sexta-feira, 1 de maio de 2009

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A arte marcial que une diferentes culturas

O Aikido, ligado à cultura japonesa, ajudou a unir imigrantes japoneses e o povo brasileiro

Ao longo do século XX, o Japão levou sua cultura a outros lugares do mundo. O Brasil, país em que houve grande intercâmbio cultural com os nipônicos, foi terreno fértil para a divulgação das artes marciais japonesas. No último dia 26 de Abril, completaram-se 40 anos desde a morte de Morihei Ueshiba, criador do Aikido. Poucos anos antes de seu falecimento, esta arte marcial já estava sendo introduzida no Brasil. E foi exatamente assim que começou a história de Thiago Hoshino, mãe brasileira e pai descendente de japoneses.
Isso porque seus pais se conheceram através dessa arte marcial. “Eles passaram cinco anos namorando e treinando. Praticar Aikido era aquilo que os unia, devemos ao Aikido a própria constituição da família”, conta Thiago, primogênito dos três filhos do casal. Ele explica que no início houve dificuldade quanto à falta de abertura da colônia japonesa para com os brasileiros e vice-versa. “Naquela época, não havia muita aceitação, as relações eram mais rígidas”, diz ele. Segundo Thiago, a mãe já era faixa preta na arte quando o namoro começou.
Assim a história de Thiago mistura-se a própria história do Aikido no Brasil. A capacidade de quebrar paradigmas culturais é uma proposta dessa arte marcial moderna, como constata o Sensei (mestre) Rodolfo Reolon, faixa preta e representante da Aikido Paraná. “A idéia é que a cultura japonesa possa se expandir ao mesmo tempo em que absorve outras culturas”, esclarece Reolon.
Como arte marcial, segundo Thiago, o Aikido foi sendo deixado de lado durante alguns anos. “A base do Aikido é a não-violência, os movimentos visam apenas à defesa e o uso da força do oponente contra ele próprio. Nos últimos anos, contudo, percebo que estiveram muito em voga as artes marciais onde a força física é mais importante do que a concentração e a disciplina”, avalia. Sua própria família, apesar de ter se constituído devido ao Aikido, passou anos sem praticar. Ele e seus irmãos não começaram desde crianças, só viriam a se envolver com o Aikido na adolescência. “Houve um lapso a partir do momento em que minha mãe foi forçada a abandonar devido a um problema nos olhos”, diz o jovem.
Segundo ele, o Aikido está atualmente sendo mais procurado graças à sua filosofia: “Nos últimos tempos, vejo que de certa forma virou moda ser ‘zen’, ou algo parecido. Como o Aikido é uma filosofia que acredita na paz, atrai aqueles que buscam algo nesse sentido”. Há cerca de dois anos, a família começou a se reaproximar não apenas do Aikido, como da cultura japonesa. “Passamos a aprender a língua, eu viajei para o Japão, e nós iniciamos no Aikido”. Thiago teve de parar de treinar pela mesma razão de sua mãe, mas seus irmãos ainda praticam. “Na época em que meus pais se conheceram, era comum que famílias inteiras treinassem Aikido, como aconteceu com a nossa”, conclui ele.


Benefícios
“A partir do momento em que a pessoa está no Aikido, o organismo funciona melhor e a mente fica mais leve. Evidentemente, o praticante sente o desejo de levar o Aikido para sua família, para que os outros possam usufruir dos mesmos benefícios”, explica o Sensei Reolon. Esta característica, segundo ele, vem aumentando gradativamente a popularidade do Aikido. “Hoje, na Grande Curitiba, temos cerca de 150 praticantes filiados à federação. Nosso desejo pela expansão é apenas para que um maior número de pessoas desfrute os benefícios do Aikido, nada mais”, afirma o representante da Aikido Paraná.
As vantagens que a arte marcial proporciona para o corpo, contudo, não estão relacionadas à força física em si. Segundo Thiago Hoshino, se ganha muito mais mentalmente: “O Aikido auxilia a concentração, e como canalizar melhor as energias para as tarefas do cotidiano. O Aikido auxilia no trabalho e nos estudos”. Reolon considera que a busca pelo Aikido pode ser uma certa fuga da rotina. “Não há competição, vencedores ou perdedores. Isso o torna um oásis distante do mundo competitivo onde vivemos”, argumenta ele.
O Aikido é uma arte marcial moderna, que apesar disso mantém intocados os fundamentos criados por Morihei Ueshiba no começo do século. Esta contradição, segundo Thiago, é fundamental para a sobrevivência do Aikido. “Eu pretendo, no futuro, levar minha eventual família à prática. Mas quero fazê-lo desde que possam aprender com algum mestre capaz de ensinar os princípios básicos do Aikido”, explica ele. Para Thiago, há hoje pessoas que enxergam o Aikido meramente como uma luta e instrumento de defesa pessoal. Mas, acredita que o Aikido precisa de sua identidade (filosofia) básica, com a qual se tornou a respeitada arte marcial que é atualmente.
Rafael Neves

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