, e não era por falta de tecnologia: os cartolas achavam que isso afastaria o espectador do estádio (ver início do capítulo 2). Os Videoteipes eram esporádicos, apenas para jogos importantes. Nestes casos, a TV negociava os direitos de transmissão diretamente com os clubes, às vezes menos de 24 horas antes da partida acontecer.
O Flamengo, melhor time do país na
primeira metade da década dos anos 80, vendia seus jogos por um preço que variava de 60 milhões a 100 milhões de cruzeiros. Fazendo as conversões para a época, não dava nem para pagar o bicho dos jogadores. Foi apenas com a criação do Clube dos 13, em 87, que passou a haver compra organizada de direitos de transmissão do futebol brasileiro. Mas essa história já foi contada (ver capítulo 1).
Quanto às Olimpíadas, a Globo comprou com a Bandeirantes e a Record os direitos pelos Jogos de Los Angeles-84. Bem em tempo para ver o Ouro do corredor Joaquim Cruz, nos 800m, e as não tão felizes medalhas de prata no futebol e no vôlei.
primeira metade da década dos anos 80, vendia seus jogos por um preço que variava de 60 milhões a 100 milhões de cruzeiros. Fazendo as conversões para a época, não dava nem para pagar o bicho dos jogadores. Foi apenas com a criação do Clube dos 13, em 87, que passou a haver compra organizada de direitos de transmissão do futebol brasileiro. Mas essa história já foi contada (ver capítulo 1).Quanto às Olimpíadas, a Globo comprou com a Bandeirantes e a Record os direitos pelos Jogos de Los Angeles-84. Bem em tempo para ver o Ouro do corredor Joaquim Cruz, nos 800m, e as não tão felizes medalhas de prata no futebol e no vôlei.
Planeta televisão
Algumas histórias são mais famosas do que outras. Todo mundo sabe, por exemplo, que a Copa de 94, nos EUA, teve a maioria dos jogos na hora do almoço (sob um sol
de rachar e temperaturas próximas dos 40 graus), para bater com o horário nobre da televisão europeia. Era a prova cabal de que a televisão já era capaz de jogar os eventos esportivos de acordo com seus interesses.
de rachar e temperaturas próximas dos 40 graus), para bater com o horário nobre da televisão europeia. Era a prova cabal de que a televisão já era capaz de jogar os eventos esportivos de acordo com seus interesses.Os organizadores da Olimpíada de Seul, em 1988, queriam US$ 1 bilhão pelos direitos. O preço foi considerado absurdo, e eles receberam “apenas” 300 milhões de dólares. Mal sabiam eles o preço que o evento alcançaria, 20 anos depois.
Para a última Olimpíada, em Pequim-2008 (assistida por 4,7 bilhões de pessoas), só a NBC, canal que adquiriu os direitos nos EUA, pagou 894 milhões de dólares. Para Londres-2012, eles já compraram por US$ 2 bilhões. Tudo para um evento com duas semanas de duração. Mas acredite: se eles estão dispostos a pagar, é porque vale a pena.
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