sexta-feira, 1 de maio de 2009

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Criado em Curitiba, Footsack busca expansão

O esporte ainda é novidade, mas conquista muitos adeptos devido à proximidade com o futebol

A população curitibana está gradativamente conhecendo o Footsack. Originado na capital paranaense, o esporte foi desenvolvido a partir da fusão de regras e conceitos de modalidades já difundidas como o futevôlei e o tênis, e outras menos conhecidas, como o sepak-takraw, o chinlone e o footbag. O objetivo do jogo é manter no ar o footsack, uma bolinha de crochê de pequenas dimensões, tocando-a apenas com os pés.
De acordo com Marcos Juliano Ofenbock, criador do esporte e vice-presidente da Abrafoots (Associação Brasileira de Footsack), o Footsack sempre visou à popularidade. “Quando comecei a desenvolver o Footsack, imaginei que o Brasil, sendo o país do futebol, seria um terreno fértil para se difundir o esporte, mas não imaginei que fosse tão rápido. A cada evento, aumenta o número de interessados”, conta o fundador.
A ideia que originou o Footsack nasceu na Austrália. Enquanto esteve em Sydney, Ofenbock conheceu o Footbag. De volta ao Brasil, passou a fazer pesquisas e desenvolveu uma bolinha diferente, maior e mais pesada, que seria a base para o jogo do Footsack. O esporte nasceu com o fundamento básico de ser jogado em grupo, ao contrário do Footbag. No Footsack Recreativo, os participantes jogam em círculos de três a cinco pessoas, onde tocam o footsack entre si, prática ideal para se iniciar no esporte.
A partir de 2004, José Kantek Júnior, atual presidente da Abrafoots, passou a trabalhar com Ofenbock para criar o Footsack de competição. A ideia básica era um esporte em que houvesse a passagem do footsack entre dois adversários separados por uma rede, como o vôlei e o tênis, e no qual não se pudesse usar as mãos, como o futevôlei. Assim, depois de testadas na prática todas as características do jogo – tamanho da quadra e da rede, peso e circunferência da bolinha e duração das partidas – nasceu o Footsack. No dia 14 de abril de 2007, aconteceu o primeiro campeonato de footsack da história, e em 26 de outubro de 2008 o esporte foi reconhecido oficialmente como a sexta modalidade esportiva genuinamente brasileira.
Os esportistas paranaenses vêm aderindo à nova modalidade. O Campeonato Brasileiro, cuja primeira edição aconteceu em 2008 no município de Itapema-SC, neste ano será sediado em Curitiba. Ofenbock acredita que o torneio servirá para medir as conquistas do Footsack. “Virão para Curitiba jogadores de várias partes do Brasil, praticantes que, de algum modo, já tiveram acesso ao Footsack”, afirma ele. O Footsack conta hoje com uma federação nacional (Abrafoots), além de três estaduais: catarinense, capixaba e paranaense. Fundada durante o IV Campeonato Paranaense, realizado no dia 18 de Abril, a federação estadual terá seu primeiro desafio ao sediar a competição nacional.

Esporte de fácil difusão
Ofenbock avalia que o esporte tem se expandido por ser simples e barato: “É muito fácil começar a praticar o Footsack, não exige um espaço físico amplo e nenhum recurso oneroso. Uma bolinha custa dez reais e dura mais de três anos”. Ele espera uma explosão de popularidade quando grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, conhecerem o Footsack. “No momento em que houver a massificação do esporte, queremos que ele se torne uma febre”,declara o presidente da Abrafoots.
Para difundir a modalidade, Ofenbock fundou em 2002 a empresa Footsack, que hoje controla a fabricação de artigos para a prática do esporte. A bolinha é produzida com material reciclado, que geralmente é plástico granulado envolvido por crochê. Quem produz os footsacks são as empregadas da Associação Curitibana de Crochê, em um projeto que gera capital para famílias de baixa renda com a venda dos materiais. De acordo com o site oficial da empresa, a produção em larga escala os permite ter atualmente mais de 45 pontos de venda em dez estados no Brasil – sendo 15 deles em Curitiba. Segundo Ofenbock, a estrutura é amplamente superior à que existia nos primeiros anos do esporte. “Quando o footsack estava em desenvolvimento, costurei várias bolinhas à mão, o processo era muito rudimentar”, conta o fundador.
A difusão do Footsack está sendo apoiada com um maior número de eventos e mais divulgação. “Estamos visitando escolas, fazendo apresentações, e vamos ao Parque Barigui nos finais de semana, onde a população curitibana vem tendo o primeiro contato com o footsack”, explica. A ideia do footsack recreativo, de promover o jogo em grupo, também auxilia na divulgação, pessoas conhecem o esporte através de amigos.
Wellington Asega conheceu o esporte brincando: “Gostei e comecei a praticar. Atualmente, jogo footsack uma ou duas vezes por semana”, afirma ele. Para o atleta , a relação dessa modalidade com o futebol é uma aliada na popularização. “A partir do momento em que passaram a produzir bolinhas com as logomarcas dos clubes de futebol de Curitiba, mais pessoas passaram a comprar footsacks”, argumenta Asega. “No dia em que conhece o footsack, a pessoa já pode começar a praticá-lo, jogando em grupos ou até mesmo sozinho”, explica ele, que treina em parques ou na sede da Footsack, onde há uma quadra à disposição dos afiliados.
Regras do jogo
• Quadra: é necessária apenas no Footsack competitivo, já que para jogar o recreativo basta uma bolinha e três pessoas. O campo de cada jogador mede 4m de comprimento por 5m de largura, no individual, e 5m x 5m, em duplas. A quadra é dividida em quatro quadrantes.
• Rede: ocupa toda a largura da quadra e sua parte superior fica a 1,5m do chão.
• Modalidades: No footsack de competição, há duas modalidades: individual e em duplas.
• Pontuação: em ambos os casos, são disputados três sets de 21 pontos – em caso do set chegar ao placar de 20 x 20, é preciso abrir dois pontos de vantagem – e vence aquele que primeiro conquistar dois sets. Cada ponto é obtido quando o atleta passa o footsack por cima da rede e o faz cair no campo do adversário.
• Saque: No saque, o atleta deve chutar o footsack no quadrante diagonal oposto.
• Objetivo: o atleta deve passar o footsack para o outro lado da quadra em no máximo de dois toques (em duplas, o limite é de cinco toques entre a dupla, mas é obrigatório que ambos toquem na bola), com qualquer parte do corpo, exceto braço, antebraço e mão.
Rafael Neves

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