domingo, 30 de janeiro de 2011

Correr está na moda

Pratico atletismo desde os 12 anos de idade. Comecei graças à influência de meu amigo Isi, que fazia Salto em Altura. Quando comecei, só sabia o que era futebol, vôlei, basquete e handebol, esportes de ginásio da escola.

Atletismo era coisa de Nerds no meu círculo social (um colégio particular, entende-se), e correr era coisa de idiota. Ouvi de um colega da época: "tá, você corre, corre um monte, pra nada, não entendo isso. Pra quê ficar correndo"?

O tempo passou, treinei seriamente, competi, conheci as principais cidades do interior do Paraná. Nas competições de pista (aquela oval, de 400 metros, sim), as pessoas que a gente encontra são sempre as mesmas. Há anos. Jamais poderia imaginar gente que anda em shopping à toa, nos fins de semana, iria correr um dia.

E não é que agora correr está na moda? A classe média-alta de Curitiba, pelo menos, parece ter pegado gosto pelo esporte mais democrático do mundo. Todos podem correr, mas antes só os pobres o faziam. É um dos poucos esportes na cidade onde se pratica mais do que se assiste (ninguém gosta de assistir atletismo).

O que se vê de carros de luxo estacionados perto da largada de corridas de rua não é brincadeira. E as mulheres, então? Correr sempre foi tido como masculinizante, e há um tempo atrás eu podia acreditar nisso: mulher-modelo, em corridas, era como uma agulha no palheiro.

Atualmente (por favor, não me chamem de preconceituoso), ainda são as feias que dominam o pódio, mas no meio do percurso se encontram várias moças que são vistas na balada mais cara da capital. Os tempos mudaram.
Diferenças

Agora existem dois tipos de corredor. Os que disputam medalhas, com justiça, são os mesmos de antes: a classe baixa, que acorda às quatro e meia da manã para treinar porque têm que pegar no serviço (geralmente braçal) às sete.
Algumas corridas oferecem premiação em dinheiro, o que é um estímulo, já que alguns ganham um patrocínio, e percorrem o tortuoso caminho da profissionalização do atletismo no Brasil.

A nova geração corre, mas por lazer. Manutenção da saúde. Complemento da Academia. E principalmente, status. Quando se está na noite, flertando com uma dama, dizer que é corredor faz muito mais sucesso que antigamente. Ajuda o fato de que algumas correm também: convidar uma menina para correr no parque tem maior chance de dar certo, hoje em dia.

Mas ainda há um abismo. Os atletas da velha guarda, que disputam a ponta, têm um regime pesado de treinamento: pouca frescura, tênis barato, cronômetro na mão, muita água, chão de terra batida, pista de pó de carvão, e jamais uma esteira. Os mais selvagens correm até descalços. Um técnico treina dezenas de atletas.

A turma de agora corre em esteira, ouvindo mp3, tênis com amortecimento hi-tech, fala em níveis de glicose, suplementos, spinning, fartleck, Personal Trainer, e lê a Revista Runner's.

Correr é democrático, sim, todos podem fazer. Mas a democracia dá origem às camadas sociais, em qualquer setor. O atletismo já dividiu as suas.

Um comentário:

Unknown disse...

Isso não é privilégio apenas do atletismo, no próprio futebol vemos jogadores profissionais passando necessidades e peladeiro jogando com chuteiras de R$600,00. No basquete temos muito disso também. Que bom que houve essa popularização do atletismo, isso apenas fortalece o esporte como um todo. Hoje ja temos ídolos, internacinais como o Bolt, e brasileiros como a Maurren Maggi. E que bom que temos uma elite comprando tenis Hi-tech para sua corrida de fim de semana, essa elite esta financiando pesquisas cada vez mais avançadas para o desenvolvimento de acessórios cada vez melhores para atletas profissionais, pesquisas que eram muito menos comum antes dessa "moda". Hoje vemos propagandas usando corredores hobbistas aqui no Brasil, como é o caso da Olimpikus, antes era uma coisa que viamos apenas la fora, com a Nike por exemplo. Lógico, a desigualdade é imensuravel ainda, assim como é no futebol, no basquete, no volei ou no MMA. Mas acredito que essa "moda" tem apenas agregado ao esporte. Sou um corredor hobbista, comprei um tenis razoável para praticar o esporte, e vim junto com essa moda. Admiro muito os atletas profissionais e comecei a acompanhar e torcer mais pelos atletas brasileiros depois que comecei a correr. Espero que o esporte possa crescer cada vez mais, e tenho certeza que isso vai acontecer. Acredito que o nome disso não é moda, pode parecer até agressivo com pessoas que tiveram a oportunidade de conhecer o esporte agora. Acredito que o nome disso é Popularização. Eu não tenho condições físicas, e nem largaria minha profissão para ser corredor profissional, ou fazer maratonas de treinos de corrida, corro por lazer, assim como jogo pelada por lazer, ou basquete, ou tenis, ou kart, ou qualquer outro esporte. Apesar disso, comecei a admirar o atletismo, e o mais importante, a torcer. Dêem as boas vindas ao atletismo ao mundo dos esportes populares!!!