quarta-feira, 13 de abril de 2011

História Pitoresca do Esporte Mundial - 4

Mais uma quarta-feira, mais uma história pitoresca. Um dos personagens do conto de hoje é Pelé, o Rei do Futebol, por um ângulo que você nunca viu.

O Diamante Negro

Os anos 20 e 30 marcaram o início da profissionalização do futebol brasileiro. Os melhores times do país, especialmente no eixo Rio-São Paulo, começavam a pagar salários e bichos, fazer contratações ousadas de jogadores e cobrar regularmente pelos ingressos.

Depois de dois fracassos nas Copas de 1930 e 1934, o Brasil finalmente fez bonito na edição de 1938, na França. O “scratch branco” como era chamada a seleção brasileira de então(o “escrete canarinho” só nasceu depois de 1950, quando resolvemos adotar a camisa amarela depois do trauma da final de 50) chegou à semifinal. Passou pela Polônia, pela Tchecoslováquia (em dois jogos), perdeu para a Itália e venceu a Suécia na disputa pelo terceiro lugar.

O grande astro do Brasil naquela Copa foi Leônidas da Silva. Brilhou nos três primeiros jogos e, lesionado, não enfrentou na Itália, motivo pelo qual a imprensa daqui atribui nossa derrota. Saiu com a imagem de herói, e o sucesso o trouxe duas novidades.

Na primeira (e mais importante), em 1942, foi vendido do Flamengo para o São Paulo por 200 mil réis, preço recorde até então. Além disso, a Lacta lançou no mercado o chocolate “Diamante Negro”. Foi inspirado no apelido que Leônidas ganhou dos uruguaios quando jogava no Peñarol.

Leônidas foi garoto-propaganda, no lançamento, do chocolate que levava seu nome, e ganhou dois contos de réis (que era um bom dinheiro aquela época, o equivalente a cerca de 100 mil reais). Mas aqueles eram tempos ingênuos e semi-amadores. Os jogadores não tinham empresários, e não havia ninguém dentro do futebol com experiência em ganhar dinheiro com publicidade.

Isso explica o fato de que Leônidas, depois do lançamento do “Diamante Negro”, não tenha recebido parte dos vultosos lucros que a Lacta teve com a venda do chocolate nas décadas seguintes. O motivo? Seu apelido não era uma marca registrada.

Isso abriu os olhos do garoto Edson Arantes do Nascimento, que, logo aos 20 anos (mas já vencedor da Copa do Mundo Suécia-1958), patenteou o nome “Pelé”. Todas as empresas que lançaram produtos com o nome Pelé (entre os quais o mais famoso é o Café Pelé) tiveram que pagar royalties ao Rei do Futebol.

Hoje, qualquer apelido idiota que uma sub-celebridade arruma é imediatamente transformado em marca registrada. A partir daí, tal pessoa tem participação nos lucros de qualquer uso público do seu nome.

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